Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

02
Mar 19

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Já não se ouve o rufar dos tambores

E o chocalhar dos caretos.

Os foliões, felizes e cansados

Regressaram a casa.

E um anoitecer

Frio e pardacento

Invadiu as ruas da cidade.

Há calma, tranquilidade.

Podemos dormir descansados.

O diabo já foi queimado.

O Porto – Benfica vai começar

E o festival da canção não tarda

A acontecer.

A vida não para. Voa como o vento.

A quaresma está à porta.

É imperioso caminhar, não perder tempo.

Um dia iremos chegar

Quando Deus nos quiser levar.

 

 

publicado por aosabordapena às 20:38

10
Fev 19

Picote-Miranda 6 outubro 2012 050.JPG

Picote - Miranda

 

Domingo característico dum fevereiro

Frio e chuvoso.

O tempo corre pressuroso,

Qual riacho que não se detém

Nas margens, para admirar

A natureza circundante.

Tem pressa de chegar ao mar.

Ainda ontem foi natal

E março espreita

Trazendo consigo o carnaval.

A vida tudo ensina.

Que o nosso corpo não é imortal,

Que estamos a envelhecer.

Quem diria?

Que um dia temos que partir,

Só levando connosco

O bem que fizermos.

Desesperar? Não. Sorrir.

Continuar a viver,

Sendo testemunha da Esperança

Na dura realidade do dia a dia.

 

 

 

publicado por aosabordapena às 17:36

02
Fev 19

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São tempos difíceis, Senhor.

Noticias de corrupção,

Neglicência e má gestão,

Invadem o nosso quotidiano.

Em Borba desabou uma estrada.

Há mortes, dor e sofrimento.

Greves selvagens

Ameaçam a vida humana.

Em Brumadinho, Belo Horizonte

A morte saiu à rua

Envolta em lençóis de lama.

Na Venezuela há dois países.

Um defende a revolução

O outro apela à democracia,

à liberdade.

Perante este mundo em ebulição

E constante mutação,

O que nos resta, Senhor?

Apenas confiar em Vós,

Nosso protetor,

Luz das nossas vidas,

Luz da Verdade, Justiça e  Amor.

 

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 23:41

26
Mai 15

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Há sonhos que a gente sonha,

Que melhor fora, não sonhar.

Há sonhos que não são sonhos

E é preciso evitar.

 

Já não sei se os meus sonhos,

São quimeras ou realidades.

Certezas, meu amor,

Só Deus as pode dar.

 

Nos meus sonhos há luar,

Angústias e saudades.

Há vida, duas vidas,

Muito amor, no teu olhar.

 

Esta noite, não tenho sono,

Nem sonho para sonhar.

Quero amar-te, estar contigo

E o teu sono velar.

 

Nos meus sonhos há luar,

Há mar, um suave entardecer.

Uma gaivota voando

Muita pressa de viver.

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 11:24

02
Abr 15

 

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Era tempo da Páscoa.

As famílias celebravam

Os dias da libertação.

A noite era diferente

Era a noite do Seder Pascal

Refeição solene, memorial,

De súplica e agradecimento.

Na mesa, cordeiro assado,

Pão ázimo

Que a pressa não deixou levedar,

Ervas amargas, haróssset saborosa

E quatro taças de vinho

Para acompanhar.

“Ao cair da tarde”

Jesus toma lugar à mesa

E com os discípulos

Inicia solenemente

A celebração da Sua Páscoa.

Era uma refeição especial

“Desejada ardentemente”

Refeição de muitas emoções,

De amor nos corações.

Há dúvidas, incertezas

Os últimos ensinamentos

Uma despedida sentida

Intensamente vivida.

Então, Jesus, emocionado

Interrompe o ritual.

Toma o pão e o vinho,

Pronuncia a bênção

E para sempre

Seu Corpo e Sangue

São alimento espiritual.

É a completa doação,

Acto supremo de amor

Generoso, integral.

“ Ó Cruz bendita, só tu nos abriste

 Os braços de Jesus, o Redentor.”

 

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 10:16

27
Fev 15

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O dia vai longo.

A mente está cansada

E o corpo extenuado reclama repouso

E algum cuidado.

Uma estranha sensação de dormência,

Alastra suavemente,

Invadindo pernas e braços.

Os olhos cansados,

Piscam compassadamente

E abandonam-se sem temor

A um sono apaziguador.

Mas o cérebro, imparável, avassalador,

Faz reviver o sonho mirabolante

Dum menino feito homem

Que queria ser aviador.

Na etérea penumbra

O avião sobe, sobe sem parar.

O tempo escasseia.

A escuridão é completa.

Onde vou aterrar?

E o menino, homem cansado,

Aterrorizado,

Acorda ofegante.

São horas de ir trabalhar

 

Poema publicado na Antologia "Entre o Sono e o Sonho" – Volume V da Chiado Editora

.

 

 

publicado por aosabordapena às 22:01

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 É tempo de silêncio

De conflito e serenidade

De mudar o azimute

Rumo à eternidade.

Que valor tem o tempo

O nosso tempo vivido?

Será que ainda temos tempo

De recuperar o perdido?

É tempo de escuta

Tempo de conversão

De provar o vinho novo

E remodelar o coração.

É tempo de esperança

De esquecer o tempo velho

Dar nova vida à vida

E seguir o Evangelho.

A vida e a morte

O transitório e o perene.

Tudo passa, nada fica

Só Deus permanece.

publicado por aosabordapena às 21:45

26
Dez 14

 

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É dezembro,

Mês de espera e celebração

Do nascimento de Jesus.

Por isso, não há notícias

De corrupção,

Não se fala de enriquecimento,

De branqueamento,

De violência, de pobreza,

De famílias endividadas,

Desempregadas

 “à espera de Godot”.

Fala-se de amor, de saudade

De paz e esperança

De vidas com dignidade.

A chuva cai

E o vento assobia.

As famílias de Portugal

Não têm frio, nem fome.

Sentadas à mesa,

Emocionadas,

Transbordando amor,

Saboreiam despreocupadas

A ceia de Natal.

 

Acordo, sobressaltado.

Já é dia

E espreito pela janela.

A chuva cai

E o vento agreste assobia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 19:35

24
Dez 14

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Nesta noite de Natal,

Estou contente e feliz

E os avós emocionados,

Junto às mães enternecidas,

Olham com amor os netos

Que alegram as suas vidas.

 

 

Nesta noite de Natal,

Tempo de paz e esperança,

Lembro-me do Menino Jesus

Nascido em Belém

E dos meninos

Que não têm ninguém.

 

 

Ah como é bom o Natal.

Ter uma família,

Na mesa pão

E alegria no coração.

Viva o Natal em Bragança.

 

publicado por aosabordapena às 19:49

20
Abr 14

 

 

Ao cair da tarde, Jesus é sepultado.

Tudo acontece apressadamente.

A pedra rola. O túmulo é selado.

O silêncio reina. É o fim da linha.

A hora da escuridão.

Todos se retiram.

As duas Marias, incrédulas, paralisadas,

Em frente do sepulcro, ficam sentadas.

Que sentem? Que esperam?

Nem tempo houve para chorar

O Amigo, o Mestre, o Messias!

São horas de regressar.

Foi longa a noite de sábado.

A impaciência invade

O coração amargurado

Das duas Marias.

Ao romper do primeiro dia,

O dia de todos os dias,

O sepulcro, vão visitar.

O espanto é total.

O Anjo do Senhor anuncia

A ressurreição do Crucificado.

É grande o temor e a alegria sentida.

“Jesus saiu ao seu encontro”.

A missão é anunciar aos irmãos

Que a experiência com o Ressuscitado

Será na Galileia e para sempre,

Nas galileias da nossa vida.

(Mt 28,1-10)

 

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 16:19

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