Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

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Dez 08

 

 
Vem o Novo Ano carregado de sombras e incertezas. A crise, qual personagem física, acompanha-nos por todo o lado. O certo é que, de abstracta, em termos teóricos, ela transforma-se em realidade pungente, na gestão quotidiana da nossa vida. Não a vemos, mas o mais grave, é que a sentimos efectivamente.
No entanto, o tempo, insensível aos dramas humanos e às oscilações dos mercados, ao preço do dinheiro e das coisas, continua imparável na sua marcha ininterrupta rumo ao futuro, galopando velozmente a estrada da vida.
Eis – nos a iniciar um novo período a que se convencionou chamar Ano Novo, quando na realidade, nada tem de novo, pois é uma sucessão normal da decorrência do tempo. Essa imagem qualitativa com que o designamos, serve-nos apenas para que o nosso imaginário pessoal e colectivo se revigore, para que metaforicamente nos sintamos a começar algo de novo, a iniciar uma nova vida. Daí surge a formulação de sentidos apelos à paz individual e universal, de votos ardorosos de boa saúde, de bem-estar e felicidade; surgem no nosso coração novos projectos, anseios e aspirações.
 É assim a natureza humana. Insatisfeita, solidária, nem que seja por breves horas; incoerente mas sempre disponível para acolher e desejar o bem comum. É algo que, residindo no mais profundo recôndito do coração humano, de tempos a tempos se manifesta de forma favorável. É o coração de carne que assume a sua verdadeira natureza.
Esta ânsia de felicidade e a sua procura incessante são sinais positivos que amenizam o mundo violento, descontrolado e cruel em que vivemos. São sinais de que nem tudo está perdido. Sinais de esperança num mundo melhor em que o homem, perscrutando o infinito, ergue os olhos e eleva a mente para Aquele que é a fonte suprema da Esperança nas suas variadas vertentes e sem o Qual, a vida íngreme e sinuosa que temos de percorrer, se mostra insuportável, vazia e oca de sentido. Parece utopia, no mundo mercantilista e materialista que nos enreda, colocar nas mãos de Deus Pai rico em misericórdia, a nossa confiança, o nosso abandono activo, a nossa esperança, os nossos problemas, quando o apelo à concorrência desenfreada, ao poder do ter, à driblagem desleal, ao salve-se quem puder, parecem ser o meio mais eficaz para vencer e estar bem na vida.
É certo que Deus não nos dispensa da nossa contribuição, da nossa força partilhada com todos para a solução das vicissitudes da vida e que temos de «comer o pão com o suor do nosso rosto». Contudo, o cristão com «a constância da esperança» de que nos fala S. Paulo, tem fortes razões para colocar nas mãos de Deus o seu destino como homem sofredor e peregrino do mundo terreno em que se insere e sobretudo, a esperança, fundada na Ressurreição de Jesus de que, finda esta travessia, as incertezas, o efémero e as dores se hão-de transformar em certezas, perenidade e bem-aventurança eternas, promessa feita a «todos os amados de Deus, chamados a ser santos».
Com este espírito de esperança cristã, comecemos a viver esta nova etapa temporal que Deus coloca à nossa disposição. Vivamo-la impregnada de fé, esperança e caridade. E por certo, os frutos desta actuação, não deixarão de florescer e frutificar.
Feliz Ano, companheiros de 2009
 
 
 
publicado por aosabordapena às 17:32

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