Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

10
Ago 00

   Era Abril do ano de 1852. Frederico Ozanam sofria penosamente duma pleurisia, agravada por uma febre maligna.

   Não havia gozado férias e o médico ordenara-lhe repouso absoluto. Contudo, para Ozanam, homem inquieto e irrequieto, o próprio descanso era uma doença. «Não ganho o pão que como, dizia. Devo ganhar o dia»

   Perturbado pela sua consciência escrupulosa e conhecedor dos murmúrios que a notícia da sua ausência causara no meio estudantil, levantou-se, apesar das lágrimas da esposa, das ordens do médico e dos conselhos dos amigos, e fez-se transportar à Sorbonne.

   À vista do professor, tremente de febre e de rosto pálido, os aplausos dos estudantes surgiram entusiasticamente.

   A sua eloquência arrebata todo o auditório. As palavras sofridas que então proferiu, reflectem não só a entrega total da sua vida à defesa das grandes causas, pelas quais se bateu, ao longo da vida, como também, o zelo demonstrado pelo cumprimento escrupuloso das suas obrigações profissionais. “É aqui que estragamos a nossa saúde, é aqui que usamos as nossas forças; não me queixo, a minha vida pertence-vos; nós vo-lo devemos até ao último suspiro, vós a tendes. Quanto a mim, senhores, se morro é ao vosso serviço”.

   Os estudantes, aplaudindo novamente, compreenderam então, que não mais veriam Ozanam na cátedra.

   Esta doação total da sua vida ao serviço dos outros, é a concretização plena e prática dos ensinamentos do Evangelho.

   Frederico Ozanam experimentou a profunda alegria de servir, imitando Jesus. Do mesmo modo, “o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20, 28).

   Costumava dizer Henrique Vergés, irmão marista, assassinado por islamistas na Argélia, em Maio de 1994: «o quinto Evangelho que o mundo todo pode ler, é a vida». Assim a cada um de nós também é pedido para fazer das nossas vidas um “quinto Evangelho”.

   Somos convidados a fazer de cada dia que passa uma oferta de serviço, redobrando a nossa atenção aos que precisam do nosso auxílio, seja de ordem material ou duma palavra amiga.

   No gesto de servir está a fonte donde brota a felicidade e a alegria, salpicando a aridez da nossa vida e da vida daqueles com quem nos relacionamos, de tons verde esperança e azul celeste.

   Tendo, pois, sempre presente que «quem não vive para servir não serve para viver», procuremos, seguir o exemplo do Beato Frederico Ozanam que, sem descurar a sua vida profissional, consagrou a vida a servir e a defender a causa dos mais necessitados.

publicado por aosabordapena às 16:02

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.


Agosto 2000
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
as minhas fotos
As minhas visitas
counter customizable Exibir My Stats
mais sobre mim
pesquisar