Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

26
Mai 00

 

 
Frederico Ozanam não idealizara as Conferências de S. Vicente de Paulo como o único remédio e bastião contra a pobreza.
Um dos seus objectivos era proporcionar aos mais privilegiados, um meio de reflexão, acerca das causas profundas da miséria, da qual resultassem propostas e ideias que influenciassem, de alguma forma, o poder político, no sentido da tomada de medidas, visando a sua irradiação.
Em 1836, três anos após a criação das Conferências, Ozanam escreve a um amigo: “A questão que divide os homens dos nossos dias já não é uma questão de forma política, mas uma questão social, pois trata-se de saber quem levará a melhor: o espírito de egoísmo ou o espírito de sacrifício; se a sociedade será uma grande exploração em proveito dos mais fortes ou uma consagração de cada um para o bem de todos, e sobretudo, para a protecção dos fracos. Há muitos homens que têm demais e querem sempre mais; e há ainda muitos mais que não têm o suficiente, que nada têm e querem agarrar, se não lhes derem. Entre estas duas classes de homens prepara-se uma luta que ameaça tornar-se terrível: dum lado, o poder do ouro, do outro, o poder do desespero”.
A luta de classes prenunciada com cinquenta anos de avanço por Frederico Ozanam, continua latente, de forma mais subtil, na sociedade dos dias de hoje, pelo que a actualidade das suas palavras é evidente.
Nuvens negras ensombram o limiar do terceiro milénio. A globalização da economia , a informatização dos serviços, a aceleração do acesso à Internet e a introdução de novas tecnologias, começam a excluir do sistema, todos aqueles a quem não foi proporcionada formação ou que não tenham capacidade ou idade para acompanhar e integrar o ritmo da mudança que se avizinha. Serão os desempregados e os sem abrigos do futuro.
Se a Revolução Industrial deixou de fora milhares de pessoas, também a revolução tecnológica e a sociedade de informação do novo milénio, produzirão milhares de desempregados, se os governos não se unirem e não subscreverem uma vontade política comum de combate ao desemprego e à exclusão social.
Se tal é importante, contudo não basta. As iniciativas individuais ou colectivas são essenciais. A ajuda de Deus é imprescindível.
O nosso Deus não é um Deus insensível aos angustiosos problemas da humanidade que sofre, nem quer discípulos desertores das tarefas do mundo e indiferentes à história dos seus irmãos.
Por isso, é dever de todos os cristãos e, em especial dos vicentinos, estar atentos aos novos tempos, lutar e contribuir na medida das suas possibilidades para que a sociedade em que vivemos, seja mais feliz, mais justa e mais solidária.
 
 
publicado por aosabordapena às 18:04

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