Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

19
Jun 99

(A Torre de David em Jerusalém)

 

Os mandamentos da lei de Deus resumem-se em dois que são: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Amar a Deus é a resposta humana ao apelo divino: “É ao Senhor, vosso Deus, que deveis temer e seguir; cumprireis os Seus preceitos e não obedecereis senão, à sua voz; só a Ele prestareis culto e só a Ele servireis” (Dt 13, 5).

Amar a Deus implica obediência à Sua vontade. Implica pôr em prática os ensinamentos de Deus, porque “aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática, é semelhante ao néscio que edificou a sua casa sobre a areia (Mt 7, 26). Implica tomar Cristo como modelo perfeito deste amor – obediência.

Jesus disse “O Meu alimento é fazer a vontade d`Aquele que Me enviou e realizar a Sua obra” (Jo 5, 34).

Amar a Deus é a busca incessante da perfeição; é um caminhar diário, no qual o nosso pensamento querer e fazer se perspectivam e se concretizam com o fim último de agradar a quem amamos.

Amar a Deus, é amar o próximo como a nós mesmos; amar o próximo como amamos a Cristo; amar o próximo como Cristo também o ama.

Se nas relações com os outros, conseguirmos ver mais longe e no nosso semelhante virmos para além da sua pessoa, concerteza que o nosso procedimento será mais correcto, justo e solidário.

“ É urgente evitar o contra-senso de acreditar em Deus e viver como se Deus não existisse”

É urgente evitar o contra-senso de pensar que amamos a Deus, quando desprezamos os nossos irmãos.

Os caminhos que nos levam a Deus são os caminhos percorridos em consonância com todos aqueles que connosco se cruzam na labuta diária, aos quais, dispensamos o nosso afecto, a nossa ajuda, o nosso sorriso.

Porém, nem sempre é fácil o seu trilhar. Por vezes, não paramos no sinal vermelho e atropelamos o nosso próximo; por vezes não atendemos à intermitência do sinal amarelo, e seguimos em frente, altivos, indiferentes, como se não existisse mais ninguém nesta vida, para além de nós. Quando assim acontece, caímos no precipício do nosso orgulho e insensibilidade.

Importa arrepiar caminho e inspirados na Parábola do Filho Pródigo, retroceder e orientar a bússola na direcção de Deus, mediante o recurso ao Sacramento da Penitência.

Cumprir os mandamentos de Deus implica uma contínua conversão e luta permanente, um contínuo recorrer à oração, dada a nossa fragilidade e falta de coragem.

Neste ano de preparação para o Jubileu do ano 2000, procuremos pois, conservar Deus como hóspede privilegiado no nosso coração, mantendo acesa a chama da Graça que Ele, pródiga e incessantemente nos disponibiliza.

 

 

publicado por aosabordapena às 13:55

08
Jun 99

 

 

Realizou-se no mês de Maio de 1999, a Peregrinação Internacional Aniversária dos 82 anos da 1ª Aparição aos Pastorinhos, presidida pelo Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, subordinada ao tema “Pai, perdoai-nos como nós perdoamos”.

Para lá rumámos, via Batalha, começando a ser interiormente preparados pela visão da paisagem deslumbrante dos montes, onde pontifica uma vegetação selvagem, salpicada de azinheiras, oliveiras e flores silvestres.

Lá no cimo da montanha – a serra d`Aire, fica Fátima, rodeada duma auréola inspiradora que nos provoca e desafia, lugar de fé e de conversão, “a antena que nos liga ao céu”, no dizer do Papa João Paulo II.

O odor intenso do zimbro e uma atmosfera mística invadem-nos, quando entramos no recinto.

Antes, os pedintes e os mendigos haviam-nos desafiado a alma, como que pondo à prova a nossa solidariedade fraterna e cristã.

Temos pressa de chegar à Capela das Aparições e de nos prostrar aos pés da Virgem. A alegria de aí estarmos, é enorme.

Os peregrinos trazem no rosto a dor e o sofrimento que amalgamam com lágrimas de alegria pelo fim da caminhada e pelo encontro com Maria.

Nas filas, para o Lava-pés, aguardam pacientemente a sua vez. Rostos macerados, cabelos desgrenhados, alquebrados, são o sinal visível da dureza da caminhada. Cenas de grande sacrifício são-nos presentes: corpos rastejantes, joelhos doridos, um ramo de flores em mãos calejadas, são alguns dos presentes oferecidos à Senhora de Fátima.

Línguas de vinte e seis nacionalidades, ufanas da sua presença, entoam cânticos de louvor à Virgem.

A emoção estampada nos rostos bem expressivos é indisfarçável.

Os cânticos e orações, expressos de forma tão diferente, transportam-nos a paragens celestiais, onde, importante, não é a língua, mas sim, o sentimento de união e de comunhão de almas, e de querer louvar e agradecer à Virgem as graças concedidas e de pedir ajuda para as nossas necessidades.

No nosso espírito perpassam as pessoas queridas da família, os nossos mortos, os amigos, os doentes, que recomendamos à Senhora, com fervor.

Imprescindível é a visita à Capela do Santíssimo, onde Jesus presente na Hóstia consagrada está no meio de nós; apenas é preciso abrir bem os olhos da alma para O vermos, para Lhe falarmos, para com Ele podermos dialogar – diálogo de amigos – que gostam de conversar.

Após o Terço, segue-se a Procissão de Velas. Os sinos repicam, chamando para a oração. Um mar de luz, na noite escura, ilumina a totalidade do recinto.

As velas acesas, símbolo da nossa fé, são bem levantadas ao alto, querendo expressar a nossa presença, neste cortejo de acompanhamento e aclamação à Senhora de Fátima, toda iluminada e enfeitada de flores.

As chamas e o fumo negro das velas oferecidas à Virgem emprestam àquela parte do recinto, uma expressão fantástica: ali pomos a arder os nossos pecados, as nossas misérias, a nossa lama, de que é símbolo esse fumo, para serem purificados pelo fogo do amor de Deus; ali colocamos as nossas esperanças no alcançar das graças solicitadas; ali depositamos o nosso muito obrigado pelas graças obtidas; ali louvamos Maria queimando velas, cuja luz e calor se incorporam em nós, reacendendo a chama do nosso amor à Mãe do Céu.

Em qualquer recanto do Santuário se ouvem grupos, entoando cânticos e orações, estandartes levantados ao vento, prefigurando no nosso imaginário, a visão do ambiente celestial e místico do que será o Céu.

A missa pelos doentes, a bênção dos mesmos, o cortejo eucarístico, a romagem aos túmulos de Jacinta e Francisco cujos processos de beatificação se encontram ultimados, a leitura e entrega à Virgem dum fax de Timor, foram momentos altos desta peregrinação, para não falar do adeus à Virgem, sob um sol intenso, vendo-se nos rostos emocionados, suor e lágrimas.

Termino esta vivência de alma, com um apelo. Não deixem de ir a Fátima, num dia 13 de Maio.

Vale a pena sofrer algum desconforto, algum cansaço. A alegria do encontro com Maria, nossa Mãe e o poder partilhar dessa grande manifestação de fé, são experiências espiritualmente recompensadoras.

Vale a pena.

 

 

publicado por aosabordapena às 18:52

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