Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

19
Jul 99

(Fonte de Maria em Nazaré. Segundo a tradição

era aqui que a Mãe de Jesus vinha buscar água)

  

Na sociedade dualista em que vivemos e onde impera uma cultura individualista, a caridade impõe-se como meio eficaz de derrotar a angústia e a solidão.

Por tal motivo, o Santo Padre João Paulo II, propõe à Igreja a caridade como virtude a privilegiar neste ano de preparação para o Jubileu.

A prática da caridade cristã pode concretizar-se em várias vertentes.

O Evangelho evidencia claramente uma opção preferencial pelos pobres e marginalizados. Jesus durante a sua vida pública tem uma predilecção especial pelos cegos, pelos coxos, pelos leprosos, pelos surdos e anuncia a Boa Nova aos pobres (Mt 11, 5).

Esta preferência exige dos cristãos uma luta sem tréguas pela concretização da justiça, neste mundo onde imperam tantos conflitos e onde há imensas desigualdades sociais e económicas, e onde a defesa dos direitos humanos, tantas vezes espezinhados, deve constituir uma nova forma de evangelização.

Exige que os cristãos apoiem as famílias mais carenciadas e que intervenham activamente junto dos poderes públicos, para que lhes seja facultada habitação condigna e um rendimento mínimo que lhes possibilite o sustento.

Exige uma atenção particular às crianças, denunciando os que lhes infligem maus tratos, e os que as integram, precocemente, no mercado de trabalho e que, por isso, as privam do tempo para brincar e do direito de se instruírem e educarem.

Exige solicitude pelos idosos, vítimas da solidão e do abandono.

Exige luta pela promoção da mulher e defesa da sua dignidade, criando-lhe condições de trabalho compatíveis com a sua missão de esposa e de mãe.

Exige uma atenção especial aos irmãos e irmãs, caídos nas malhas da droga, da prostituição, aos infectados pelo vírus da sida e aos que se encontram privados da liberdade, a todos aqueles que procuram emprego e não o encontram e a todos aqueles que o perderam no caminho da desventura.

Perante estes desafios sociais, perante estes dramas feitos tragédias, os cristãos devem, não só preocupar-se com os problemas que conhecerem no seu prédio, mas também, empenhar-se na transformação das estruturas e das instituições, pois é urgente lutar pela eliminação das causas da pobreza e da injustiça.

A caridade impõe-nos também que amemos os nossos inimigos. “Eu digo-vos: amai os vossos inimigos, rezai por quem vos persegue; assim sereis filhos de vosso Pai que está nos Céus” (Mt 44, 45).

Procuremos pois, nesta caminhada para o fim do milénio, contribuir, na medida da nossa capacidade e poder de intervenção, para que as desigualdades sociais se minimizem e para a construção duma sociedade onde sobressaia uma cultura de solidariedade; procuremos promover o diálogo entre todos, para que as barreiras e os males entendidos desapareçam; procuremos dar a todos afecto e partilhar bens com os necessitados; procuremos dar voz aos desesperados do silêncio.

Afinal, como disse D. Hélder Câmara, “ ninguém é tão rico que não possa receber, nem tão pobre que não possa dar”.

 

 

publicado por aosabordapena às 14:06

02
Jul 99

 

A Sociedade de S. Vicente de Paulo é uma associação de leigos, oriundos dos meios sociais mais diversificados, que exercem as mais variadas profissões, jovens ou menos jovens, ricos, pobres ou remediados que sentem a preocupação de servir os pobres e desejam contribuir, de forma discreta, com a sua disponibilidade para melhorar as suas carências.

De harmonia com a respectiva regra, os vicentinos têm, entre outros, o seguinte dever: “Dar testemunho do espírito vicentino em todos os passos da sua vida”.

O espírito vicentino, outra coisa não é do que a prática da caridade para com todos, ajudando quem precisa, contribuindo, na medida das possibilidades, com bens materiais e não só, manifestando apoio a quem se sente só, tentar alegrar quem sofre e saber ouvir os seus desabafos.

É um olhar mais além, vendo em cada pessoa, o próprio Cristo.

O espírito vicentino é o espírito natalício redescoberto todos os dias, que nos faz participantes activos do serviço de Cristo, e que nos possibilita o acesso ao reino dos céus, conforme o refere o Evangelho: “… recebei em herança o reino”, pois “ a Mim mesmo o fizestes” (Mt 25, 35 e 40).

Pertencer à Sociedade de S. Vicente de Paulo é um plano de capitalização, um meio que o Senhor coloca à nossa disposição para evitarmos ser postos “ à sua esquerda” e nós, fingindo, tenhamos a ousadia de perguntar: “ Quando foi que Te vimos com fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente ou na prisão e não Te socorremos?” (Mt 26, 33,44).

Sejamos pois, previdentes e acautelemos a nossa salvação, praticando boas acções. A previdência ainda é uma grande virtude. Com ela se previnem e evitam grandes males.

Cristo recomenda-nos que o sejamos.

 

publicado por aosabordapena às 21:27

 

Pertencer à Sociedade de S. Vicente de Paulo é uma forma de exercer apostolado. Através da partilha de bens, da prática da caridade autêntica, o vicentino é o intérprete fiel da Palavra de Deus. “Vinde, benditos de meu Pai, recebei em herança o Reino que vos está preparado, desde a criação do mundo, porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber; era peregrino e recolhestes-me; estava nu e destes-me de vestir: adoeci e visitastes-me; estive na prisão e fostes ter comigo” (Mt 25, 34-36).

Tendo como alicerce esta preocupação pelos excluídos que o Apóstolo tão claramente evidencia, Frederico Ozanam e seus companheiros, inspirados pela graça do Espírito Santo, são chamados a participar “pessoal e directamente” no “serviço dos pobres” através do “contacto de homem para homem” e dentro duma organização de leigos comprometidos no mesmo espírito de serviço e missão.

O vicentino não distribui somente bens materiais mas deve ir mais longe; deve procurar o diálogo pessoal, sem paternalismo, e no respeito pelas pessoas, partilhar amizade e manifestar disponibilidade para ouvir.

Esta é a forma de ser e de estar do vicentino.

Se sentes angústia pelo sofrimento alheio; se no teu íntimo te revoltas, quando verificas situações de injustiça; se, sendo cristão vives uma fé sem chama e te sentes adormecido e inquieto, então, não hesites, vem e adere às Conferências da Paróquia. Aí encontrarás um grupo de amigos e amigas que comungam dos teus ideais.

Aí encontrarás uma forma activa de praticares a caridade, minorando o sofrimento dos mais necessitados. Farás bem aos outros e contribuirás decisivamente para a tua salvação.

Se porém tiveres dúvidas e te sentires indeciso, medita e interroga-te acerca das palavras do Apóstolo: “Aquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como estará nele o amor de Deus?” (I Jo 3, 17).

 

 

publicado por aosabordapena às 18:55

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