Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

18
Ago 99

 

 

O “Pai-nosso” foi para Jesus a oração de todos os momentos. O seu diálogo com o Pai é permanente.

Desde criança, tinha então doze anos, expressa, no seu sentido de responsabilidade e preocupação, “não sabeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” Lc 2, 49).

Nas horas de agonia e de dor, invoca o Pai: “Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice…” (Lc 23, 42).

As suas últimas palavras, antes de expirar, são para o Pai: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 2, 46).

Neste ano, também nós somos impelidos a orar, a entrar em diálogo com Deus, a exprimir o nosso amor filial seja qual for o nosso estado de espírito.

Neste fim de milénio, tempo de guerras e catástrofes, de crise e de dúvidas, de contrastes entre o imenso desenvolvimento da ciência e da técnica e a impotência do homem perante as doenças incuráveis, tempo propício aos falsos profetas, impõe-se, mais que nunca, recorrer à oração.

Esta angústia existencial provoca no homem uma ânsia de oração.

Apesar da agitação e do reboliço da vida de hoje, com tantas ocupações, reuniões, com tanta dispersão, torna-se urgente olhar Jesus que também rezou, que nos ensinou a rezar e que nos disse como fazê-lo.

Orar, no sentido de, atenta a nossa fraqueza, solicitar bênçãos e favores para o nosso dia a dia, mas, sobretudo, como prova de agradecimento, de louvor e adoração.

O homem, porque racional e criado à imagem de Deus, deve louvar com o coração, com a inteligência, com os lábios, com a vida, e em tudo o que fizer.

Fazer da existência uma “oferenda viva para louvor da Tua glória”, deve ser a preocupação de todo o cristão.

Quem não louva a Deus, que é absoluto e infinito, é tentado a louvar o que limitado, frágil, caduco, mundano, mesquinho; a louvar os ídolos que nos cegam e que nós próprios carregamos, como sendo, a auto-suficiência, o orgulho, a vaidade e a ostentação.

Aprendamos a adorar o Pai em todas as realidades circundantes.

Da beleza da natureza e das ondas e fúrias do mar à inocência das crianças; da grandeza dos montes e beleza dos vales à imensidão dos desertos; dos animais domésticos e selvagens aos pequenos insectos; das miríades de estrelas no céu, à noite espessa de Inverno; do nevoeiro impenetrável, à claridade radiosa de um dia primaveril.

Em tudo e por tudo, é ocasião de manifestar ao Pai, louvor, admiração, reverência filial, humildade e dizer ao Senhor: “Louvado sejas Senhor, pelo que és, pelas maravilhas do Teu amor, pela beleza de tudo o que criaste”.

 

publicado por aosabordapena às 15:44

12
Ago 99

 

     Crucifixo de Ozanam sempre presente no seu escritório
 
   Frederico Ozanam e os seus companheiros frequentavam a Conferência de História a qual decorria nas instalações dos Bonnes – Études, em Paris.
   Aberta a todas as tendências, fácil é imaginar o choque de opiniões, a discussão viva das ideias e pensamentos que estes jovens de 20 anos, calorosamente apresentavam.
Ozanam sobressaía com a sua inteligência e erudição, e o seu ascendente era naturalmente aceite, dada a modéstia que dele emanava.
   Depressa, porém, se deram conta que as discussões eram sobretudo de ordem política, campo que Ozanam e os seus amigos liminarmente rejeitaram, tendo enveredado pela formação de uma comissão que assumiu o encargo de aí apresentar temas e intervenções de carácter cristão, tendo, nomeadamente, chegado a propor que se realizassem reuniões onde só se tratasse de vida cristã e de caridade.
   Certo dia, um jovem aproveitou uma intervenção para se insurgir contra o Cristianismo, dizendo: “Outrora o Cristianismo fez prodígios, quem o contesta? Mas hoje o Cristianismo está morto. Na verdade, vós que vos gloriais de ser católicos, que fazeis? Onde estão as obras que mostrem a vossa fé e que nos levem a respeitá-la e admiti-la?”
Ozanam sentiu-se atingido em cheio. Os seus olhos já haviam visto situações de miséria: miséria do espírito, do coração, misérias do corpo.
   O desenvolvimento súbito das ciências e a deficiente organização social tinham deixado sequelas como o aumento da miséria e a proliferação de indigentes.
   Ampère, célebre matemático e físico francês, por quem Ozanam tinha grande apreço, comentava: “Se possuísse tudo o que o que se pode desejar no mundo para ser feliz, faltar-me-ia ainda tudo: a felicidade do outro”.
   Ozanam angustia-se com a situação e impulsionado pelo exemplo do pai e da mãe, reflecte sobre o repto que lhe havia sido lançado e decide-se. “É verdade, respondeu, falta-nos uma coisa: as obras de caridade. A bênção dos pobres e a bênção de Deus”.
 
 
 
publicado por aosabordapena às 15:51

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