Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

10
Mar 00

  

  Como professor de Literatura Estrangeira, na Sorbonne, Ozanam preparava-se para cada lição “com esforço religioso”.

   Quando subia à cátedra, “expunha a alma” e os jovens, magnetizados pela sua palavra, sentiam que ele “tinha o fogo sagrado”.

   Fruto do seu testemunho e da sua palavra inspiradora, Ozanam, evangeliza num meio que lhe é hostil, conseguindo conversões e adesão à sua causa.

   Dirá um jovem: “o que não puderam fazer muitos sermões, vós o fizestes num dia: fizestes-me cristão”.

   A convicção interior, a inteligência e a palavra terna, imbuída de melancolia e poesia, são factores decisivos que impulsionam os jovens a ser cada vez mais fortes e dedicados.

   Ozanam, apesar da precariedade da sua situação profissional, pois era professor suplente, não hesitou em afirmar o seu ideal de cristão católico, num meio universitário, onde o ensino era tradicionalmente neutro e até hostil.

   Certo dia, alguém afixou na porta da sua sala estas palavras, pretensamente espirituosas: “Reverendo P. Ozanam, Curso de Teologia”.

   Ozanam, na sua simplicidade, responde: “Não tenho a honra de ser teólogo, mas tenho a honra de ser cristão”.

   Luta denodadamente contra aqueles que atacavam os Jesuítas, a Igreja e o Papado. Apoia os convertidos, alvo de perseguições.

   Não hesita em associar o seu nome à luta dos católicos do seu tempo, pela liberdade de ensino e contra o monopólio da Universidade.

   Apesar destas corajosas tomadas de posição, Ozanam não deixou de, em 1844, assumir a titularidade do lugar de Professor.

   Diz um conhecido slogan “que a sorte protege os audazes”.

   No caso de Ozanam, poderemos contrapor com o provérbio “Deus ajuda quem trabalha, que é o capital que menos falha”.

   A sua convicção e adesão a Cristo, a perseverança, o testemunho de uma vida manifestada através da fé, perante tudo e todos, fazem de Frederico Ozanam um exemplo que os membros das Conferências Vicentinas especialmente, devem procurar seguir, muito se orgulhando por o terem como seu Fundador.

publicado por aosabordapena às 16:18

08
Mar 00

 

 

Apresenta-nos o livro do Génesis duas versões da criação do homem, que, parecendo divergir, assim não é na realidade, pois a segunda indo na sequência da primeira, dá um sentido único à obra criadora de Deus.

Deus criou o homem e deu-lhe o nome de Adão que, em hebraico, quer dizer “vermelho”, procedente da cor do barro de que fora feito.

Após a criação de Adão, concluindo que não era bom que o homem estivesse só, Deus criou-lhe uma companheira, a primeira mulher, semelhante a ele, a que chamou Eva, que quer dizer “mãe de todos os viventes”.

Com a criação da mulher fica a humanidade completa, posto que nem só Adão nem só Eva, cada um por si, forma a humanidade, mas sim Adão e Eva, no seu conjunto.

Depois, diz-nos o texto sagrado, o Senhor Deus encarregou-os de guardar e cultivar a terra que para eles criara.

Com tudo isto, o homem aparece como a cúpula de toda a criação, pois que fora feito à imagem e semelhança de Deus.

Deus dota-os com uma vida agradável, de abundância e felicidade.

Existia no paraíso uma árvore que Deus criara, conhecida pela “Árvore da Ciência do Bem e do Mal”.

Deus proibira-lhes que comessem do fruto dessa árvore, pois no dia em que o fizessem, morreriam.

Adão e Eva transgrediram o preceito do Senhor. Comeram do fruto dessa árvore. Pecaram.

Com o pecado de Adão e Eva, primeiros pais da humanidade, o pecado instalou-se no mundo. Toda a humanidade se tornou pecadora, ficando condenada ao sofrimento e à morte.

Mas Deus deixa antever um raio de esperança, anunciando a salvação. Uma mulher esmagaria a cabeça da serpente enganadora, e a sua descendência – a humanidade que se tornara pecadora, havia de terminar em glória.

É o anúncio do bem sobre o mal, da graça sobre o pecado, da vida sobre a morte – uma Nova Criação.

Deus criaria um Novo Adão e uma Nova Eva que, contrariando a acção pecaminosa dos nossos primeiros pais, haviam de salvar a humanidade decaída.

A Virgem Maria será a nova Eva, a Mulher Forte, que esmagará a cabeça da serpente tentadora e Cristo o novo Adão que há-de resgatar a humanidade pecadora.

 

 

 

publicado por aosabordapena às 18:07

01
Mar 00

 

 

Está a decorrer o tempo da Quaresma, período durante o qual a liturgia da Igreja faz apelo à conversão e ao arrependimento.

“Cingi-vos, sacerdotes, e chorai. Lamentai-vos, ministros do altar! Ordenai um jejum. O dia do Senhor está perto!” (Jl 1, 13-15)

Esta caminhada, iniciada com a imposição das cinzas, não deve ser efectuada, percorrendo a estrada larga e rectilínea que nos oferece a paisagem deslumbrante, mas sim, a vereda íngreme e sinuosa que nos rompe a sola dos sapatos e nos faz gotejar algum suor.

Neste peregrinar, devemos, para nos purificar, recorrer à oração. O cristão, como filho do Pai celeste, deve manifestar-lhe gratidão pelos benefícios recebidos.

Orar é estar em amor para com Deus. A oração dá vida à nossa fé, fazendo-a florescer. O tempo de oração é uma audiência divina, um diálogo a dois, que deve levar o cristão a ter como verdade, cada vez mais sólida e profunda a frase de S. Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).

Quando rezarmos, não o façamos para “sermos vistos pelos homens”. Devemos fazê-lo em segredo, pois Ele, que vê o oculto, recompensar-te-á” (Mt 6,6). Nosso Senhor censura a hipocrisia e a falsa devoção; recompensa a oração colectiva (Mt 18, 19-20); (Act 2, 42).

O segundo degrau que conduz à perfeição é a prática da esmola. “Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a direita, a fim de que a tua esmola permaneça em segredo; e teu pai que vê o oculto premiar-te-á” (Mt 6,3).

Jesus condena a vã ostentação e a vaidade. O Evangelho não condena o progresso nem o uso dos bens deste mundo. Condena, sim, a sua apropriação injusta que leva alguns a nadar na abundância, enquanto que outros estão enterrados na miséria. As riquezas devem estar ao serviço dos homens e estes ao serviço de Deus.

Nesta Quaresma, saibamos, pois, abdicar, generosamente e na medida das nossas possibilidades, de alguns dos bens que Deus nos emprestou, colocando-os ao serviço dos mais pobres.

O terceiro degrau é jejum, entendido este, não só como a abstenção ou redução de alimentos, feita por espírito de mortificação e em obediência aos preceitos da Igreja, como também, como a renúncia ou privação, por exemplo dos alimentos que mais prazer nos proporcionam, do café da tarde ou do cigarro da noite.

O cristão dentro da sua subjectividade saberá encontrar o melhor meio de se penitenciar.

O importante é que pratique as obras enunciadas, jejum, esmola e oração com recta intenção, não movido pela vaidade ou por outros fins menos dignos, mas somente por amor do Pai que está nos Céus.

 

 

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 17:11

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