Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

12
Abr 00

  

   O pensamento de Ozanam acerca do melhor procedimento, no desempenho da sua missão, como historiador cristão, assenta em duas premissas. Primeiro, que a convicção seja livre e inteligente, e o Cristianismo não deseja outra coisa. S. Paulo pede que esta adesão seja racional. Segundo, que o desejo de justificar uma crença não conduza à desfiguração dos factos ou à omissão dos testemunhos.

   Com base nestes pilares, trabalha intensamente e empenha-se em mostrar ao mundo a obra civilizada do Cristianismo.

   Remexe arquivos, carrega-se de notas, transcreve textos, anda de biblioteca em biblioteca, procurando documentos inéditos que investiga escrupulosamente.

   Durante uma viagem que fez à Itália, em 1847, Ozanam através das investigações que efectua, sobre o movimento religioso inaugurado por S. Francisco de Assis, sente reforçado o entusiasmo pela sua vida e obra.

   S. Francisco amava a Deus e aos pobres, e este era também o seu programa de vida. Este sonho franciscano vai encher a sua alma e o seu coração tão sensível.

   A par da sua vida familiar e das múltiplas actividades em que está envolvido e a que se entrega, com generosidade, nomeadamente, a de docente e de historiador cristão, Ozanam, ainda encontra tempo para, todos os domingos, se reunir com os operários, para lhes explicar o sentido do seu destino e a acção de Deus nas suas vidas.

   Entretanto, a Sociedade de S. Vicente de Paulo continua imparável, contando em 1845, com 9000 membros.

   Ozanam, embora tivesse recusado a sua presidência “era a sua alma, a alma pensante e irradiante”.

   Recomenda “que se evitasse o farisaísmo, a estima exclusiva de si mesmo, a imposição de exigências e de práticas, a filantropia verbal, a burocracia”.

   Como os seus conselhos continuam actuais! A sua vida de amor à verdade e ao trabalho, vida de fé e de amor aos mais desfavorecidos, é para os vicentinos, um exemplo a seguir, uma forma peculiar de ser cristão nos dias de hoje.

 
 
publicado por aosabordapena às 15:21

07
Abr 00

 

Desde que a humanidade existe, o homem, como ser livre, tem a seus pés, dois caminhos diferentes, pelos quais pode enveredar.

Estes dois caminhos paralelos foram, conforme narra a Sagrada Escritura do Antigo Testamento, percorridos por Caim e Abel.

Caim personifica a fraqueza humana, propensa ao pecado e incapaz de se dominar. Deixando-se imbuir pelo ressentimento, pela cólera e pela inveja, torna-se o primeiro assassino da história, ao matar o seu irmão mais novo, Abel, homem piedoso e temente a Deus.

Do relato bíblico ressalta a recomendação antecipada que o Senhor lhe faz, no sentido da prática do bem.

Apesar disso, Caim, enredado nas suas contradições, segue o caminho do mal.

Ontem, como hoje, a figura sinistra de Caim, paira tenebrosamente sobre a humanidade, pois os homens continuam a matar-se uns aos outros, e mostram-se impotentes para acabar com as guerras.

A insolência e a mentira continuam a pautar o comportamento humano. A ausência de diálogo com Deus dificulta as relações entre os homens.

Este Ano Jubilar é o tempo propício que Deus põe à nossa disposição, para reflectir, corrigir e arrepiar caminho.

Deus, ao não permitir que a “lei da vingança” fosse aplicada a Caim, mostra-nos, na sua infinita misericórdia, a face de um Pai clemente e compassivo, diante dos nossos pecados.

Não percamos tal oportunidade. O nosso contributo, no campo do amor e do perdão, por mais modesto que seja, é decisivo para que a humanidade trilhe caminhos de bem e de felicidade.

 

 

publicado por aosabordapena às 14:26

01
Abr 00

 

 

É este mês de Abril, pleno de intensa espiritualidade. Aproximando-se a celebração da vitória do Príncipe da Vida, a liturgia reflecte o que Jesus fez há dois mil anos, com os seus discípulos.

Procurou prepará-los para o grande final, informando-os de que “o Filho do Homem tem de ser levantado, a fim de que todo aquele que n`Ele crer tenha a vida”.

Explicou-lhes “que Deus não enviou o Seu Filho ao mundo para o condenar, mas para que o mundo seja salvo por Ele”. (Jo 3, 14-17)

Esta promessa de salvação teve o seu epílogo e concretização quando Jesus, fazendo a vontade do Pai, livremente “levou até ao extremo o seu amor” por aqueles que, naquele tempo concreto, eram seus contemporâneos e por todos aqueles, que ao longo dos tempos, haviam de vir a este mundo mercê da Sua divina vontade, maculados pelo pecado original.

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos”. (Jo 15, 13) Jesus, entregando-se desta forma radical em que se inclui a aceitação da própria morte, fê-lo por amor.

Amor intenso a Deus-Pai: “Pai nas Tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46). Amor pelos homens, por todos os homens. Cristo sofre a paixão e a cruz por causa dos pecados de toda a humanidade.

Esta entrega generosa é o testemunho máximo de amor e a semente fecundadora de tantos mártires que ao longo da história da Igreja não hesitaram em imitar Jesus e de tantos outros que ofereceram a sua vida à causa dos mais desprotegidos e aí encontraram a realização plena, e a comunhão quotidiana com Cristo sofredor.

Porém, não foi em vão que Cristo sofreu, que Cristo morreu. A sua ressurreição gloriosa é o epicentro da nossa fé. A razão de sermos cristãos.

O sepulcro vazio é a vitória de Cristo sobre a morte, a alegria de uns, a incredulidade de outros, o reconhecimento da divindade de Jesus por outros tantos.

Como Cristo Ressuscitado, também nós ressuscitaremos um dia. Para que tal aconteça, importa não esquecer as palavras do Apóstolo: “Permanecei firmes, inabaláveis, aplicando-vos cada vez mais à obra do Senhor, tendo sempre presente que o vosso trabalho no Senhor não é em vão”. (1 Cor 58)

Como é reconfortante esta certeza. Em Cristo Ressuscitado está a nossa alegria, a nossa recompensa. Ele enxugará as lágrimas dos nossos olhos; não haverá mais morte, nem pranto, nem gritos, nem dor”. “Venho em breve e trarei comigo a recompensa: darei a cada um segundo as suas obras”. (Ap 21, 4) (Ap 22, 13)

Que esta Páscoa o seja de facto. Páscoa da Ressurreição, de passagem duma vida de pecado para uma vida em graça. Uma vida com sentido, feliz e solidária, rumo à Pátria Celeste.

 

publicado por aosabordapena às 17:16

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