Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

08
Jun 00

 

 

Os dias 12 e 13 de Maio do ano 2000 ficarão na história da Igreja e do País, como marcos indeléveis e irrepetíveis.

A vinda, pela terceira vez, de Sua Santidade, o Papa João Paulo II, a Portugal, a beatificação dos dois irmãos, Francisco e Jacinta Marto, e a revelação da terceira parte do segredo de Fátima, foram pontos altos da 83ª Peregrinação comemorativa das Aparições, na Cova da Iria.

Os 650.000 peregrinos, representantes de 21 países, que foram testemunhas de gestos e sinais sem precedentes, protagonizados por João Paulo II, não olvidarão, tão depressa, esta jornada memorável de afirmação de fé e de alegria.

Um frémito caloroso de emotividade percorreu a imensa multidão concentrada no Santuário, quando o Papa apareceu na Cruz Alta.

Os cânticos, o desfraldar das bandeiras, os braços acenando, a satisfação estampada nos rostos, os vivas e saudações, transformaram a realidade temporal envolvendo num ambiente de euforia a que o Papa correspondia, acenando com ternura.

O seu semblante sereno, o seu sorriso e o seu olhar paternais calaram fundo no coração de todos.

A sua imagem física, denotando, simultaneamente, sofrimento, coragem e vontade de querer estar, ficará, indelevelmente, na retina de todos os que a puderam visualizar.

Chegado à Capelinha das Aparições, onde, como peregrino, vem agradecer à Virgem o dom da vida, são solicitados uns minutos de silêncio e feito um convite para acompanhar o Papa na sua oração. Um calafrio percorreu o recinto. O silêncio era total. O coração de todos, as preces no silêncio das almas, unem-se ao Papa, durante seis preciosos minutos, após o que, ele próprio convida para rezar em conjunto uma Avé Maria.

De joelhos em terra, é o primeiro sinal de comunhão que a todos une e toca profundamente e que, por certo, muito terá sensibilizado a Senhora de Fátima.

Segue-se outro gesto de profundo significado. João Paulo II levanta-se e caminhando com esforço, deposita junto à Virgem um anel que lhe havia sido oferecido, aquando da sua sagração papal.

É a entrega total do seu pontificado, o tudo da sua vida, ali doado à Virgem.

Terminado o primeiro dia, João Paulo II recolhe à Casa de Nossa Senhora do Carmo, onde pernoita e recupera forças para o dia seguinte.

Os peregrinos, após as cerimónias, permanecem no Santuário, defendendo o metro quadrado onde se situam e que lhes iria proporcionar o melhor local para assistir à proclamação solene da Beatificação dos Pastorinhos, a qual ocorreu, eram exactamente 9 horas e 54 minutos.

Grande ovação ecoou nos céus de Fátima. Francisco e Jacinta são declarados Beatos e a sua festa é fixada no dia 20 de Fevereiro. A Igreja ficou mais enriquecida e a irmã Lúcia sorriu docemente.

Na homilia da celebração eucarística, o Sumo Pontífice realçou a importância da educação das crianças, e realçou o comportamento de Francisco e Jacinta, que apontou aos milhares de crianças de diferentes regiões do País ali presentes, como exemplos, e recordou os males e as muitas vítimas do último século do segundo milénio.

Terminada a Eucaristia, aconteceu um duplo adeus: adeus à Virgem, mais uma vez repetido na Cova da Iria, mas, que, nem por isso, deixa de constituir um dos seus sinais mais expressivos e sempre comovente, com centenas de milhares de lenços brancos acenando à Senhora de Fátima, num gesto de súplica e gratidão. O outro adeus, foi ao Papa, que ouviu os peregrinos cantar-lhe os “parabéns a você” antecipados, do seu 80º aniversário natalício.

Visivelmente feliz, o Santo Padre corresponde, abençoando.

É a hora da despedida. A multidão começa a movimentar-se e o recinto, paulatinamente, esvazia-se, sob o olhar atento das duas crianças recém beatificadas.

 

 

 

 


 

 

Realizou-se nos dias 15 e 16 de Abril de 2000, a peregrinação nacional da Sociedade de S. Vicente de Paulo, a Fátima.

Se a chuva e o frio intensos arrefeceram os corpos dos cerca de 5.000 vicentinos, o ânimo e a vontade de querer estar presentes e de participar activamente neste evento, nunca esmoreceu.

O desejo de estar junto da Senhora de Fátima, desde cedo, concentrou, junto da Capelinha das Aparições, grande número de vicentinos que aguardavam a chegada do desfile, iniciado na Cruz Alta.

A saudação à Virgem, feita em coro, separadamente, pelos representantes de todos os distritos, dizendo “Avé Maria”, feita com emoção, e a proximidade com Maria, pareceu como se fosse quase fisicamente real.

A renovação do compromisso vicentino feito a seus pés adquiriu maior relevância. O seu exemplo de fidelidade a Deus, é para os vicentinos, o modelo perfeito, a força que ajuda a honrar o compromisso de servir a Cristo, na pessoa do pobre.

Seguiu-se a Assembleia Vicentina, no Auditório Apostólico Paulo VI, que se encontrava literalmente cheio. A atenção de todos era patente e o programa, bem delineado, proporcionou, ao longo da tarde, não só momentos de boa disposição, como também de meditação e enriquecimento espiritual.

O tema desenvolvido «Deus fez-se homem em Maria», perfeitamente integrado neste Ano Jubilar, levou o nosso pensamento a peregrinar por várias dimensões. O simbolismo, de «estarmos a caminho» acompanhando Jesus Cristo, é de extrema importância.

O convite e o desafio lançados, de forma cativante, pelo Conselheiro Espiritual fez-nos percorrer as etapas da vida de Jesus Peregrino que veio do seio do Pai ao seio da Virgem (ao seio da nossa terra)», que se fez homem, em tudo semelhante a nós, excepto no pecado, que viveu no meio de nós, experimentando todos os sentimentos e necessidades sentidas pelos homens do seu tempo e de todos os tempos.

Esse Jesus que nunca perde o rumo da sua missão, que se contenta com pouco, quando podia ter tudo, que partilha caminhadas, alegrias, tristezas e angústias, o pão e a palavra com todos os homens, seus irmãos, é o farol que deve orientar os vicentinos, na sua acção diária.

Fomos ainda interpelados, quanto às atitudes do vicentino perante o meio em que se movimenta para não perder «o sentido de itinerância», a atitude peregrina, rumo à Pátria Celeste: respeitar o direito à diferença, escutar e entender Deus nos acontecimentos e nas pessoas cuja história se cruza com a nossa; vencer a indiferença e estar de olhos abertos aos problemas sociais, contribuindo, de alguma forma, para transformar o mundo «por Deus e para Deus».

Jesus deve ser para o vicentino uma constante interpelação, uma Vida a seguir e não uma simples teoria ou ideologia a apreciar.

O vicentino deve, pela sua vida e testemunho, ser capaz de atrair os outros, especialmente os pobres entre os mais pobres, que, no mundo de hoje são os ateus, aqueles que ostensivamente, passam ao lado, indiferentes…

Estas, foram algumas das muitas ideias e reflexões que nos foram propostas e que desejo recordar convosco.

A jornada dos vicentinos terminou da melhor forma. Ostentando ramos de palmas e de oliveiras, aclamou-se na Eucaristia de Ramos, Jesus triunfante, ao som de cânticos e hossanas.

Entretanto a chuva continuava a cair.

As chamas e o fumo ondulante das velas oferecidas à Virgem emprestavam ao recinto uma forte expressão de espiritualidade; ali são postos a arder os nossos pecados, as nossas misérias, a nossa lama, de que é símbolo o fumo negro das velas, para serem purificados pelo fogo do amor de Deus.

É hora de regressar.

Valeu a pena sofrer algum desconforto, algum cansaço. O poder partilhar com tantos vicentinos esta manifestação de fé, foi uma experiência espiritualmente recompensadora, e é um incentivo para continuar a ser, embora modestamente, «sinal de fraternidade para este mundo e motor duma ordem social mais justa, vendo em todo o homem, um irmão e a imagem de Jesus humanado».

 

publicado por aosabordapena às 18:58

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