Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

29
Jul 00

       Frederico Ozanam não se limitava a visitar os pobres. Procurava indagar e compreender as causas profundas da sua indigência, causas nem sempre devidas à pouca sorte, às desgraças, à preguiça.

    O confronto entre o poder dos detentores do ouro e a carência dos marginalizados, traduzido em raiva e desespero, era feroz.

   Ozanam sonhava com um outro entendimento entre a indústria e a caridade.

     Da sua cátedra em Lyon, defende a humanização do trabalho, reclama a constituição de associações de trabalhadores, a atribuição dum salário que pudesse satisfazer as necessidades básicas da família e assegurar a educação dos filhos, direitos pelo quais se batia, de alma e coração.

    Procura que o operário seja tratado, não como uma máquina ou um escravo, mas sim como homem, colaborador do seu patrão.

    Luta contra a prestação de trabalho ao Domingo, já que tal contribuía para o não cumprimento dos deveres religiosos e dificultava as relações familiares.

   Advoga que, para melhor compreender os problemas sociais e proceder às reformas indispensáveis, interessa, não tanto o saber livresco, a teorização demagógica, mas sim «subir os degraus da casa do pobre, sentar-se à sua cabeceira, sofrer o mesmo frio que ele, entrar no segredo do seu coração desolado e da sua consciência destruída».

   Ontem, como hoje, o combate à pobreza, à exclusão social, à marginalização, deve ser um combate prioritário, em que o poder público se deve empenhar com seriedade, implementando políticas realistas e concretas, visando a sua eliminação.

  Tal não desobriga, obviamente, a sociedade civil, através das mais diversas formas, de se associar a este combate, que é de todos.

    Para isso, os vicentinos, empenhados que estão nesta luta, por um compromisso pessoal e voluntário, se esforçam, cada vez mais por alargar a sua obra, ajudando os que precisam, aliviando os que sofrem, em espírito de justiça e de caridade.

 

 

publicado por aosabordapena às 16:04

07
Jul 00

 

 

Moisés, figura proeminente do Antigo Testamento, era um homem tímido que preferia a obscuridade.

Incumbido da missão de salvar os filhos de Israel da tirania egípcia, Moisés evocou a sua insuficiência e insignificância perante tamanho desígnio, procurando assim resistir à ordem divina.

Deus, porém, transformou este homem temeroso, de “boca e língua embaraçadas” no grande líder espiritual do seu povo, a quem entregou, no Monte Sinai, a lei que guiou Israel, através dos séculos.

Este episódio bíblico leva-nos a reflectir acerca da disponibilidade que manifestamos, quando Deus nos chama para o seu serviço e do próximo.

Cristo é o grande “chamado”. “Ele é a imagem do Deus invisível. O primogénito de toda a criação, porque n`Ele foram criadas todas as coisas” (Col 1, 15-16).

Também nós somos chamados por Deus a procurar o “lugar” onde melhor possamos viver a nossa fé cristã.

Este chamamento, esta vocação em Cristo, procede da liberdade soberana de Deus. “E aos que chamou, a esses justificou; e àqueles que justificou também os glorificou” (Rom 8, 30).

Cada cristão tem a responsabilidade de pôr ao serviço do outro homem, seu irmão, e da humanidade, todos os talentos que recebeu (Mt 25, 14).

Temos, contudo, funções diferentes a desempenhar, consoante os dons que o Senhor, gratuitamente, nos concedeu.

Por isso, “se hoje ouvirmos a voz do Senhor, não fechemos os nossos corações”, nem inventemos desculpas e afazeres para nos “subtrairmos” às solicitações que nos forem feitas.

Instalados no conforto dos nossos lares, não procuremos fechar os olhos, os ouvidos e o coração à dor e aos problemas dos outros.

Não façamos de conta que tal não é da nossa responsabilidade, nem resistamos ao apelo interior de dar o primeiro passo.

Quantas vezes, por cobardia, respeito humano, desleixo e incoerência, não damos o testemunho que devíamos e comportamo-nos como Simão Pedro, negando conhecer esse Homem a Quem antes havíamos jurado “mesmo que tenha de morrer Contigo não Te negarei”.

Como é fraca e volúvel a natureza humana! Contudo, apesar da nossa fraqueza Deus -Misericórdia, está sempre pronto a perdoar, assim o queiramos. Com MARIA, o exemplo da disponibilidade total, aprendamos a servir o homem concreto e real na pessoa dos mais necessitados.

Aprendamos a partilhar os dons que Deus, generosamente nos concedeu, os bens com que nos cumulou e o tempo que gratuitamente nos concede dia a dia.

 

publicado por aosabordapena às 15:03

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