Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

10
Set 00

 

  Túmulo de Ozanam com o fresco do Bom Samaritano

 

          Frederico Ozanam encontrava-se gravemente doente. Os médicos mandam-no então, para uma estância de repouso, junto dos Pirinéus. Os ares da montanha e a beleza do local casavam plenamente com a sua maneira de ser tão sensível e amante da poesia.
   Contudo Ozanam não se sentia feliz. A inacção preocupava-o, tendo afirmado que: “… chego ao fim    do dia, sem ter feito nada; esta ociosidade pesa-me como um remorso e parece-me que não mereço o pão que como, nem a cama em que me deito”.
   Considerando que a estadia lhe havia proporcionado algumas melhoras, é autorizado a visitar Espanha, não tendo, porém passado de Burgos.O sonho de peregrinar até Santiago de Compostela não pôde ser realizado.
    Ozanam deslocou-se depois a Itália, mais precisamente a Pisa, onde tem oportunidade de admirar os seus maravilhosos monumentos. Aí passa o Inverno, e tem oportunidade, embora proibido, de ler e de escrever, sendo seu refúgio preferido a biblioteca de Pisa.
   Correndo alguns boatos desfavoráveis à Sociedade de S. Vicente de Paulo, apressa-se a esclarecer a Grã-Duquesa de Pisa que a Sociedade “nunca investigava sobre as opiniões políticas dos seus membros; bastava-lhes serem honestos e cristãos”.
   A 23 de Abril de 1853, aniversário dos seus 40 anos, Ozanam, conformado com a sua situação, disponibiliza-se, com dócil humildade. “Se me chamais, Senhor; não tenho o direito de me queixar, vou”.
  O resto das suas forças e dos dias gasta-os Ozanam a visitar as Conferências que pode, cumprindo o que chamava “as suas visitas pastorais”.
  A saúde de Ozanam continua a degradar-se, progressivamente. Sente-se cansado. Pressente que tem pouco tempo para viver.
  A 15 de Agosto mostrou vontade de comungar. Pormenor comovente: recebeu Cristo das mãos dum padre que, também gravemente enfermo, se fizera transportar à Igreja, quando soube, antes da missa, que Ozanam iria comungar, e este padre dava-lhe a Hóstia pela última vez.
  Ozanam passou a ocupar-se somente das coisas do céu.
 “Se alguma coisa me consola, confidencia à esposa, ao deixar este mundo, sem ter acabado o que desejei e empreendi, é que nunca trabalhei pelo louvor dos homens, mas unicamente para servir a verdade”.
 À notícia do seu regresso a França é carinhosamente saudado pelos amigos italianos e confrades da Sociedade que dele se vão despedir.
 Chegado a Marselha, estava tão fraco que só a família o velava. A 8 de Setembro de 1853, na noite da Natividade da Santíssima Virgem, estavam junto dele a esposa, seus irmãos e alguns parentes.
 Num quarto, ao lado, os confrades da Sociedade de S. Vicente de Paulo rezavam em silêncio. De repente, ecoou a sua voz, estranhamente forte: “Meu Deus, tende piedade de mim”.
 Depois foi o silêncio. Uma hora mais tarde, Ozanam morria.
 
 

 

publicado por aosabordapena às 17:27

05
Set 00

(Cesareia de Filipe. Provavelmente, neste local

Pedro fez a sua profissão de fé)

 

Acompanhado pelos discípulos, dirigia-se Jesus para as aldeias de Cesareia de Filipe, local paradisíaco e uma das nascentes do rio Jordão.

Nesse lugar tranquilo, depois de ter feito oração, perguntou aos discípulos: “E vós quem dizeis que Eu sou?”

Respondeu-lhe Simão Pedro: “Tu és o Cristo, o filho de Deus vivo”.

Com esta declaração solene, reconhecem os discípulos pela boca de Pedro, não só a divindade de Jesus, como também que é o Messias prometido, aquele “cujo reinado não terá fim”.

Ao lermos esta passagem do Evangelho de S. Mateus, deixemos que o nosso pensamento percorra os caminhos pedregosos da Judeia e imaginemo-nos integrados na comitiva de Jesus, escutando atentamente as suas palavras.

Interpelados directamente pelo Senhor, qual seria a nossa resposta à pergunta formulada?

Por certo, não teríamos saber nem coragem para responder, nem a resposta seria pronta e categórica como a de Pedro, que falou por inspiração do “Pai que está nos Céus”.

Mesmo assim, não deixemos de, interiormente, nos interrogarmos acerca do desafio lançado e tentarmos, no íntimo do nosso coração uma resposta acertada, reconhecendo, talvez por outras palavras, que Jesus é o “Filho de Deus vivo” que veio ao mundo para nos salvar.

Decorridos 2000 anos, será que a nossa resposta coincidiria com a resposta acertada de Pedro?

Neste mundo ensurdecedor em que vivemos e que desvia a nossa atenção para o consumismo e a materialidade; mundo no qual impera a violência; mundo de desigualdades, onde a uns poucos nada falta, enquanto outros são dizimados pela fome e pelas doenças, é fácil esquecermo-nos de quem é esse Jesus que veio salvar todos os homens e que tinha uma predilecção especial pelos humildes e mais fracos.

Por isso, a pergunta de Jesus aos discípulos, ainda hoje ecoa aos nossos ouvidos, inquietando-nos, dada a sua oportuna e constante actualidade.

Importa, pois, fazer silêncio no nosso coração, para que cada dia que passa, possamos reafirmar a profissão de fé de Pedro e por nós assumida; “Tu és o Cristo, o filho de Deus vivo”, o Bom Pastor, o Pai misericordioso, sempre pronto a acolher os seus filhos pródigos.

Se assim procedermos, por certo que a nossa vida ganhará sentido; a sensação de frustração e de vacuidade dará lugar à alegria de viver, já que uma fé viva, ainda que pequena “como um grão de mostarda” consegue maravilhas, pois, além de exprimir confiança no poder e vontade de Deus a nosso respeito, será como que uma mola impulsionadora que nos ajudará a vencer os obstáculos que, no dia a dia, se nos deparam.

 

publicado por aosabordapena às 16:13

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