Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

07
Out 00

 

 

 

Relata-nos o apóstolo S. Mateus (20, 20-28) o episódio protagonizado pela mãe de Tiago e de João que, pensando que Jesus estabeleceria o seu reinado temporal em Jerusalém, intercede por eles, no sentido de que «se sentem um à Tua direita e outro à Tua esquerda».

Se, humanamente, podemos entender a preocupação dessa mãe pelo bem – estar material de seus filhos, tal atitude, revela a sua dificuldade em compreender a natureza do reino messiânico pregado por Jesus.

Esta atitude incomoda os restantes discípulos.

Jesus, ao subir a Jerusalém, anuncia-lhes a sua paixão. Contudo, continuam a alimentar a ideia de um reino messiânico político e triunfante, que haveria de destronar os romanos, e, incapazes de entender as palavras de Jesus, ficam indignados com os dois irmãos, pela ousadia do pedido de sua mãe.

Podemos imaginar a tristeza de Jesus ao verificar que os seus discípulos ainda não o tinham compreendido e que havia entre eles sentimentos de inveja e rivalidade, pois os seus corações continuavam direccionados na perspectiva do temporal.

Também eles necessitavam que Jesus lhes abrisse os olhos, como o fez ao cego de Jericó.

Então, chamando-os, disse-lhes: «…quem quiser fazer-se grande, entre vós, seja vosso servo, e quem quiser ser o primeiro, no meio de vós, seja vosso escravo. Do mesmo modo, o filho do homem não veio para ser servido, mas para servir…»

Esta passagem do Evangelho, leva-nos a reflectir acerca do sentido da nossa vida e das atitudes comportamentais que, no dia a dia, tomamos.

Quantas vezes somos incapazes de ver para além da materialidade, pois os nossos olhos estão obcecados pela miragem do ter e do poder temporais.

Indiferentes e obstinados, gastamos as nossas energias a acumular bens materiais e esquecemo-nos de providenciar sobre os bens espirituais.

Orgulhosos, julgamo-nos imortais, ignorando a transitoriedade da vida terrena. Procedemos como se não tivéssemos de prestar contas, não só pelo mal praticado, como também, pelas omissões e pelo bem que podíamos ter feito e não fizemos.

Quantas vezes ousamos negociar com Deus nas nossas preces, implorando o acessório, em detrimento do essencial e do que é perene!

Este episódio do Evangelho leva a que também nos interroguemos acerca da formação e educação que damos aos nossos filhos.

Será que, a exemplo da mãe daqueles dois discípulos, procuramos apenas que possuam todo o conforto e bens materiais, e negligenciamos a sua formação humana e cristã onde pontifiquem sentimentos como a generosidade, a amizade, a solidariedade, o respeito e a aceitação dos outros, e em tudo isto, o amor a Deus?

Será que descuramos a sua educação espiritual e cristã, vertente essencial para fazer deles homens autênticos que se preocupem, na justa medida, não só com as coisas terrenas, como é compreensível, mas sobretudo com as coisas divinas?

Este ano jubilar é a altura propícia que Deus coloca à nossa disposição para corrigir o posicionamento da nossa bússola. Não percamos o norte que o Senhor nos aponta.

Recordemos que Cristo, sendo Senhor, se fez servo, para curar o orgulho dos homens; sendo rico, fez-se pobre pelos homens, afim de os enriquecer pelo exemplo de pobreza; sendo Mestre e Senhor, não hesitou em lavar os pés aos Seus discípulos, para que estes, a seu exemplo, o fizessem uns aos outros.

A humildade e a prática da caridade são condições indispensáveis para compreender e alcançar o Reino de Deus.

Jesus, manso e humilde de coração, é o farol que nos deve iluminar, nesta sociedade que nos acena com quimeras e paraísos, a preço de saldo.

Nunca O percamos de vista.

publicado por aosabordapena às 14:49

03
Out 00

 

 

 

É S. Vicente de Paulo o patrono da nossa Sociedade. Frederico Ozanam e seus companheiros não podiam ter escolhido modelo mais apropriado. Em toda a sua vida, procurou amar a Deus nos pobres, no seu dizer «nossos irmãos, nossos amos».

Mas quem foi este homem, cujo pensamento espiritual e obra reflectiram e aprofundaram as relações entre a pobreza e a caridade?

S. Vicente de Paulo nasceu em França, numa aldeia chamada Pouy, no ano de 1581, e a sua vida foi repleta de graças e bênções do Senhor. Seus pais eram lavradores pobres, mas bons cristãos.

Era preciso trabalhar muito para dar de comer aos filhos que Deus lhes havia dado. Desde pequeno, Vicente dedicou-se a guardar um pequeno rebanho de ovelhas e, mais tarde, de porcos. A sua grande inclinação ia porém para os livros. As intermináveis horas de pastoreio, passava-as a ler e a escrever.

Alguém, um dia, descobre este jovem, dotado de imensas qualidades e de invulgar inteligência e paga-lhe os estudos superiores.

A sua bondade atraía a si quantos o rodeavam. Não podia ver ninguém a sofrer. Se via alguém mais pobre do que ele, pegava em tudo o que levava e, sem chamar a atenção, como se fosse a coisa mais natural do mundo, entregava-o a quem precisava.

O pai tinha uma saca de farinha no celeiro. Quando algum pobre lhe batia à porta, Vicente de Paulo abria-lha logo e dava-lhe um pouco de farinha.

Um dia, o pai, carinhosamente, disse-lhe: «Meu filho, se continuas assim, levas-nos à ruína». E com um forte abraço estreitou-o ao coração.

Apesar da bondade do seu coração, Vicente de Paulo não nasceu santo, mas fez-se, combatendo as suas más inclinações.

Contam os seus biógrafos que certa ocasião vendeu, como se fosse seu, um cavalo alugado, e com o dinheiro conseguido, fugiu de casa, por algum tempo. Noutra ocasião, enganou os superiores do Seminário acerca da sua idade, sabendo que não podia ser ordenado sacerdote aos 19 anos.

Estes factos podem e devem servir de reflexão a todos os cristãos. Reconhecidos os erros e implorada a graça de Deus que não falta a quem a pede, com humildade e confiança, o nosso Deus, Deus de misericórdia e de perdão, está sempre disposto a perdoar e a ajudar-nos, como fez ao jovem Vicente.

Contudo, o gesto de dar e de se condoer dos pobres, viria a ser no futuro «a razão da sua existência».

publicado por aosabordapena às 15:16

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