Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

07
Fev 01

 

 

Celebra-se a 11 de Fevereiro, o Dia Mundial do Doente. A doença e o sofrimento fazem parte da nossa condição humana.

Após a desobediência de Adão e Eva à ordem de Deus, acerca da não utilização “do fruto proibido da árvore da ciência do bem e do mal”, consumou-se a ruptura com esse Deus, tão solícito e generoso com o homem. “Comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra donde foste tirado; porque tu és pó e em pó te hás-de tornar”, sentenciou o Senhor.

Dirigindo-se também a Eva, disse: “Aumentarei os sofrimentos da tua gravidez, os teus filhos hão-de nascer entre dores”.

A Humanidade é assim condenada à dor, ao sofrimento, à morte.

Por isso, mais tarde ou mais cedo, também nós provaremos desse cálice amargo que a vida, por certo, não se esquecerá de nos oferecer.

Importa, pois, reflectir sobre a doença e o sofrimento físico ou psicológico, inerentes à natureza humana, e mudar, caso seja necessário, a perspectiva através da qual a encaramos.

A doença, ao contrário de fatalidade, azar, pouca sorte, deve ser entendida e aceite como um cadinho que Deus põe à nossa disposição para nos dar a possibilidade de purificar as nossas faltas.

É um obstáculo que Deus coloca no nosso peregrinar. Saber ultrapassá-lo, transformando-o em fonte de Redenção, é um desafio que se coloca a todos os homens.

Conviver com a dor cristãmente, não é só procurar uma resposta para ela. É encará-la resignadamente, percorrer o caminho penoso que a mesma traça, com coragem e determinação, como meio de salvação que é.

Através da sua oblação, como sacrifício a Deus, por meio de Jesus Sofredor, tornamo-nos, na condição simultânea de sacerdote e oferenda, agradáveis aos olhos de Deus, participantes activos e parte integrante do plano de salvação de Jesus, que padeceu e morreu, por causa dos nossos pecados, para nos salvar.

Que todos aqueles que sofrem, encontrem um lenitivo para as suas dores, tomando, também, como exemplo Maria, a Mãe Dolorosa, que sofreu com resignação, as injúrias e o desprezo a que o seu divino Filho foi votado; que acompanhou, amargurada, os maus-tratos que lhe infligiram; que recebeu, com angústia, a notícia da sua condenação à morte; que assistiu lacrimante, ao seu último suspiro na Cruz.

Que as suas lágrimas de Mãe sarem as feridas e mitiguem as dores de todos os seus filhos que, nesta hora, sofrem, unidos a Cristo Redentor.

 

 

publicado por aosabordapena às 14:33

02
Fev 01

 

 

Foi na tarde de sábado, 23 de Dezembro do ano 2000. Cumprindo a tradição, as Conferências de S. Vicente de Paulo da paróquia de S. João Baptista da Sé, promoveram a entrega de géneros alimentícios a 14 famílias carenciadas, visando assim contribuir para a melhoria da sua Ceia de Natal.

Apesar do frio e da chuva, os olhares humedecidos daqueles que visitámos, transmitiram-nos uma lufada de calor humano. A angústia e a solidão foram momentaneamente derrotadas. A esperança renasceu no coração dessas pessoas.

Estes momentos de contacto humano são para nós, membros das Conferências, o bálsamo que conforta a alma, o prémio espiritual que Deus nos proporciona e nos impele a prosseguir nesta caminhada de entrega ao serviço dos pobres. Para eles, desesperados do silêncio, cuja voz clamante nem sempre é ouvida ou pressentida por aqueles que têm obrigações institucionais de combater a pobreza e a exclusão social, significa que, apesar de tudo, há sempre alguém que os não esquece.

Como é reconfortante sentir a alegria estampada nesses rostos vincados pela marca do tempo.

“Até bacalhau nos trazem!”, balbucia um homem relativamente novo, de sobretudo coçado, cujas barbas e cabelos hirsutos transfiguraram num homem alquebrado e mais velho.

Sim, respondem-lhe. É pouco, mas trazemo-lo em nome das Conferências de S. Vivente de Paulo, com muito amor e com votos de que este Natal seja melhor do que o do ano transacto.

Segurando a sua mão trémula, despedimo-nos, com afecto.

As estrelas já cintilavam nos céus, tentando dissipar o nevoeiro. O espírito natalício, envolto numa suave alegria, invadiu as nossas almas. “Dar aos pobres é emprestar a Deus”.

Contudo este gesto de partilha, finalidade última da existência das Conferências, só é possível, graças à generosidade dos seus amigos e benfeitores, a quem desejamos as maiores venturas pessoais, em Cristo, nosso Salvador.

 

publicado por aosabordapena às 20:44

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