Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

29
Dez 02

 

 

Celebra a Santa Igreja no dia 28 de Dezembro, a festa dos Santos Inocentes, meninos de dois anos para baixo que Herodes, na sua fúria assassina, mandou matar em Belém e arredores.

“Foi assim que se cumpriu o que o profeta Isaías tinha dito:

 

Em Ramá se ouviu um grito:

Choro amargo, imensa dor.

É Raquel a chorar os seus filhos;

E não quer ser consolada,

Porque eles já não existem”. (Mt 2, 17)

 

Reportando-se ao massacre então perpetrado, Miguel Torga, deixou esvoaçar as asas da imaginação e de forma peculiar e sugestiva, legou-nos o seguinte poema a que chamou “História Antiga”:

 

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.

Feio bicho, de resto:

Um cara de burro sem cabresto

E duas grandes tranças.

A gente olhava, reparava, e via

Que naquela figura não havia

Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.

Porque um dia,

O malvado,

Só por ter o poder de quem é rei,

Por não ter coração,

Sem mais nem menos,

Mandou matar quantos eram pequenos

Nas cidades e aldeias da nação.

Mas, por acaso ou milagre, aconteceu

Que, num burrinho pela areia fora,

Fugiu

Daquelas mãos de sangue um pequenino

Que o vivo sol da vida acarinhou;

E bastou

Esse palmo de sonho

Para encher este mundo de alegria;

Para crescer, ser Deus

E meter no Inferno o tal das tranças,

Só porque ele não gostava de crianças. (In “Diário, I)

 

Ontem, como hoje, a matança dos inocentes continua a ter lugar. Há crianças violadas, violentadas, morrendo à fome, meninos-soldados à força, meninos-escravos obrigados a trabalhar, meninos órfãos sem eira nem beira dormindo ao relento.

O nosso coração amargura-se. Uma angústia enorme invade-nos o ser. Porquê Senhor?

Resta-nos pedir aos Santos Inocentes que intercedam junto do Menino de Belém para que as crianças de todo o mundo sejam respeitadas, amadas e tratadas com a dignidade que merecem e lhes é devida.

 

publicado por aosabordapena às 18:23

20
Dez 02

 

 

 Dezembro, um mês diferente. Torrentes de belas mensagens, apelando à paz, à concórdia, ao amor pelos outros, amolecem os corações.

Apesar de banalizado, comercializado, o Natal continua a ser tempo de magia, tempo de utopia.

Respira-se um ar impregnado de suave quietude. O sorriso aflora com mais naturalidade. O coração aquece e transborda apesar do frio que gela o corpo. Os acordes natalícios conferem ao ambiente uma certa intemporalidade.

É Natal. Tempo de sair de nós próprios e de ir ao encontro dos outros.

Pode ser uma saída fugaz. Se acontecer, que o seja, não por emoção, mas por uma vontade efectiva, traduzida em acção em prol daquele que mais necessita.

O Menino, o Pobre de Belém, que “não conseguiu arranjar lugar em casa”, provoca-nos com a sua humildade e simplicidade.

Deus – Silêncio fez-se carne e habitou entre nós. Assumiu a nossa condição humana e tornou-nos participantes da vida divina.

Sendo o eixo da história, o seu ponto de partida e de consumação, preferiu o anonimato e o desconforto duma manjedoura para nascer.

A boa nova do Seu nascimento, não foi anunciada aos ricos e poderosos do Seu tempo, mas aos humildes pastores das cercanias de Belém, os “condenados da terra”, os que perderam o emprego ou têm salários em atraso dos dias de hoje.

Natal, noite de luz a iluminar o coração dos homens. Ponto de contacto entre o divino e o humano.

“Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens a quem Ele quer bem”. Toda a lição do Natal está nestas palavras.

Não é possível a paz na terra, senão sob estas duas condições: a de prestar glória a Deus e de Lhe agradar. Sem isso, a promessa natalícia é vã, e toda a esperança, ilusória.

Votos de um Natal cheio de amor cristão.

 

publicado por aosabordapena às 18:30
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08
Dez 02

 

 

É no silêncio do teu olhar, que pressinto o que a boca não diz e o coração oculta.

O teu gesto contido esconde um laivo de tristeza e de amargura, uma solidão resignada, um grito de alma abafado.

“A vida é uma farsa e o mundo cruel”, são convicções que te possuem, que te levam ao desespero, ao desânimo.

No teatro da vida, contemplas o desfile da mentira e da injustiça, da fome e da guerra, da opulência e da indiferença.

E sentes-te vazio. Um zero camuflado de revolta interior. Nas mãos, um pouco de nada.

Contudo, ao canto do olho, onde uma lágrima espreita, vislumbro um querer diminuído, mas não derrotado.

- Não percas a confiança, procuro balbuciar. Há irmãos nossos, sofrendo muito mais, e que não desistem. A sua fé ajuda-os a ultrapassar as dificuldades da vida. Lembra-te que Deus, nosso Pai, tudo providencia.

Não foi Ele que disse: “Qual é de vocês que, por mais que se preocupe, poderá prolongar um pouco da sua vida? Não estejam preocupados nem inquietos com o que hão-de comer e beber. Tudo isso procuram os que só pensam neste mundo, mas vocês têm um Pai que sabe muito bem do que precisam. Procurem primeiro o Reino de Deus que tudo isso vos será dado”. (Lc 12, 25, 29 a 31)

Calaram-se as palavras. E no meu e teu silêncio, a Palavra de Deus encontrou guarida, e um suave bálsamo aliviou a tua e minha angústia.

 


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