Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

05
Jan 03

 

 

Vivemos numa sociedade impregnada de motivações materialistas, em que o apelo ao consumo, ao prazer, ao individualismo, completa o quadro de referência em que nos movemos.

É tempo de ganância. De triunfo dum impiedoso neoliberalismo. Duma globalização que ignora as pessoas, em que os ricos, saem vencedores, e os pobres, cada vez mais pobres, arredados dos benefícios duma sociedade que os ostraciza e transforma em rostos sem nome, anónimos subjugados pela ditadura do parecer e comandados pelo poder da publicidade, da televisão, das multinacionais e da moda.

É tempo de vitória e de sucesso a qualquer custo em que o individualismo egoísta tornou as pessoas menos solidárias.

Perante esta ambiência, os cristãos não se devem deixar submergir. Devem “fazer-se ao largo” e mergulhar no mar imenso das Bem-Aventuranças, código de conduta que Jesus nos deixou, diametralmente oposto ao culto da riqueza, do poder, do egoísmo e do domínio do mais fraco pelo mais forte.

No dizer de Monsenhor Paul Poupard “o cerne da cultura cristã é o olhar de amor que transforma os indivíduos em pessoas e as sociedades em comunidades. O amor é a unidade da comunidade, como a vocação é a unidade da pessoa”.

Uma sociedade autista que ignore os valores morais, que desafie e denegue os valores cristãos que a enformam e lhe serviram de matriz é uma sociedade à deriva.

Os seus membros sentem-se como se estivessem num mundo vazio, desencantado, onde nada tem sentido.

Falta-lhes aquele olhar capaz de ver no outro um irmão, e não um estranho, a afectividade que facilita as relações sociais, a certeza de que o centro de gravidade está em Deus, e não em deuses ilusórios criados por si e para si, quimeras que se desvanecem como a espuma do mar, desilusões que deixam marcas profundas de agressividade e aridez.

Daí a necessidade urgente duma vivência impregnada de sobrenaturalidade, na qual, Deus seja o centro e o sentido da nossa vida, a razão da nossa existência e o nosso destino final.

A exemplo de Jesus sejamos promotores de paz e construtores de amor.

 

publicado por aosabordapena às 19:35

03
Jan 03

 

Amanheceu cinzento e chuvoso, o dia 21 de Dezembro de 2002. Uma diáfana neblina conferia ao ambiente o tom característico dum dia de Inverno transmontano.

Na sequência da campanha de recolha de géneros levada a cabo nos dias 7, 8, 14 e 15 de Dezembro nos Hipermercados da cidade e na Igreja de S. Tiago, as Conferências Vicentinas de S. João Baptista e de Nossa Senhora de Fátima, ambas da Sé, e a Conferência de S. Tiago, tinham às 14 horas tudo em ordem para poder distribuir às famílias mais carenciadas, os Cabazes de Natal.

Isolados ou em grupo, foram chegando. Ao todo, novena e quatro famílias de nacionais, bielorussos, russos, ucranianos e comunidade cigana.

No olhar, um misto de tristeza e de expectativa.

Paciente e ordeiramente, aguardaram sentados a sua vez, enquanto uma suave música de Natal amenizava o ambiente.

Nomes e línguas estranhas para os nossos ouvidos, matizadas por algumas palavras em português, ditas com esforço, não foram impedimento para que a comunicação acontecesse e a afectividade aflorasse. Às 17 horas, todos tinham sido atendidos.

Aconteceu Natal. Dar e receber. Um sorriso, um aperto de mão, um brilho no olhar, uma lágrima furtiva ao canto do olho.

Que belas prendas de Natal para os vicentinos de Bragança.

A noite caía. No coração, a alegria de servir e a certeza de que o Natal, para cerca de 200 pessoas, seria um pouco melhor.

 

 

publicado por aosabordapena às 15:11

Janeiro 2003
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
as minhas fotos
As minhas visitas
counter customizable Exibir My Stats
mais sobre mim
pesquisar