Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

23
Out 03

 

 

Vejo-Vos, Senhora, sempre em sobressalto, meditando, no silêncio, os acontecimentos do dia a dia. A fadiga, a perseguição, a brutalidade do Calvário foram etapas de uma vida peregrina, caminhante, que buscava, pois não sabíeis tudo acerca da natureza transcendente de Vosso Filho Jesus. Senhora, mulher humilde, sempre servidora, peregrina da Fé, Vós sois o caminho silencioso que docilmente conduz os homens para o mar imenso que são as Bem-Aventuranças proclamadas por Jesus. Sempre em segundo plano, bem lá no fundo do cenário, Vosso coração é o repositório do sofrimento profetizado por Simeão, iniciado aquando da fuga para o Egipto e experimentado aquando da perda de Jesus. Caiu a noite sem O encontrardes, Senhora. Durante três dias aflitivamente O procurastes. O termómetro da vossa angústia deve ter atingido o máximo. E Deus Pai sempre em silêncio. Quando o encontrastes, ouvistes Senhora palavras desconcertantes: «Porque é que me procuravam? Não sabiam que Eu tinha de estar na casa de Meu Pai?» Como deve ter ficado o vosso coração de Mãe amantíssima, quando Jesus, rompendo voluntária e deliberadamente a corrente da ternura filial, Vos disse que o Pai era a sua ocupação e preocupação. Vejo-Vos Senhora, sem um queixume, um travo de amargura ou silêncio ressentido a retirar, humilde e pacificamente, cogitando acerca dos desígnios de Deus e «guardando todas estas coisas no coração». Que grande estabilidade emocional, Senhora, mulher invencível, Serva de Deus, quando no momento supremo da morte do Vosso adorado Filho, tudo aceitastes, mantendo resolutamente desfraldada a bandeira do “faça-se” a Vossa Vontade, Senhor. Vejo-Vos, Senhora, de pé junto da Cruz sem choro nem desmaio, entregando-Vos em silêncio ao silêncio de Deus. Perante tanta dignidade e coragem, ouso Senhora neste mês de Outubro em que especialmente Vos veneramos, pedir-Vos que sejais a nossa força, nestes tempos conturbados em que vivemos. 


21
Out 03

 

 

Nascemos, crescemos, tornamo-nos adultos e quase não damos, ou não queremos, dar conta de que envelhecemos.

É assim o ritmo da vida. Alucinante, imparável.

Certo dia, somos confrontados com a realidade. “E tu, velhote, quantos anos tens”? Esta pergunta, atirada de chofre por uma criança que nos interpela, deixa-nos atónitos, estarrecidos.

Num primeiro momento, apetece reagir negativamente. Contudo a verdade que os seus olhos cristalinos vêem, não pode ser ignorada.

Tenho 58 e tu? A criança responde e afasta-se paulatinamente, chamada pelos pais para que não continue a incomodar o “velhote”.

E assim aconteceu mais um ano neste Outubro solarengo, com laivos de frio e vento.

E no silêncio desta tarde calma, tenho tempo e disposição para rever o filme da minha vida e os personagens que nele intervieram: pais, irmãos, professores, amigos, vizinhos, conhecidos e um rol interminável de figurantes activos que, de alguma forma, me condicionaram e contribuíram para o meu amadurecimento e realização pessoal.

Cenas de uma infância normal, duma adolescência inconformada, duma juventude onde o sonho, o amor e a dureza da guerra colonial pontificaram, são quase irreais, dissipadas pela bruma dos tempos, mas que a saudade, alguma mágoa e insatisfação impedem de obscurecer.

Um presente estável consolidado pelo amor da esposa, a dedicação das filhas e a ternura da neta é a melhor recompensa que o Senhor, na sua infinita bondade, me quis propiciar.

E no silêncio do meu coração não posso deixar de sentir tristeza e amargura pelos tempos e acções em que como Adão me “escondi no meio das árvores do jardim” da vida, como se Deus não existisse.

É assim a vida. De luta, fracassos, vitórias, alegrias ou tristezas, que o mar imenso do amor e misericórdia de Deus nos proporciona, mesmo quando queremos fugir Dele.

E neste findar de tarde, resta tempo para agradecer a Deus o dom da vida e visionar a quarta parte do filme que falta passar. Está em branco. Importa dar-lhe vida, cor e conteúdo sempre ao serviço e na presença de Deus.

Oxalá Deus o permita.

 

publicado por aosabordapena às 15:27

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