Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

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Out 03

 

 

Nascemos, crescemos, tornamo-nos adultos e quase não damos, ou não queremos, dar conta de que envelhecemos.

É assim o ritmo da vida. Alucinante, imparável.

Certo dia, somos confrontados com a realidade. “E tu, velhote, quantos anos tens”? Esta pergunta, atirada de chofre por uma criança que nos interpela, deixa-nos atónitos, estarrecidos.

Num primeiro momento, apetece reagir negativamente. Contudo a verdade que os seus olhos cristalinos vêem, não pode ser ignorada.

Tenho 58 e tu? A criança responde e afasta-se paulatinamente, chamada pelos pais para que não continue a incomodar o “velhote”.

E assim aconteceu mais um ano neste Outubro solarengo, com laivos de frio e vento.

E no silêncio desta tarde calma, tenho tempo e disposição para rever o filme da minha vida e os personagens que nele intervieram: pais, irmãos, professores, amigos, vizinhos, conhecidos e um rol interminável de figurantes activos que, de alguma forma, me condicionaram e contribuíram para o meu amadurecimento e realização pessoal.

Cenas de uma infância normal, duma adolescência inconformada, duma juventude onde o sonho, o amor e a dureza da guerra colonial pontificaram, são quase irreais, dissipadas pela bruma dos tempos, mas que a saudade, alguma mágoa e insatisfação impedem de obscurecer.

Um presente estável consolidado pelo amor da esposa, a dedicação das filhas e a ternura da neta é a melhor recompensa que o Senhor, na sua infinita bondade, me quis propiciar.

E no silêncio do meu coração não posso deixar de sentir tristeza e amargura pelos tempos e acções em que como Adão me “escondi no meio das árvores do jardim” da vida, como se Deus não existisse.

É assim a vida. De luta, fracassos, vitórias, alegrias ou tristezas, que o mar imenso do amor e misericórdia de Deus nos proporciona, mesmo quando queremos fugir Dele.

E neste findar de tarde, resta tempo para agradecer a Deus o dom da vida e visionar a quarta parte do filme que falta passar. Está em branco. Importa dar-lhe vida, cor e conteúdo sempre ao serviço e na presença de Deus.

Oxalá Deus o permita.

 

publicado por aosabordapena às 15:27

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