Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

23
Mar 04

 

 

 Portugal tem o mais baixo salário mínimo nacional dos estados membros da União Europeia. Segundo o Ministério da Segurança Social e do Trabalho, são 4% os trabalhadores portugueses que levam para casa, líquidos, 325, 38 euros.

Perante esta realidade, quantos sonhos adiados. Quanta ginástica é necessária para matar a fome, para pagar as contas da luz, do gás, da água, da renda de casa, do passe para os transportes e do infantário, refere o casal Silva com 2 filhos em idade escolar e que leva para casa dois salários mínimos. “Às vezes fico deprimida, não me apetece ir trabalhar, mas tenho os filhos e as contas”, desabafa a Margarida.

E que dizer de 80.126 cidadãos (número de 31/12/2002 da Segurança Social) que recebem apenas a pensão social – 151, 84 euros? Que dizer doutros extractos sociais também numerosos, como, por exemplo, os pensionistas do regime especial das actividades agrícolas que recebem 186, 16 euros? E os 452.542 portugueses que em 31/12/2003 estavam desempregados?

O Concílio Vaticano II através da Constituição Pastoral Gaudium et Spes: a Igreja no Mundo Actual, refere que “ o dever de justiça e caridade cumpre-se cada vez mais com a contribuição de cada um em favor do bem comum, segundo as próprias possibilidades e as necessidades dos outros. Não poucos se atrevem a eximir-se, com várias fraudes e enganos, aos impostos e outras obrigações sociais.

Enquanto multidões imensas carecem ainda do estritamente necessário, alguns, mesmo nas regiões menos desenvolvidas, vivem na opulência e na dissipação. Coexistem o luxo e a miséria. Muitos vivem e trabalham em condições indignas da pessoa humana. Para satisfazer às exigências da justiça e da equidade, é necessário que se eliminem o mais depressa possível as grandes e por vezes crescentes desigualdades económicas actualmente existentes, acompanhadas da discriminação individual e social”. (GS 30, 63 e 66)

E no meu silêncio, como cidadão, como cristão, medito e sinto uma revolta interior pela miséria em que vivem muitos irmãos e pela minha impotência face a realidades tão duras e escuto a dor, a tristeza e a solidão daqueles que não têm voz, nem poder reivindicativo e para os quais a esperança, neste mundo, duma vida melhor é apenas uma miragem.

Perante este quadro social, o que sentimos e fazemos nós, cristãos?

Será que no tempo próprio e nos ambientes em que nos movemos pugnamos pela justiça social, pelo desfazer das desigualdades? Será que não vivemos “acomodados”, e ingenuamente satisfeitos pela rotina do nosso quotidiano? E a acção? E as obras?

Neste período quaresmal, tempo de penitência e conversão, tempo de uma caridade mais diligente e intensa, permitam-me que deixe estes tópicos para uma reflexão pessoal. Oxalá sejam um alerta, para que não andemos enganados, pois, “Nem todos aqueles que me dizem: “Senhor, Senhor”, entrarão no Reino dos Céus, mas apenas os que fazem a vontade de meu Pai que está nos céus”. (Mt 7, 21)

 

publicado por aosabordapena às 14:25

08
Mar 04

 

 

 

Decorreram de 22 a 24 de Fevereiro de 2004 as 2ªs Jornadas de Reflexão para Jovens em peregrinação a Santiago de Compostela, subordinadas aos temas: “Caminhos de Santiago” e “A Eucaristia, fonte de Amor”.

Cerca das 15 horas o autocarro transportando 38 participantes, largou das instalações da Paróquia.

Alguma apreensão pelo facto de nesse dia ter nevado bastante, não perturbou a boa disposição reinante, tendo a viagem decorrido com toda a normalidade, ponteada aqui e ali por algumas bátegas de água.

Chegados ao Monte do Gozo pelas 20 horas, era altura de providenciar pelo alojamento e de dar algum conforto ao estômago antes de ir descansar.

A manhã do dia 23 rompeu limpa, fria, mas envolta por um radioso sol de Inverno.

Foi nesse espaço de tempo que decorreram propriamente as jornadas, tendo havido lugar para exposição dos temas em debate, tempo para reflexão em pequenos grupos e, por fim, tempo para plenário, durante o qual os jovens colocaram as suas questões e dúvidas, as quais foram objecto de resposta por parte do nosso Pároco, P. José Carlos.

Da parte de tarde, e sob a orientação do guia D. Jesus Pardo Quiroga, foi-nos proporcionada uma pormenorizada visita guiada a alguns bairros da cidade, monumentos mais importantes e Catedral.

A sua fluência e saber transformaram a visita numa magistral lição de história e de catequese, salpicada de onde em onde por sugestivos e variegados pormenores.

Após o abraço ao Apóstolo e um sentido recolhimento junto do seu túmulo, teve lugar o ponto alto da nossa peregrinação com a Eucaristia celebrada pelo Sr. Arcebispo de Santiago Monsenhor D. Julián Barrio Barrio e concelebrada pelo nosso Pároco e por outro sacerdote espanhol e a Invocação da Paróquia ao Apóstolo.

Foi um privilégio que o Senhor nos quis conceder ao permitir a realização desta celebração nestas circunstâncias, plena de significado e que calou bem fundo nos nossos corações.

Sua Excelência, na homilia teve palavras de muito carinho para com todos e em especial para com os jovens a quem desafiou a “seguir Jesus sem receios”, Ele que está presente na Sagrada Eucaristia, fonte de amor e da força necessária para vencer todos os obstáculos que possam surgir.

Trabalhar ao serviço da Igreja “sem rivalidades e invejas” foi outro dos apelos que Monsenhor D, Julián nos deixou.

Na altura da Acção de Graças, teve lugar o sempre imponente e espectacular balançar do gigantesco turíbulo, o “Botafumeiro”, espalhando incenso de um ao outro extremo da nave do transepto, o espaço mais nobre da Catedral.

No fim da Eucaristia, o Sr. Arcebispo, após ter agradecido a nossa presença, desejou a todos um bom regresso a casa, tendo cumprimentado individualmente os jovens e outros elementos da Paróquia.

A manhã do dia 24 foi aproveitada para comprar os últimos” recuerdos” e após o almoço iniciámos a viagem de regresso a Bragança onde terminámos esta peregrinação do Ano Jubilar Compostelano 2004, por volta das 19 horas.

publicado por aosabordapena às 18:35

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