Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

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Out 04

 

 Claustro Convento de Cristo
 
Corria o ano de 1956. A vida nas aldeias era dura. Tempos difíceis para famílias numerosas.
Os trabalhos agrícolas e as jeiras “na floresta” eram a única saída para os jovens que completavam a 4ª. Classe. Mesmo daqueles cujas famílias tinham posses, poucos eram os que iam estudar.
Neste Outubro missionário, vou recordar a minha história: Filho mais velho duma família de sete irmãos, jovem pacato, tímido e inteligente que gostava de saber e aprender.
Quis Deus, por intermédio do saudoso Padre Silva, o então jovem pároco da nossa aldeia, que entrasse para o Seminário.
Desses tempos, ainda hoje, conservo na memória a experiência da viagem para o Porto que conjuntamente com o meu pai efectuei durante toda a noite, à boleia, no camião que o falecido Gil regularmente conduzia carregado de madeira; a paragem nos postos de controlo que a GNR tinha ao longo do percurso; o choque que a vida da cidade me provocou; o frio que tive na Estação de S. Bento totalmente deserta às 6 horas da manhã; a imponência da sua construção, a magia dos comboios e a novidade da sua estreia.
Aí, à hora aprazada, lá estava um padre missionário, de capa e batina, a quem fui entregue conjuntamente com outras crianças.
Foi um momento difícil a hora da separação. Contudo, a incerteza e atracção do desconhecido, o fervilhar da grande cidade, a marcha galopante do comboio, o vislumbrar do mar lá ao longe, o receio de perder os poucos haveres, as apressadas mudanças de comboio, depressa fizeram com que as lágrimas secassem e o grupo, recém-formado, se sentisse unido e seguro.
Chegados ao Seminário instalado no Convento Cristo, em Tomar, centenas de jovens, já aí se encontravam.
Foi a descoberta da nova casa, a balbúrdia dos primeiros tempos, o toque da sineta, o aprender do “caminho” da camarata, da capela, da sala de aulas, do refeitório, do campo de futebol.
Era o começo duma nova etapa. O deslumbramento dos rituais. A descoberta do caminho iniciado. O sonho de ser missionário nos sertões africanos.
Não quis Deus, porém, que tal se concretizasse. Contudo, ainda hoje guardo saudades desses tempos que, tão importantes foram para o desenvolvimento da minha personalidade, da minha maneira de ser e de estar hoje na vida.
Neste mês de Outubro, mês em que se assinala o Dia Missionário Mundial, ao partilhar o meu sonho e emoções, é com o intuito de acicatar os jovens, desassossegar-lhes a consciência e dizer-lhes que, num mundo cada vez mais carregado com as tintas do “carreirismo”, mundo de aparências, mundo em que pontificam o hedonismo e a ambição da fortuna, se algum dia ouvirem a Palavra de Jesus “vem e segue-Me”, não tenham medo de enfrentar o desconhecido, de arriscar a vida ao serviço de Deus e dos irmãos.
Não é loucura segui-Lo, loucura é ignorá-Lo.
 
publicado por aosabordapena às 16:22

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