Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

13
Nov 07

 

 

É muito especialmente neste mês de Novembro que se verifica um confronto mais próximo com a morte. O homem invade este “território de dor” onde os vivos procuram prolongar o seu amor com os entes queridos e buscar inspiração, alento e conforto para suportar ou redireccionar a vida, junto daqueles que já se encontram nas “eternas e insondáveis paragens”.

 É o cemitério, local de culto, sítio místico que transmite uma certa paz; havendo nele vida, nele está tudo o que faz parte da vida: o amor e a morte, o consolo, a afectividade e a nostalgia; o trabalho, a cultura e a arte; a opulência e a simplicidade, o silêncio, o bulício e a agitação; é, pois, uma outra cidade, dentro da cidade, de incongruências e fragilidades feita.

Ir ao cemitério, “cidade” feita de memórias de vidas já vividas, pode ser angustiante, reconfortante, mas dificilmente será indiferente.

A razão principal para esta visita é sobretudo de ordem espiritual: pedir ao Senhor da vida e da morte que na Sua Casa, na “Casa do Pai” dê o eterno descanso aos nossos e a todos os defuntos. E nesta prece, está subliminarmente presente, a certeza que um dia também nós havemos de ser visitados por outras gerações; que, para quem crê na vida para além da morte e na ressurreição, apesar da angústia e do temor humanamente compreensíveis, a certeza no reencontro e numa nova vida totalmente diferente de todos os parâmetros nossos conhecidos, é o grande bálsamo consolador que nos impele a viver; que somos seres insignificantes e transitórios rumo à morada que o Senhor nos tem preparada.

Importa pois preparar o caminho para sermos dignos da Bem-aventurança eterna, vivendo dia a dia, segundo os preceitos divinos.

Os nossos mortos ajudar-nos-ão. Ajudemo-nos a nós próprios na certeza de que o nosso Deus, «não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos vivem».

E nós, de certeza, também queremos viver. E para sempre.

 

publicado por aosabordapena às 19:56

04
Nov 07

 

Fazer memória dos entes queridos que nos tomaram a dianteira, ajuda a vencer a dor da ausência que a morte provoca.

Neste mês, a saudade aperta e lágrima aflora com mais facilidade ao canto do olho.

Peregrinos que somos, crentes na vida eterna, na vida plena em Deus e, esperançados na dádiva do reencontro, aquando da ressurreição no fim dos tempos, resta-nos a fé como lenitivo e o desfilar das recordações, por vezes tão longínquas, que já se esfumam na bruma dos tempos.

Vamos ao cemitério rezar, acender velas, oferecer flores e com elas reacender a saudade; vamos repetir juras de amor eterno, apaziguar tensões, pedir perdão, fazer a paz com os que já partiram, caso a consciência acuse algum assunto mal resolvido.

Desse território de dor, fazemos ponto de reunião onde a matéria e o finito se revestem duma aura de espiritualidade e, simultaneamente, de imensas dúvidas e incertezas; de local de recolhimento, de reflexão e antevisão da nossa partida rumo à Jerusalém Celeste.

Cientes e conscientes duma realidade a que ninguém escapa, importa prepararmos o caminho, vivendo segundo os preceitos do Senhor, com o coração leve em que os afectos e a generosidade tenham lugar privilegiado. E acima de tudo, confiar na misericórdia do Senhor, pois «Deus é o nosso refúgio e a nossa força, ajuda permanente nos momentos de angústia. De quem teremos medo? (Sl 27 e 46)

 

 

 

publicado por aosabordapena às 16:28

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