Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

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Mar 09

 

É o mês de Março um mês de contradições. Mês de transição nele se processam significativas alterações.

O Inverno agoniza paulatinamente para dar lugar ao tempo primaveril que inunda a Natureza de renovos verdejantes e a suaviza com a beleza das flores e o chilrear das aves.

O frio dá lugar a um tempo ameno. A mudança climatérica é acompanhada pela mudança de hora que vem alterar o nosso ritmo biológico.

Em termos de vivência e aprendizagem espirituais é o mês de Março profundamente enriquecedor.

Tempo penitencial, tempo de renúncia, de desejos de mudança e de conversão que ressoam continuamente no coração do homem que, na procura incessante de Deus, deseja alimentar-se da Sua misericórdia inesgotável.

Tempo Santo da Quaresma. Com o evangelista Marcos, no 1º. Domingo, seguimos Jesus para o deserto, deserto em que, por vezes, se transforma a nossa vida. Lugar de solidão e sofrimento, aí descobrimos, afinal, que é o lugar privilegiado para o encontro com Deus, mediante a conversão interior do coração, imprescindível para entrar no «Reino de Deus que está próximo» (Mc 1, 15).

Subimos, no 2º. Domingo, ao “monte elevado” da nossa insuficiência e descobrimos as maravilhas da Criação, a paz consoladora que inebria o coração daqueles que se deixam transfigurar pela Palavra Salvadora de Deus.

Com João, no 3º. Domingo, assistimos impressionados ao gesto de Jesus que «fazendo um chicote de cordas expulsou os vendedores do templo» (Jo 2, 15), acção simbólica que não se destina a punir transgressores mas a mostrar a Sua suprema autoridade na «Casa do Pai» (Jo 2, 15-16).

No 4º. Domingo, meditamos nas palavras de Jesus referindo ser «necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto, a fim de que todo o que nele crê tenha a vida eterna» (Jo 3, 14-15). É a certeza de que a nossa fé não é em vão e que o amor de Jesus a todos inclui. Basta tomar o caminho do bem que conduzirá à bem-aventurança eterna.

Chegados ao 5º. Domingo, Jesus revela, perante a incredulidade dos seus ouvintes, que «se não crerdes que Eu sou o que sou, morrereis nos vossos pecados» (Jo 8, 24). Jesus revela assim o seu ser divino com a mesma fórmula com que o próprio Deus o fez a Moisés (Ex 3, 14) e diz o Evangelho: «muitos creram nele» (Jo 8, 30).

Terminado este itinerário catequético, de espírito aberto e coração purificado, eis-nos entrados no Abril pascal, primaveril, mês de vitalidade, de emoções e razões para reforçar e viver a fé cristã naquele Jesus que, montado num jumento, símbolo da humildade e da paz, foi aclamado pela multidão na Sua entrada triunfal em Jerusalém; naquele Jesus que, no Seu infinito amor quis ficar connosco até ao fim dos tempos na Sagrada Eucaristia instituída na Quinta-feira Santa; naquele Jesus que foi preso, abandonado e renegado pelos amigos, injuriado, escarnecido e condenado à morte; naquele Jesus que experimentou o silêncio supremo do sepulcro; naquele Jesus que «vencedor do pecado e da morte, é o princípio da nossa justificação e da nossa ressurreição no final dos tempos» (Comp do C.I.Cat, nº. 131).

É Páscoa. O túmulo está vazio. Cristo ressuscitou. Alegremo-nos. Aleluia.

 

publicado por aosabordapena às 17:05

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