Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

03
Mai 10

 (Foto Wikipédia)

 

 

O tempo está quente

E a mãe cigarra, pressurosa,

Põe os ovos de amor,

Ao sopé do castanheiro.

E, lentamente, sem se virar,

Afasta-se, determinada,

Para morrer,

Ouvindo o murmúrio das águas

Que saltitam no ribeiro.

Então, nova vida eclodiu.

A ninfa, caída no chão,

A terra perfurou,

Vivendo, longo período,

Na solidão.

A cigarra cresceu,

Amadureceu e um dia despontou.

Um longo caminho percorreu,

Até se sentir na Natureza

Uma rainha

Rodeada de sol e beleza.

Durante o dia canta,

Feliz, independente,

Indiferente ao tempo que passa.

Importante é o presente.

E cantava … cantava.

O Estio folgazão

Depressa se esfumou.

E, no horizonte, um manto de nuvens,

Foi crescendo, enovelando,

Entristecendo.

Grossas pingas de chuva caíram.

Era Outono.

E a cigarra cantava.

Sua voz era triste e melancólica,

Prenúncio do Inverno

Que ao longe espreitava.

 

publicado por aosabordapena às 18:20

Que lindo, paizinho :) Beijocas, Cláudia
nossavontade a 4 de Maio de 2010 às 10:33

Olá, Autor de um grande Blog, a primar pela defesa de valores, hoje esfumados ou quase apagados no contexto social português e não só! Uma sentida saudação.
De facto, no presente, há muitas cigarras, que, com a aproximação de invernos demográficos, económicos e culturais, terão mesmo que finar-se. Só esperamos que as formigas se multipliquem...
Um abraço e parabéns pela beleza formal!
fcalves
sevlaf a 11 de Maio de 2010 às 10:54

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