Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

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Mar 00

 

 

Está a decorrer o tempo da Quaresma, período durante o qual a liturgia da Igreja faz apelo à conversão e ao arrependimento.

“Cingi-vos, sacerdotes, e chorai. Lamentai-vos, ministros do altar! Ordenai um jejum. O dia do Senhor está perto!” (Jl 1, 13-15)

Esta caminhada, iniciada com a imposição das cinzas, não deve ser efectuada, percorrendo a estrada larga e rectilínea que nos oferece a paisagem deslumbrante, mas sim, a vereda íngreme e sinuosa que nos rompe a sola dos sapatos e nos faz gotejar algum suor.

Neste peregrinar, devemos, para nos purificar, recorrer à oração. O cristão, como filho do Pai celeste, deve manifestar-lhe gratidão pelos benefícios recebidos.

Orar é estar em amor para com Deus. A oração dá vida à nossa fé, fazendo-a florescer. O tempo de oração é uma audiência divina, um diálogo a dois, que deve levar o cristão a ter como verdade, cada vez mais sólida e profunda a frase de S. Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).

Quando rezarmos, não o façamos para “sermos vistos pelos homens”. Devemos fazê-lo em segredo, pois Ele, que vê o oculto, recompensar-te-á” (Mt 6,6). Nosso Senhor censura a hipocrisia e a falsa devoção; recompensa a oração colectiva (Mt 18, 19-20); (Act 2, 42).

O segundo degrau que conduz à perfeição é a prática da esmola. “Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a direita, a fim de que a tua esmola permaneça em segredo; e teu pai que vê o oculto premiar-te-á” (Mt 6,3).

Jesus condena a vã ostentação e a vaidade. O Evangelho não condena o progresso nem o uso dos bens deste mundo. Condena, sim, a sua apropriação injusta que leva alguns a nadar na abundância, enquanto que outros estão enterrados na miséria. As riquezas devem estar ao serviço dos homens e estes ao serviço de Deus.

Nesta Quaresma, saibamos, pois, abdicar, generosamente e na medida das nossas possibilidades, de alguns dos bens que Deus nos emprestou, colocando-os ao serviço dos mais pobres.

O terceiro degrau é jejum, entendido este, não só como a abstenção ou redução de alimentos, feita por espírito de mortificação e em obediência aos preceitos da Igreja, como também, como a renúncia ou privação, por exemplo dos alimentos que mais prazer nos proporcionam, do café da tarde ou do cigarro da noite.

O cristão dentro da sua subjectividade saberá encontrar o melhor meio de se penitenciar.

O importante é que pratique as obras enunciadas, jejum, esmola e oração com recta intenção, não movido pela vaidade ou por outros fins menos dignos, mas somente por amor do Pai que está nos Céus.

 

 

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 17:11

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