Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

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Nov 03

 

 

Estamos em Novembro, mês de nostalgia e de saudade.

Pela nossa memória perpassam os entes queridos e os amigos que nos precederam, nessa viagem sem retorno, aprazada e de data incerta, que havemos, forçosamente, de empreender.

É tempo de flores, de preces sentidas, de folhas amarelecidas desprendendo-se das árvores.

Lágrimas furtivas espreitam, ao canto do olho.

Nesta miscelânea de sentimentos e emoções, aflora ao nosso pensamento o tema da morte.

Já pensámos na nossa morte? Se ainda o não fizemos, é este o mês propício.

É certo que o pensamento da morte assusta e traumatiza.

No entanto, logo que um ser começa a existir, inicia a sua caminhada imparável para a morte.

Sendo o momento da morte tão importante na vida, é loucura não pensar nela, de vez em quando.

Muitos tentam insensibilizar-se perante essa dura realidade, ou simplesmente ignorá-la, porque imaginam que atraem a morte, se pensam nela.

A lógica aponta para efeitos contrários. Pensar na morte evita: conduzir perigosamente, fumar, beber e comer sem moderação, não ignorar o médico de família, o que, consequentemente, leva a uma vida mais duradoura e a ter uma existência de qualidade. Mas, sobretudo, ajuda a procurar a encontrar um sentido superior para a vida.

Importa, pois, viver a vida de forma harmoniosa, em intensa unidade com Deus e com o próximo, através do amor e de uma entrega generosa.

Neste sentido, o dom de se ter fé é de grande importância.

Procurar viver como Jesus viveu, praticar o bem sem olhar a quem, cumprir as obrigações que a nossa fé impõe, deixar a vida seguir o seu rumo, impregnada pela aura das bem-aventuranças, é o rumo certo para uma vida plena de sentido, em que o vazio, a aridez e a angústia não têm lugar.

A certeza de que esta vida é uma etapa da caminhada que nos há-de levar à vida eterna, é, para o cristão, o bálsamo que cicatriza feridas, o aliviar da dor que arrebenta o peito, o enxugar das lágrimas que brotam dos olhos e do coração.

Diz S. Paulo aos Coríntios: “todos nós sabemos que, quando for destruída esta tenda em que vivemos na terra, temos no céu, uma casa feita por Deus, habitação eterna que não foi feita por mãos humanas. E assim, meus amados irmãos, permanecei firmes, inabaláveis, aplicando-vos, cada vez mais, à obra do Senhor, tendo sempre presente que o nosso trabalho no Senhor não é em vão”.

Este mês de Novembro é, pois, tempo de reflexão, de reconciliação connosco próprios, com os nossos mortos e, com todos os que nos causam aversão e antipatia.

É tempo de “nos habituarmos a morrer, antes que a morte chegue, porque os mortos apenas podem viver e os vivos apenas podem morrer”.

Se não formos capazes de pensar na morte e nos que morreram, não viveremos intensamente a vida que Deus, generosa e gratuitamente, nos disponibiliza, dia após dia.

A morte não pode ser só tristeza, arrepiamento, receio, amargura, terror.

Khalil Gibran disse que “morrer não é mais do que procurar Deus, sem ser incomodado pelos outros”.

Pensemos nos nossos mortos: avós, pais, filhos, irmãos, amigos e conhecidos…

Comecemos a viver.

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 19:51

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