Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

05
Ago 00

 

(Monte Tabor)

 

A Liturgia do dia 6 de Agosto, 18º Domingo do tempo comum, propõe-nos como reflexão, a Transfiguração do Senhor.

Um dia, Jesus, tomando consigo Pedro, João e Tiago, levou-os sozinhos, para um lugar retirado, sobre uma alta montanha que, segundo a tradição, é o monte Tabor, na Galileia, próximo do lago Genesaré.

Ali transfigurou-se diante deles. No dizer do Apóstolo S. Marcos “as suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que lavadeira alguma sobre a terra as poderia branquear assim”.

Apareceu-lhes Elias, juntamente com Moisés, e ambos falavam com Ele.

Pedro, tomando a palavra, diz a Jesus: Mestre, bom é estarmos aqui: façamos três tendas; uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias.

Formou-se então uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e da nuvem fez-se ouvir uma voz: “Este é o Meu Filho muito amado. Ouvi-O”.

De repente, olhando em redor, já não viram ninguém, a não ser Jesus, só, com eles.

Ao descerem do monte ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto…” (Mc 9, 2-9).

Acompanhemos os discípulos nesta caminhada. Subamos ao monte, carregando as nossas preocupações, os nossos fracassos e as angústias do dia a dia.

A interrogação acerca da incerteza do que possa vir a acontecer, tal como, por certo, assaltou o espírito dos Apóstolos, também nos invade.

No entanto, o facto de termos sido escolhidos, constitui alento para a íngreme caminhada e, sendo sinal de predilecção, impulsiona-nos e predispõe-nos para melhor compreender e aceitar o mundo actual, para sabermos interpretar os sinais dos tempos, tempos conturbados, onde a fome, as doenças incuráveis, as guerras e as catástrofes naturais desafiam a solidez da nossa fé.

Chegados ao cume do monte, temos o privilégio de viver a maravilhosa experiência da revelação de Deus Pai e do Seu amado Filho, na nuvem do Espírito Santo que, desde o baptismo, nos cobre.

Esta experiência só é possível, porque ao longo da caminhada, embora cansados, conseguimos seguir sempre em frente. Tropeçamos, mas com a misericórdia de Deus, fomos capazes de nos levantar e afirmar, com entusiasmo e convicção, a todos aqueles com quem a história da nossa vida pessoal se cruza, mostrando que vale a pena seguir a Cristo, – “Senhor, é bom estarmos aqui”.

Esta felicidade, que a vida da graça permite saborear, faz-nos esquecer os nossos problemas, para vivermos em função dos outros e para os outros, como os Apóstolos, que não se preocuparam em fazer uma tenda para eles.

É hora de descer do monte. A sociedade em que vivemos, minada pelo consumismo e por uma onda de ateísmo que endurece os corações, acena com formas de vida fácil, onde pontificam o egoísmo, o prazer, a banalização do quotidiano, o desrespeito pelos outros e em que o “parecer”, é mais importante que o “ser”.

Porém, tal como os discípulos, também os cristãos de hoje, que sentem, no dia a dia, dificuldade em afirmar a sua fé, de coração transfigurado pela força da Santíssima Trindade, não devem sucumbir ao desânimo e à tibieza que, por vezes, nos invadem.

Este Ano Jubilar em que nos encontramos, é altura propícia para caminhar e viver a nossa fé, com entusiasmo, procurando dar sentido a esta vida efémera, rumo à Cidade Eterna.

 

 

publicado por aosabordapena às 16:46

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.


Agosto 2000
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
as minhas fotos
As minhas visitas
counter customizable Exibir My Stats
mais sobre mim
pesquisar