Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

06
Jun 00

 

É Abraão, o primeiro grande patriarca do povo de Israel, exemplo de fé e obediência a Deus.

Chamado a deixar a sua pátria e a maioria dos seus parentes, parte para uma terra estrangeira, confiante na palavra do Senhor, que o cumula de bênçãos. Promete-lhe multiplicar a sua descendência, até fazer dela uma grande nação; salva-o dos seus próprios erros e falhas; dá-lhe um filho e experimenta a sua fé; fá-lo seu confidente; continua com ele a sua aliança – compromisso com os seus descendentes, dos quais, haverá de nascer o Messias.

Abraão recebe todas estas dádivas, promessas e provações, com fé, gratidão e submissão, merecendo, na verdade, ser chamado «o pai de todos nós» (Rom 4, 16).

Porém, a grande prova a que Abraão é submetido, acontece, quando o Senhor lhe diz «pega no teu filho, no teu único filho, a quem tanto amas, Isaac, que oferecerás em holocausto» (Gn 22, 2).

Podemos imaginar a angústia e o sofrimento, que invadem o seu coração. Com que ternura e delicadeza não terá acariciado o seu filho!

Que incerteza e inquietude não terá sentido! «Deus providenciará quanto à rês para o holocausto, meu filho», balbuciou, revelando assim uma infinita confiança na vontade de Deus.

Este inesquecível acto de obediência de Abraão é a antevisão da submissão de Jesus à vontade do Pai, com a aceitação da sua morte na Cruz. A dor de Abraão é comparável à dor atroz que Maria, Mãe de Jesus, há-de sentir ao acompanhar Seu Filho, no caminho para o Calvário e assistir, impotente, à sua crucificação e morte.

No dizer do apóstolo S. Paulo, Abraão é, pelo seu testemunho, considerado efectivamente o pai de todos os que têm fé em Deus e não apenas o pai da nação e religião de Israel.

Para o apóstolo S. Tiago, a conduta de Abraão mostra que a fé em Deus tem que ser demonstrada por “obras ou actos”; «Queres tu saber, ó homem insensato, como é que a fé sem obras é estéril?», escreve. «Não foi Abraão, nosso pai, justificado pelas obras quando ofereceu, sobre o altar, o seu filho Isaac? Repara que a fé cooperou com as obras e que, pelas obras, a sua fé se tornou perfeita» (Tg 2, 20-22).

Assim, é imprescindível que, neste Ano Jubilar, todo o cristão, procure reflectir sobre se a sua fé e prática religiosa influenciam positivamente os actos e gestos que o dia a dia exige, impregnando-os de espírito de caridade, não vá dar-se o caso de nos andarmos a enganar a nós próprios.

«Não nos cansemos de praticar o bem, pois a seu tempo, colheremos os frutos, se não tivermos desfalecido.

Portanto, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos» (Gal 6, 9-10).

Este é o conselho do apóstolo S. Paulo. Sigamo-lo e Deus nos recompensará!

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 16:01

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