Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

06
Abr 01

 

A Páscoa do Senhor era a principal de todas as festas judaicas e destinava-se a celebrar a libertação do povo de Israel da tirania egípcia.

O seu ritual estava prescrito com todos os pormenores:

- A refeição era previamente preparada, com vários louvores a Deus, pelos dons do pão e do vinho.

- Na refeição propriamente dita, partia-se o pão, abençoava-se o vinho e comia-se o cordeiro pascal.

- A refeição terminava com o chefe de família a erguer o cálice, sendo recitados salmos em honra e louvor do Criador e Libertador do povo de Israel.

Chegado o Dia dos Ázimos em que se devia sacrificar o cordeiro, Jesus, cumpridor da Lei, e para quem esta era uma Páscoa especial, ordenou aos discípulos que se dirigissem a Jerusalém, “a casa de um certo homem” a quem transmitiram a Sua vontade: “é em tua casa que quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos”.

Não nos identificam os Evangelhos o dono da casa onde Jesus tomou a Sua última refeição pascal.

Contudo, se não sabemos o seu nome, imaginamos, com facilidade, tratar-se de alguém que ouvia atentamente a sua doutrina, alguém a quem Jesus quis privilegiar.

O momento era importante. A conspiração dos judeus para o fazer desaparecer tomava corpo, com a ajuda de Judas Iscariotes.

Pairava no ar a exaltação das grandes celebrações.

Jesus, aproveitando a Sua última Páscoa Judaica, instituiu o rito da Nova Páscoa, baseado no seu próprio corpo e sangue.

Pegou no pão, pronunciou a bênção ritual, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: “Tomai e comei, isto é o meu corpo”. Depois, pegou no cálice, deu graças e deu-o aos discípulos dizendo: “ Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós”.

As paredes dessa casa ouviram, nessa tarde memorável, véspera da morte de Jesus, palavras de salvação, palavras de Quem, prestes a deixar-nos fisicamente, não nos quis deixar órfãos e quis ficar connosco até ao fim dos tempos, na Sagrada Eucaristia.

A Sagrada Eucaristia é um memorial: “fazei isto em memória de mim”. Cada vez que se celebra, renovam-se os gestos e as palavras de Jesus que por nós viveu, sofreu, morreu e ressuscitou.

Não se trata de recordar uma efeméride, uma acção do passado, mas sim, de tornar presente o mistério pascal de Cristo, que se ofereceu ao Pai e que nós, ao celebrá-la, também nos oferecemos com Ele.

Se este foi o acontecimento central desse dia memorável, não podemos esquecer que Jesus aproveitou a ocasião para lavar os pés aos seus apóstolos, dando-lhes assim um exemplo de serviço fraterno e um mandamento novo “amai-vos como eu vos amei”.

O outro facto que aconteceu foi o anúncio da traição premeditada de Judas. Jesus, a plenitude do amor, “perturbou-se interiormente”, quando confidenciou aos discípulos, com voz magoada, que um deles o iria trair.

Uma profunda tristeza invadiu-lhes os corações e os olhares ficaram inquietos. Este anúncio apanhou-os de surpresa.

Como seria possível que tal acontecesse? E logo, nessa tarde em que o amor, a fraternidade, a alegria da celebração pascal os unia?!

Jesus não se irrita … “O que tens a fazer, fá-lo depressa”.

Judas, o encarregado de gerir os bens da comunidade dos apóstolos, pois “era quem tinha a bolsa”, era o traidor que se havia deixado contaminar pelo dinheiro.

Depois de identificado, saiu. “Era noite”. Dentro e fora do seu coração.

Neste tempo pascal, é oportuno meditarmos nos acontecimentos referidos, e em especial, acerca da nossa participação na Eucaristia, “fonte e vértice de toda a vida cristã”.

A Eucaristia é a alegria da presença de Cristo vivo no meio de nós, reconhecimento e louvor a Deus, festa do encontro e da comunhão fraterna entre todos os que comungam do mesmo pão.

Participar activamente na Eucaristia, é um imperativo de todo o cristão.

 

 

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 17:01

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