Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

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Out 01

 

 

 

 

 

É da Carta aos Hebreus esta bela definição de fé: «A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e uma demonstração das que se não vêem». Com efeito, acreditar é, sobretudo, confiar em Deus e na Sua Palavra.

Crer é certeza inabalável, força no caminho, um começar de novo, cada novo dia que amanhece.

A fé é, pois, a completa certeza na perfeita escuridão.

O cristão, caminhante peregrino, envolto na penumbra da fé e coberto com o manto encorajador da esperança, perde, por vezes, o rumo.

Pressente que alguém está com ele, mas não O vê. No seu íntimo, palpita o desejo do infinito; sabe que existe, mas angustia-se, pois, tão depressa O vislumbra, como Ele se afasta e remete ao silêncio.

E a solidão invade a existência, ficando de noite, na noite da sua fé.

Contudo, Deus nosso Pai, está sempre connosco na certeza da fé. Ele é uma eterna odisseia no meio de tantas contradições terrenas, eterna aventura de procura incessante, «ordenador e criador de todas as coisas da natureza, e dos pecados somente o regularizador», no dizer de Santo Agostinho.

Crer em Deus, é correr o risco, dar o salto, sem garantias, sem provas, como Maria de Nazaré; renunciar à segurança de retaguarda e «partir sem saber para onde». Como o fez Abraão que, apostando em Deus, crendo contra tudo e contra todos, obedeceu e foi premiado com um filho, e feito «pai de inúmeros povos».

É a fé um compromisso vital e comprometedor na Pessoa de Jesus, uma questão de vida. É um dom, o primeiro dom de Deus.

A fé é o fundamento absoluto de todos nós.

Vale, portanto, a pena apostar por Deus, apostar tudo por Alguém que não é quimera, que é causa de emoção, força de sedução e fascínio. Deus é a outra margem do rio que urge alcançar.

A vida com Deus é relação, é movimento, é intimidade. Porém, às vezes, a alma fica dura, difícil, fria, e a fé golpeada. Vivemos na periferia de nós mesmos. Que fazer, então?

Rezar, mesmo sem vontade, para que venha a vontade, já que quanto menos se rezar, maior é o afastamento de Deus. E, sem Deus, tudo falta.

O nosso Deus é o Deus da Fé, Deus que não felicita nem reprova, Deus do silêncio, que penetra e salva.

«O Senhor é bom para os que n`Ele confiam, para a alma que O procura. Bom é esperar em silêncio o socorro do Senhor».

Jesus também sentiu a ausência de Deus-Pai. «Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonaste? A minha alma está numa tristeza de morte».

Nestes momentos de pavor e angústia, Jesus experimentou o sentir e o sabor da fé. E sempre foi fiel e obediente.

«Pai, nas tuas mãos entrego o Meu Espírito. Não se faça a minha vontade mas a Tua».

Jesus, peregrino, descalço e de túnica branca, é a nossa segurança e certeza. Nós que «somos daqueles que conservam a fé para salvar a alma», não nos equivocamos, quando apostamos por Jesus, sem outra garantia que não seja o próprio Jesus. Acertamos.

Embarcados nesta nau esbelta, denominada Esperança que nos há-de transportar ao porto definitivo, ao Amor, à Vida Eterna, possessão total de vida interminável, acreditamos em Ti, Senhor, entregamo-nos a Ti, esperamos por Ti.

Onde estás, Senhor?

 

publicado por aosabordapena às 14:21

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