Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

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Jul 00

 

 

Moisés, figura proeminente do Antigo Testamento, era um homem tímido que preferia a obscuridade.

Incumbido da missão de salvar os filhos de Israel da tirania egípcia, Moisés evocou a sua insuficiência e insignificância perante tamanho desígnio, procurando assim resistir à ordem divina.

Deus, porém, transformou este homem temeroso, de “boca e língua embaraçadas” no grande líder espiritual do seu povo, a quem entregou, no Monte Sinai, a lei que guiou Israel, através dos séculos.

Este episódio bíblico leva-nos a reflectir acerca da disponibilidade que manifestamos, quando Deus nos chama para o seu serviço e do próximo.

Cristo é o grande “chamado”. “Ele é a imagem do Deus invisível. O primogénito de toda a criação, porque n`Ele foram criadas todas as coisas” (Col 1, 15-16).

Também nós somos chamados por Deus a procurar o “lugar” onde melhor possamos viver a nossa fé cristã.

Este chamamento, esta vocação em Cristo, procede da liberdade soberana de Deus. “E aos que chamou, a esses justificou; e àqueles que justificou também os glorificou” (Rom 8, 30).

Cada cristão tem a responsabilidade de pôr ao serviço do outro homem, seu irmão, e da humanidade, todos os talentos que recebeu (Mt 25, 14).

Temos, contudo, funções diferentes a desempenhar, consoante os dons que o Senhor, gratuitamente, nos concedeu.

Por isso, “se hoje ouvirmos a voz do Senhor, não fechemos os nossos corações”, nem inventemos desculpas e afazeres para nos “subtrairmos” às solicitações que nos forem feitas.

Instalados no conforto dos nossos lares, não procuremos fechar os olhos, os ouvidos e o coração à dor e aos problemas dos outros.

Não façamos de conta que tal não é da nossa responsabilidade, nem resistamos ao apelo interior de dar o primeiro passo.

Quantas vezes, por cobardia, respeito humano, desleixo e incoerência, não damos o testemunho que devíamos e comportamo-nos como Simão Pedro, negando conhecer esse Homem a Quem antes havíamos jurado “mesmo que tenha de morrer Contigo não Te negarei”.

Como é fraca e volúvel a natureza humana! Contudo, apesar da nossa fraqueza Deus -Misericórdia, está sempre pronto a perdoar, assim o queiramos. Com MARIA, o exemplo da disponibilidade total, aprendamos a servir o homem concreto e real na pessoa dos mais necessitados.

Aprendamos a partilhar os dons que Deus, generosamente nos concedeu, os bens com que nos cumulou e o tempo que gratuitamente nos concede dia a dia.

 

publicado por aosabordapena às 15:03

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