Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

08
Jul 05

 

           

 

Conforme plano de actividades do Conselho Central da Sociedade de S. Vicente de Paulo da nossa Diocese, realizou-se de 9 a 12 de Junho de 2005, uma peregrinação ao Santuário Mariano de Lourdes integrando, para além de vicentinos, elementos da Paróquia de S. Tiago e de outras comunidades, num total de 52 participantes, entre os quais o seu conselheiro espiritual, Sr. P. José Carlos.

Dia 9 – A partir das 4 horas e 30 minutos da manhã, começaram a chegar os participantes, bem dispostos, apesar do “toque de alvorada” ter acontecido mais cedo.

Estava uma óptima manhã, uma temperatura agradável, e às 5 horas rumámos em direcção a Saragoça, antiga capital do Reino de Aragão, situada nas margens do rio Ebro.

O sol depressa fez a sua aparição. Uma suave claridade e uma leve tonalidade avermelhada proporcionaram um belo espectáculo.

Entre o apreciar das várias paisagens e um retemperador e irresistível cochilo, lá fomos devorando quilómetros através da interminável Espanha, tão característica e diversificada.

Chegados a Saragoça, o estômago já começava a ressentir-se. Daí a sentarmo-nos à mesa, pouco demorou.

Após saborear o primeiro prato, houve alguma agitação, pois havíamos sido induzidos em erro, já que aquele não era o nosso restaurante e a ementa, quiçá, não fosse a mesma.

E agora? Após os momentos iniciais de embaraço e estupefacção e a esforçada e rápida intervenção do Domingos Poças, o incidente foi sanado e pudemos concluir em paz a refeição.

Cá fora o sol era então abrasador. O guia que nos devia orientar na cidade acabou por não aparecer. Apesar do desencontro, não desanimámos e fomos visitar a Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, do séc. XVII – XVIII, magnífica pela sua imponência, pela riqueza das suas decorações, pelos belos altares donde sobressaía o da Virgem, pela ambiência espiritual que se respirava.

Daí passámos à Catedral Metropolitana La Seo do Salvador, do séc. XII-XIV, reflexo da fé, da história e da arte de Aragão.

Magníficos, entre outros, são a fachada principal, o retábulo do Altar-Mor, o Cristo de La Seo e o Relicário de San Valero.

De novo tomámos o autocarro, pois esperava-nos uma nova e prolongada etapa.

Após alguns contratempos, (quem nunca se enganou?), cansados, chegámos, por volta da meia-noite ao Principado de Andorra, pequena região dos Pirinéus (465 Km2), colocada desde 1607 sob a soberania conjunta do Presidente da França e do Bispo de Urgel, na Espanha.

A manhã do dia 10 foi ocupada a fazer compras e a visitar alguns pontos de interesse turístico e religioso da capital, Andorra La Vella.

Após o almoço, fizemo-nos à estrada. Os Pirinéus provocaram a nossa admiração e encanto, com os seus picos alcantilados salpicados de neve, com cascatas reluzentes deslizando pelas suas faldas verdejantes onde o gado se banqueteava.

Chegados a Lourdes, sita nas margens do Pau, objectivo primeiro da nossa peregrinação e após o jantar no Hotel de Providence, (tão poupadinhos nos copos, toalhas e guardanapos! Nunca tal se tinha visto! A crise é grande mas nem tanto!), fomos visitar e venerar a Mãe na gruta de Massabielle, onde apareceu a Santa Bernadette de Soubirous, tendo, por feliz coincidência e especial privilégio, assistido à Santa Missa a que se seguiu a Exposição do Santíssimo Sacramento.

Dia 11, houve celebração da Eucaristia presidida pelo P. José Carlos, numa capela lateral do Santuário tendo colocado aos pés da Virgem as nossas intenções a que se seguiu a Via-Sacra e visita às duas basílicas.

Após o almoço e da compra de “souvenirs”, tomámos o rumo de Santilhana Del Mar, na Cantábria.

As extensas planuras verdejantes do sul de França desfilavam perante os nossos olhos.

Densos tufos de vegetação ornavam a paisagem e faziam-nos elevar o pensamento até Deus agradecendo-Lhe as maravilhas que criou e pôs à disposição do homem.

Antes de chegar ao nosso destino, a chuva fez a sua aparição, tendo sido assolados por grossas bátegas de água. A trovoada lá ao longe anunciava-se, com raios rasgando os céus. Porém, e ainda bem, depressa se esfumou.

Chegados a Santilhana Del Mar, fomos confrontados com um pequeno paraíso verdejante, calmo, de bela traça arquitectónica, com belíssimas casas senhoriais, devidamente aproveitadas, um misto de ambiente rural, citadino, respirando história e tradição.

Domingo, dia 12, pela manhã fomos visitar o Museu de Altamira, localidade pré-histórica, célebre pelas suas grutas com pinturas rupestres.

Foi um regresso ao passado, (entre 30.000 e 10.000 anos antes de Cristo).

Uma autêntica lição de história, com pinturas rupestres nas cavernas onde o

homem pré-histórico se viu obrigado a viver, representando figuras de animais, como mamutes, cavalos selvagens e cervos.

Tais obras são por certo, testemunhas de práticas de magia com que o homem acreditava adquirir o controle das forças misteriosas da natureza.

Ossadas, instrumentos utilitários, restos de comida, de cinzas, fizeram-nos pensar que esse homem pré-histórico, rude e selvagem, contribuiu com a sua destreza, habilidade e história para que a nossa, possa hoje existir com o nível de desenvolvimento de que todos nós usufruímos.

Após esta visita, assistimos na Colegiata, à Eucaristia do 11º. Domingo do Tempo Comum, concelebrada pelo nosso pároco e conselheiro espiritual, tendo o presidente da celebração referido, na homilia, o dever de agradecer a Deus por tudo o que Dele recebemos; que “nosso” só é aquilo que fazemos, pelo que devemos dar grátis aquilo que grátis recebemos de Deus.

Após o almoço, iniciou-se a viagem de regresso rumo a Oviedo.

À nossa esquerda, ficavam para trás os flancos escarpados dos Picos da Europa cobertos de densa neblina.

O “reino das Astúrias” aparecia com a sua beleza bucólica, os seus verdes, onde os animais se deliciavam, mesclados de habitações devidamente casadas com a natureza envolvente.

A cordilheira cantábrica, com as suas escarpas imponentes que esmagam o homem pela sua grandiosidade, era ultrapassada através de numerosos túneis rasgados pelo homem no seio da mãe natureza.

Extensos lagos de água amenizavam a paisagem agreste, deliciavam a nossa vista e desafiavam a nossa imaginação.

Entrados na região de Castela-Leão, caracterizada por grandes áreas planálticas, imensos matagais de giestas floridas embelezavam as suas encostas, dando lugar agora a uma paisagem mais sóbria e austera, onde pontificavam os pinheiros, os carvalhos e árvores rasteiras, a lonjura e planura dos campos lioneses e zamoranos devidamente aproveitados economicamente, que é um regalo observar.

Por fim, cansados mas satisfeitos, chegámos a Bragança cerca das 20 horas e 30 minutos onde nos esperavam os familiares, os amigos e o conforto da nossa casa.

“Caminhos” deseja agradecer ao Presidente do Conselho Central Sr. Domingos Poças a sua dedicação, empenho e espírito de sacrifício tidos não só na organização da viagem, com também para que, ao longo dela, tudo corresse bem. É pois merecedor do nosso reconhecimento, bem como a Ex.ª. Câmara Municipal de Bragança que muito generosamente disponibilizou o transporte e pessoal na pessoa dos condutores, Srs. César e Camilo.

Resta realçar o espírito de convívio, entreajuda e compreensão de todos os participantes.

Apesar de tudo, o saldo foi positivo. É uma experiência a repetir.

 

 


CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.


Julho 2005
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
as minhas fotos
As minhas visitas
counter customizable Exibir My Stats
mais sobre mim
pesquisar