Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

04
Out 10

 

 

A breve e singela reflexão, que convosco vou partilhar, subordinei-a ao título – A vertente missionária dos Cursos de Cristandade, considerando que Outubro é, por excelência, um mês missionário. E a melhor forma de a iniciar é recordar um poema de Dom Hélder da Câmara, intitulado “Missão é partir”. E passo a citar: “Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, Quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso eu. É parar de dar a volta ao redor de nós mesmos Como se fôssemos o centro do mundo e da vida. E não se deixar bloquear nos problemas do pequeno mundo a que pertencemos: A Humanidade é maior. Missão é sempre partir, mas não devorar quilómetros. É sobretudo abrir-se aos outros como irmãos, descobri-los e encontrá-los. E, se para encontrá-los e amá-los é preciso atravessar os mares e voar nos céus, Então missão é partir até aos confins do mundo”. Neste contexto, apraz referir que, entre as preocupações dos fundadores do nosso Movimento perante o mundo descristianizado do seu tempo, preocupação, que nos nossos tempos se tem agudizado, sobressaem como linhas fundamentais de acção, a necessidade de uma pastoral de evangelização e de despertar nos homens a fome de Deus. Como sabemos o Movimento dos Cursilhos de Cristandade põe a sua ênfase na forma e na qualidade do que é “ser cristão”, porque quando se é verdadeiramente cristão faz-se melhor tudo o que pode ser feito. E há muito que fazer nestes tempos de ganância e de usura, de profunda crise social geradora de fome, de ausência de solidariedade e de justiça social, de elevados índices de pobreza e de desemprego. Daí que o Movimento deve ler, com olhar evangélico, o “dia de cada dia”, o “dia de hoje” para poder conhecer e evangelizar o homem concreto que connosco se cruza nas esquinas da vida, nos ambientes onde nos movimentamos e que podemos influenciar. Como consta do Ideias Fundamentais, a evangelização ou fermentação dos ambientes, assenta nas seguintes características essenciais: - a opção pela pessoa humana. - a opção por uma pastoral de renovação centrada na evangelização, no renovar do ser cristão, no buscar a experiência de Deus que leva a uma conversão contínua e actuante. - a opção por uma pastoral de anúncio, do anúncio da Boa Nova, da graça e misericórdia de Deus em relação àqueles que O não conhecem ou, conhecendo-O, não O vivem, não O experienciam. Por isso, esta pastoral que é essencialmente missionária deve ir, de preferência, à procura da ovelha perdida. Como refere o Papa Bento XVI, é dever de cada um de nós tornar “Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus”, pois, “cada cristão é na Igreja e com a Igreja, um missionário de Cristo enviado ao mundo”. Ser sinal de esperança no mundo, sinal do amor de Deus é um desafio que nos é lançado, todos os dias. Quem vive o Amor de Cristo na sua vida, não pode calar-se, guardá-lo com exclusividade nem ficar quieto no seu canto. Como dizia D. Hélder da Câmara, é urgente partir de si mesmo e ir ao encontro de todos os irmãos, principalmente daqueles que se encontram em situações de fragilidade, quer económica, quer espiritual. É dever de cada um de nós ter a ânsia de dar a conhecer e de amar Cristo, de ter a obsessão, no bom sentido do termo, de propagar o Reino de Deus, de influenciar, não só as pessoas, mas o próprio meio social quase sempre adverso e hostil à influência cristã. Ser cursista é sentir com agudeza a miséria espiritual do meio ambiente e procurar transformá-lo, é ser uma vasilha transbordante de fé e do amor inebriante de Deus que contaminem e seduzam os outros. Estamos cientes da nossa fragilidade e impotência. As palavras podem desassossegar, mas não chegam, pois, ser cursista, ser apóstolo, ser missionário, exige muita fé, oração, esforço e uma vida plenamente impregnada de Cristo. Quem descobre verdadeiramente Deus, descobre o fundamento da esperança, e procura abandonar o altar do egoísmo e abrir-se à solidariedade e à luta pela justiça universal. A liturgia do vigésimo sétimo Domingo comum fazia-nos este convite: “Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações”, pois este “hoje” da salvação pode ser o último para nós. Na certeza de que “A Palavra de Deus permanece eternamente” é seguro confiar nela, vivê-la e anunciá-la. E termino referindo as últimas palavras de S. Francisco de Assis: “Irmãos, comecemos a servir o Senhor, porque até agora ainda nada fizemos”.

publicado por aosabordapena às 16:30

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