Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

29
Set 04

 

 

 

 

É o mês de Agosto, o mês por excelência escolhido pelo povo para celebrar os seus santos protectores a cuja intercessão recorre quando tem problemas de ordem material ou espiritual, nas doenças, nas aflições ou para agradecer as graças obtidas ao longo de um ano de trabalho.

 

Não há, concerteza, nenhum rincão do nosso Portugal, por bem ínfimo ou ignorado que seja, que não tenha a “sua” festa. 

As ruas das pequenas aldeias, onde esta religiosidade e o pulsar da festa são mais sentidos, animam-se para receber especialmente os familiares que trabalham no estrangeiro e que, por períodos curtos, vêm dar vida a ruas desertas, animar uma população idosa que estoicamente aí permanece, adoçar com a sua presença, vidas agrestes e solitárias, para quem, os tempos em que as aldeias eram aldeias, febris, buliçosas, com muitas crianças, embaladas pelo chiar estridente dos carros de bois, o som alegre dos chocalhos das vacas e o balir das ovelhas, são longínquas e felizes reminiscências, das quais sobrou um repetido e comovente lamento saudosista.

O dia da “festa” é sempre um dia especial. Dia de matar saudades, de cumprimentos esfusiantes, de apetitosos e cheirosos assados no forno, de música, cor e alegria, em que os Santos protectores, solenemente transportados em andores vistosamente engalanados, são associados à “festa”, percorrendo as ruas dos povoados, abençoando os seus fiéis, ao som da banda de música e do estralejar de foguetes, sinais que conferem à festividade imponência e traduzem um sentimento peculiar de celebrar e viver a fé cristã.

As noites quentes de Agosto, calmas e sonolentas, cortadas aqui e além, pelo barulho dos ralos, do coaxar das rãs e do incomodativo ladrar dos cães, transformam-se, em noites de animação, que as barracas de comes e bebes sustentam, os conjuntos de música popular e brejeira animam e a que o fogo de artifício dá um toque de êxtase e magia.

É assim Agosto. Quente, festivo, religioso, popular. Um mês «gaiteiro se for bonito (ou não, digo eu) o primeiro de Janeiro.

publicado por aosabordapena às 14:10

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