Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

27
Jul 02

 

 

Mais de 300 mil pessoas assistiram, no dia 16 de Junho de 2002, na Praça de S. Pedro, em Roma, à cerimónia da canonização, pelo Papa João Paulo II, do Padre Pio.

Aos 15 anos, Francesco Forgione, oriundo de Puglia (Nápoles), teve uma visão e entrou para um mosteiro de Capuchinhos, tendo passado a chamar-se Pio.

Aos 23 anos foi, pela primeira vez, estigmatizado – aparecimento de feridas nas mãos, pés e peito, semelhantes às cinco chagas de Cristo Crucificado.

Estes sinais, aliados ao seu trabalho com os pobres, acabaram por criar à sua volta uma grande devoção popular e fizeram dele uma figura de espiritualidade simples e contagiante.

Morreu em 1968, com 81 anos, tendo sido beatificado em Maio de 1999.

O Vaticano reconheceu como válida, a cura, inexplicada cientificamente, do jovem Matteo Pio Collella, que sofria de meningite, obtida pela intercessão de seus pais, muito devotos do Padre Pio.

No dizer do padre Raniero Cantalamessa, “ o P. Pio é um cireneu do séc. XX. A prova é os seus estigmas mas também as suas larguíssimas jornadas no confessionário. E depois as suas noites dedicadas à penitência, à oração, às lutas com o demónio. Esta é a sua mística de expiação. A sua proposta para o homem dos nossos dias, desorientado pelo materialismo e a secularização, é a santidade. Com o seu exemplo, o Padre Pio, quer-nos dizer que a santidade é um caminho acessível, também hoje”.

 

 

publicado por aosabordapena às 18:57

04
Jul 02

 

 

 

 

Celebra-se no dia 4 de Julho, a festa em honra da Rainha Santa.

É edificante e bela a vida de Santa Isabel, Infanta de Aragão e Rainha de Portugal.

Nasceu em Saragoça, no ano do Senhor de 1271, filha de D. Constança e D. Pedro, Infante herdeiro do Rei de Aragão.

Quando chegou à idade de doze anos, não lhe faltavam pretendentes de diversas Cortes da Europa pedindo-lhe a mão, tão conhecida era já pelos seus dotes e esmerada educação cristã.

Ela, porém, devotíssima como era de S. Francisco de Assis, teria desejado ingressar e viver para sempre entre os pobres e humildes filhos de Santa Clara.

Mas na vontade dos pais, Isabel, vê a vontade de Deus.

Consente casar-se com D. Dinis de Portugal, jovem Rei que tinha apenas 20 anos de idade.

Mas impunha uma condição: que terminasse a guerra que D. Dinis fazia contra a mãe e contra o irmão.

O Rei acede a este desejo da Infanta, faz as pazes e acabam-se, por algum tempo, as lutas, gozando Portugal de grande paz e tranquilidade.

É de realçar o seu carisma de pacificadora, a sua tolerância ilimitada, a sua entrega a Deus, pela meditação e oração fervorosa. Jejuava com frequência e oferecia os seus sacrifícios pela conversão do marido e dos pecadores. A prática de obras de caridade completava a sua vida plena de santidade.

D. Dinis, gravemente doente, nomeia então a Santa Rainha como sua testamenteira, pois, explicitou: “estou certo de que fará por mim e pela minha alma tudo o que puder e deve fazer”.

No dia 7 de Janeiro de 1325, aos sessenta e quatro anos de idade, o Rei morre em Santarém, depois de beijar o crucifixo que lhe oferecera a esposa, D. Isabel.

Após a morte de D. Dinis, D. Isabel, ingressou na Ordem Terceira de Penitência de S. Francisco de Assis, e vestindo o hábito de Clarissa, refugiou-se nos aposentos que possuía junto do Convento de Santa Clara em Coimbra.

No dia 4 de Julho de 1336 cerrou os olhos suavemente, como num doce sonho, para acordar na glória do céu.

A sua morte foi muito sentida em todo o Reino de Portugal.

Foram inúmeros os casos milagrosos que aconteceram nas suas exéquias, bem como ao longo da sua vida.

A Rainha Santa Isabel foi canonizada pelo Papa Urbano VIII, no dia 25 de Maio de 1625.

Santa Isabel, com a sua extraordinária formosura, vivendo no meio do fausto da corte e das tentações mundanas, ensina-nos que é possível atravessar vitoriosamente o mundo e caminhar para os céus, nossa pátria definitiva, vivendo uma vida de virtude.

 

publicado por aosabordapena às 14:40

13
Jun 02

 

 

Celebra-se no dia 13 de Junho, a festa litúrgica de S. António de Lisboa, teólogo e pregador franciscano, um dos portugueses mais conhecido e festejado em todo o mundo.

É grande a devoção ao Santo dos Milagres. Poucas serão as vilas, aldeias e cidades, onde não haja igreja, ou ermida, onde ele não disponha de um altar para atender os seus devotos.

E todos lidam com o Santo português, como se fora um parente ou amigo sempre disponível e prestável.

Tudo lhe pedem, para tudo lhe batem à porta.

Coração a transbordar de compaixão e de ardentíssima caridade, S. António é, fervorosamente, interpelado nas mais variadas situações: é o padroeiro dos pobres, o auxílio de quem anda à procura de coisas perdidas, apaziguador de arrufos de namorados, mediador e padrinho de casamentos; noutros tempos, comandou os exércitos de Portugal.

Os seus sermões, incisivos, conseguiram converter para o Senhor, multidões.

Não admira, pois, que os portugueses se sintam orgulhosos do seu Santo, lhe prestem culto fervoroso e o tragam sempre no coração.

A sua vida está envolta em maravilhosas lendas contadas pelo povo, ou em livros anotadas.

Entre elas, figura o célebre sermão que S. António pregou aos peixes, deliciosa e poética alegoria, demonstrativa das dificuldades que encontrou, de princípio, no seu apostolado e que soube tornear, pela energia e encanto do seu falar.

“Ouvi a palavra de Deus, vós, peixes do mar e do rio, já que os infiéis hereges a desprezam.

…À notícia do prodígio acorreu a gente da cidade, incluindo também os hereges, e ao verem tão extraordinária maravilha, de coração compungido caíram aos pés do Santo a rogar-lhe que também a eles fizesse sermão. E S. António com tanta eloquência lhes pregou da Fé Católica, que aos hereges a todos converteu e aos fiéis os confortou na sua crença”.

 

 

publicado por aosabordapena às 17:51

27
Mai 02

 

 

Relatam os Evangelhos que S. José era um homem justo.

A obediência incondicional às ordens dos Anjos, a aceitação plena dos desígnios de Deus a seu respeito, fizeram do esposo virginal de Maria, Pai adoptivo do Salvador, o Santo da obediência, modelo exemplar de pai, dedicado ao bem-estar da família, através duma presença discreta,

mas constante e activa, modelo de trabalhador consciente e honesto, que mercê do seu amor

e labor, provê às necessidades materiais da sua família.                                                      

As revelações particulares, completam a descrição do comportamento e vida de S. José, com

vários pormenores, que não sendo verdades de fé, nos ajudam, piedosamente, a compreender

a sua grandeza como homem, como santo.

Calar, rezar, trabalhar, sorrir, foi o seu modo de ser e de estar.

No livro das suas revelações, Santa Brígida da Suécia, constituída pelo Santo Padre João Paulo II, em 1999, padroeira da Europa, juntamente com Santa Catarina de Sena e Santa Edith Stein, escreve que Nossa Senhora lhe disse, numa das suas aparições, estas palavras referentes a seu bendito esposo: «Foi tão recatado José nas suas palavras, que nenhuma saiu de sua boca que não fosse santa e boa. Foi varão pacientíssimo, diligentíssimo no trabalho, exímio na pobreza, mansíssimo nas injúrias, obedientíssimo às minhas palavras, forte e constante contra os meus inimigos, testemunha fidelíssima das maravilhas de Deus. Morto para a carne e para o mundo, tão vivo para o Senhor e para os bens celestiais, só desejava estar unido à vontade de Deus e tão resignado nela, que muitas vezes repetia: “Faça-se em mim a vontade de Deus; viva eu o que Deus quiser, para que veja cumprida a sua divina vontade”. Falava pouco com os homens, mas continuamente com Deus».

S. José é, pois, para os cristãos um modelo de virtudes, um exemplo de santificação no trabalho profissional e no cumprimento dos deveres quotidianos.

Converter o trabalho, por mais insignificante e escondido que seja, em oração, é um dos caminhos que o Senhor nos disponibiliza para alcançar a Bem-Aventurança eterna.

 

 

publicado por aosabordapena às 17:44

09
Fev 02

 

 

 

Celebrou-se no passado dia 9 de Janeiro, o centenário do nascimento do fundador do Opus Dei, beato Josemaría Escrivá (1902-1975), beatificado pelo Papa João Paulo II, em 17 de Maio de 1992.

Sua Santidade aprovou, no dia 20 de Dezembro de 2001, um decreto que reconhece a cura milagrosa de um médico espanhol que padecia de uma grave doença nas mãos.

Josemaría Escrivá abriu novos caminhos de santidade na Igreja Católica, recordando que todos os homens e mulheres podem alcançar a santidade, realizando o seu trabalho e actividades quotidianas, com espírito cristão.

Aquando da sua beatificação, o Papa destacou o seu papel na chamada universal à santidade e ao apostolado, com relevo para a vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo.

O Opus Dei, recorde-se, é uma prelatura pessoal da Igreja Católica, com sede em Roma.

Actualmente, fazem parte da prelatura cerca de 80 mil pessoas dos cinco continentes.

A finalidade do Opus Dei é contribuir para a missão evangelizadora da Igreja, promovendo entre os fiéis cristãos de todas as condições, uma vida plenamente coerente com a fé, nas circunstâncias vulgares da existência humana, especialmente através da santificação do trabalho.

A prelatura propõe-se recordar que todos os cristãos, seja qual for a actividade secular a que se dediquem, devem cooperar na solução cristã dos problemas da sociedade e dar testemunho constante da sua fé.

 

PS: Josemaría Escrivá foi proclamado santo em 6 de Outubro de 2002 pelo Papa João Paulo II, na Praça de S. Pedro em Roma, perante uma grande multidão.

 

publicado por aosabordapena às 18:26

05
Ago 01

 

Celebra a Igreja no dia 28 do corrente, a festa de Santo Agostinho, Bispo de Hipona (354-430).

Depois de uma mocidade agitada, o filho de Santa Mónica, foi atraído à vida religiosa pelas prédicas de Santo Ambrósio, chegando a ser o mais célebre dos Padres da Igreja latina.

As suas obras principais são: A Cidade de Deus, O Tratado da Graça e as Confissões.

Como refere o Padre António Vieira, “Agostinho, no livro das Confissões, pôs as erratas da vida”, louvou a Deus e exaltou a infinita misericórdia do Senhor, após O ter encontrado. “Sois grande Senhor, e infinitamente digno de ser louvado. É grande o Vosso poder, e incomensurável a Vossa sabedoria”.

O homem “fragmentozinho de criança”, sente-se, por vezes, perdido, desnorteado, insatisfeito consigo mesmo e com os outros. O seu dia a dia é vivido de forma amorfa, sem qualquer vislumbre de espiritualidade.

A descrença assenta arraiais. O bem-estar material, o poder e o dinheiro não conseguem tornar a vida mais suportável. Quem não crê em Deus, chega a odiar a própria existência.

Que falta, então, para que haja felicidade? Que calafrio é este que perpassa pelo corpo e invade o íntimo do homem? A resposta está no Senhor.

Como Santo Agostinho, é preciso direccionar a bússola da existência para Deus: “Existiria eu se não estivesse em Vós, de Quem, por Quem e em Quem todas as coisas subsistem? Para onde Vos hei-de chamar, se existo em Vós?”

Esta certeza de que Deus está no homem e o homem em Deus é uma força impulsionadora para O descobrir, para O aceitar, como fim último desta vida transitória que passa velozmente, rumo ao além. “Quem me dera repousar em Vós! Quem me dera que viésseis ao meu coração e o inebriásseis com a Vossa presença para me esquecer de meus males e me abraçar Convosco, meu único bem!”

Para que tal aconteça é necessário o reconhecimento do pecado, um arrependimento sincero, rezar para não voltar a cair, um firme propósito de, dia a dia, avançar, cada vez mais, na perfeição e ter a coragem de rapidamente recuperar, quando tropeçando, houver uma caída.

Invocar o Senhor, o Senhor que se entristece e alegra com o filho pródigo, o Senhor da misericórdia e do perdão, é um acto de amor filial, de disponibilidade e de aceitação.

Como Santo Agostinho, digamos: “Não me escondais o rosto. Que eu morra para O contemplar, a fim de não morrer eternamente! A minha alma é estreita habitação para Vos receber; dilatai-a, Senhor. Ameaça ruína, restaurai-a. Tem manchas que ferem o Vosso olhar. Eu o reconheço e confesso”.

 

 

publicado por aosabordapena às 19:46

05
Dez 00

 

Transportemos o nosso pensamento para a Galileia e, mais concretamente, para a cidade de Nazaré, ao lar da Sagrada Família.

Sendo aparentemente uma família igual à do seu e nosso tempo, é contudo, por especial eleição divina, modelo para todos os cristãos.

Maria, que se “perturba” aquando do anúncio pelo anjo Gabriel de que conceberia e daria à luz o filho do Altíssimo, obedece à vontade de Deus.

Reconhecendo a sua fragilidade e receio perante tamanho desígnio, não hesita e manifesta uma disponibilidade total, tornando-se “escrava do Senhor”.

Maria, jovem mãe, concebendo em seu seio Aquele cujo “reinado não terá fim”, não se envaidece perante as suas vizinhas e amigas, mas, antes, na sua humildade, glorifica ao Senhor.

S. José é o marido e pai incansável, que trabalha de sol a sol para o sustento do lar, o homem justo que se preocupa com o bom-nome da família e com o seu bem-estar.

O seu respeito por Maria, o saber estar, discreto, mas sempre presente, o braço amigo que acaricia, conforta e auxilia, são atributos, que fazem de S. José o modelo ideal para todo o pai e marido.

E que dizer de Jesus Menino? Apenas que lhes “era submisso” e que “crescia em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens”.

É esta Sagrada Família que celebramos no último dia deste ano jubilar 2000, dia especialmente escolhido pela diocese para o Jubileu das Famílias.

Melhor motivação não podia haver. A época é propícia à renovação do compromisso assumido no casamento, propícia a uma reflexão acerca do “modus vivendi familiar”, à revitalização das relações familiares.

Vivendo numa sociedade onde as relações entre as pessoas são muitas vezes de anonimato, de rivalidade e de egoísmo, é a família aquele oásis, onde se goza o calor humano que alimenta e faz florescer a felicidade.

A saúde relacional de um povo e também da Igreja depende da vitalidade que reina na mais pequena célula da sociedade e da Igreja, que é o lar familiar.

Se aí existe respeito mútuo e forem cultivados os valores da fraternidade, da justiça, da paz, da partilha, da simplicidade, da verdade e responsabilidade, a sociedade ficará mais enriquecida e humanizada, e as relações interpessoais mais facilitadas.

Se na família há amor, este transbordará e inundará os corações de todos aqueles cuja história pessoal com ela se cruzar, e é sinal de que aí habita Deus.

Neste fim de Ano Jubilar, roguemos ao Senhor que fortaleça a nossa família, que o Espírito Santo a transforme em verdadeira “igreja doméstica” e que o terceiro milénio que se avizinha, traga a todas as famílias do mundo, paz, prosperidade e as maiores felicidades em Cristo Senhor.

 

 

 

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 19:50

03
Out 00

 

 

 

É S. Vicente de Paulo o patrono da nossa Sociedade. Frederico Ozanam e seus companheiros não podiam ter escolhido modelo mais apropriado. Em toda a sua vida, procurou amar a Deus nos pobres, no seu dizer «nossos irmãos, nossos amos».

Mas quem foi este homem, cujo pensamento espiritual e obra reflectiram e aprofundaram as relações entre a pobreza e a caridade?

S. Vicente de Paulo nasceu em França, numa aldeia chamada Pouy, no ano de 1581, e a sua vida foi repleta de graças e bênções do Senhor. Seus pais eram lavradores pobres, mas bons cristãos.

Era preciso trabalhar muito para dar de comer aos filhos que Deus lhes havia dado. Desde pequeno, Vicente dedicou-se a guardar um pequeno rebanho de ovelhas e, mais tarde, de porcos. A sua grande inclinação ia porém para os livros. As intermináveis horas de pastoreio, passava-as a ler e a escrever.

Alguém, um dia, descobre este jovem, dotado de imensas qualidades e de invulgar inteligência e paga-lhe os estudos superiores.

A sua bondade atraía a si quantos o rodeavam. Não podia ver ninguém a sofrer. Se via alguém mais pobre do que ele, pegava em tudo o que levava e, sem chamar a atenção, como se fosse a coisa mais natural do mundo, entregava-o a quem precisava.

O pai tinha uma saca de farinha no celeiro. Quando algum pobre lhe batia à porta, Vicente de Paulo abria-lha logo e dava-lhe um pouco de farinha.

Um dia, o pai, carinhosamente, disse-lhe: «Meu filho, se continuas assim, levas-nos à ruína». E com um forte abraço estreitou-o ao coração.

Apesar da bondade do seu coração, Vicente de Paulo não nasceu santo, mas fez-se, combatendo as suas más inclinações.

Contam os seus biógrafos que certa ocasião vendeu, como se fosse seu, um cavalo alugado, e com o dinheiro conseguido, fugiu de casa, por algum tempo. Noutra ocasião, enganou os superiores do Seminário acerca da sua idade, sabendo que não podia ser ordenado sacerdote aos 19 anos.

Estes factos podem e devem servir de reflexão a todos os cristãos. Reconhecidos os erros e implorada a graça de Deus que não falta a quem a pede, com humildade e confiança, o nosso Deus, Deus de misericórdia e de perdão, está sempre disposto a perdoar e a ajudar-nos, como fez ao jovem Vicente.

Contudo, o gesto de dar e de se condoer dos pobres, viria a ser no futuro «a razão da sua existência».

publicado por aosabordapena às 15:16

08
Jun 00

 

 

Os dias 12 e 13 de Maio do ano 2000 ficarão na história da Igreja e do País, como marcos indeléveis e irrepetíveis.

A vinda, pela terceira vez, de Sua Santidade, o Papa João Paulo II, a Portugal, a beatificação dos dois irmãos, Francisco e Jacinta Marto, e a revelação da terceira parte do segredo de Fátima, foram pontos altos da 83ª Peregrinação comemorativa das Aparições, na Cova da Iria.

Os 650.000 peregrinos, representantes de 21 países, que foram testemunhas de gestos e sinais sem precedentes, protagonizados por João Paulo II, não olvidarão, tão depressa, esta jornada memorável de afirmação de fé e de alegria.

Um frémito caloroso de emotividade percorreu a imensa multidão concentrada no Santuário, quando o Papa apareceu na Cruz Alta.

Os cânticos, o desfraldar das bandeiras, os braços acenando, a satisfação estampada nos rostos, os vivas e saudações, transformaram a realidade temporal envolvendo num ambiente de euforia a que o Papa correspondia, acenando com ternura.

O seu semblante sereno, o seu sorriso e o seu olhar paternais calaram fundo no coração de todos.

A sua imagem física, denotando, simultaneamente, sofrimento, coragem e vontade de querer estar, ficará, indelevelmente, na retina de todos os que a puderam visualizar.

Chegado à Capelinha das Aparições, onde, como peregrino, vem agradecer à Virgem o dom da vida, são solicitados uns minutos de silêncio e feito um convite para acompanhar o Papa na sua oração. Um calafrio percorreu o recinto. O silêncio era total. O coração de todos, as preces no silêncio das almas, unem-se ao Papa, durante seis preciosos minutos, após o que, ele próprio convida para rezar em conjunto uma Avé Maria.

De joelhos em terra, é o primeiro sinal de comunhão que a todos une e toca profundamente e que, por certo, muito terá sensibilizado a Senhora de Fátima.

Segue-se outro gesto de profundo significado. João Paulo II levanta-se e caminhando com esforço, deposita junto à Virgem um anel que lhe havia sido oferecido, aquando da sua sagração papal.

É a entrega total do seu pontificado, o tudo da sua vida, ali doado à Virgem.

Terminado o primeiro dia, João Paulo II recolhe à Casa de Nossa Senhora do Carmo, onde pernoita e recupera forças para o dia seguinte.

Os peregrinos, após as cerimónias, permanecem no Santuário, defendendo o metro quadrado onde se situam e que lhes iria proporcionar o melhor local para assistir à proclamação solene da Beatificação dos Pastorinhos, a qual ocorreu, eram exactamente 9 horas e 54 minutos.

Grande ovação ecoou nos céus de Fátima. Francisco e Jacinta são declarados Beatos e a sua festa é fixada no dia 20 de Fevereiro. A Igreja ficou mais enriquecida e a irmã Lúcia sorriu docemente.

Na homilia da celebração eucarística, o Sumo Pontífice realçou a importância da educação das crianças, e realçou o comportamento de Francisco e Jacinta, que apontou aos milhares de crianças de diferentes regiões do País ali presentes, como exemplos, e recordou os males e as muitas vítimas do último século do segundo milénio.

Terminada a Eucaristia, aconteceu um duplo adeus: adeus à Virgem, mais uma vez repetido na Cova da Iria, mas, que, nem por isso, deixa de constituir um dos seus sinais mais expressivos e sempre comovente, com centenas de milhares de lenços brancos acenando à Senhora de Fátima, num gesto de súplica e gratidão. O outro adeus, foi ao Papa, que ouviu os peregrinos cantar-lhe os “parabéns a você” antecipados, do seu 80º aniversário natalício.

Visivelmente feliz, o Santo Padre corresponde, abençoando.

É a hora da despedida. A multidão começa a movimentar-se e o recinto, paulatinamente, esvazia-se, sob o olhar atento das duas crianças recém beatificadas.

 

 

 

 


08
Jan 00

 

 

 

 

 

                          

 

No passado mês de Outubro, o Santo Padre João Paulo II, proclamou como Padroeiras da Europa, Santa Edite Stein, Santa Catarina de Sienna e Santa Brígida da Suécia.

O continente europeu vê, assim, acrescidos aos seus Santos protectores, São Benedito de Nórcia, pai das ordens de monges ocidentais e dos dois irmãos Cirilo e Metódio, apóstolos dos povos eslavos, os rostos femininos acima enunciados.

Com este gesto, pretendeu o Papa sublinhar o grande papel que as mulheres tiveram e têm na história da vida da Igreja e na vida social, de que são as principais obreiras, cujos méritos nem sempre foram reconhecidos e exaltados.

Edite Stein, proclamada santa pelo próprio João Paulo II, era uma mulher de origem hebraica, convertida ao catolicismo e que deixou uma carreira brilhante de cientista para se consagrar à vida religiosa com o nome de Teresa Benedita da Cruz. Morta no campo de extermínio de Auschwitz, “ela é sem dúvida um símbolo dos dramas desta Europa”.

Brígida da Suécia e Catarina de Sienna, que viveram no séc. XIV, dedicaram as suas vidas à resolução dos problemas que afligiam a Europa dos seus tempos.

Brígida, consagrada à vida religiosa, depois de ter sido esposa e mãe feliz, percorreu a Europa, do Norte a Sul, dedicando-se à união dos cristãos.

Catarina trouxe a paz à sua conflituosa cidade – Sienna, na Itália, e conseguiu que o Papa deixasse Avignon, como sede pontifícia e voltasse a Roma.

Os seus exemplos de vida e acção constituem fonte de “inspiração para os cristãos e para as comunidades de todas as crenças e religiões, assim como para os cidadãos e Estados europeus, sinceramente empenhados na procura da verdade e do bem comum”.

Nestes tempos conturbados, em que a Europa continua dilacerada pelas feridas da guerra, pelo ressurgimento de ideias xenófobas, pela atrocidade inaudita das limpezas étnicas, peçamos às novas Santas Padroeiras europeias que influenciem os políticos, no sentido da paz e do bem-estar e conduzam todos os cidadãos europeus à sua renovação moral e cristã.

 

 

 

publicado por aosabordapena às 15:15

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