Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

12
Jan 00

 

 
   Confrontado com cerrados ataques à sociedade cristã do seu tempo, por esta ver na esmola, uma forma de fomentar a pobreza, Ozanam responde de maneira nobre, sem atacar os seus adversários, contrapondo com a beleza do seguinte texto que vale a pena meditar: “A esmola é a retribuição dos serviços que não recebem salário. Porque, aos nossos olhos, o indigente que assistimos nunca será o homem inútil que vós supondes. Nas nossas crenças, o homem que sofre, serve a Deus, serve também a sociedade, como aquele que reza.
   Aos nossos olhos, cumpre um ministério de expiação, um sacrifício cujos méritos recaem sobre nós; temos menos confiança para abrigar as nossas cabeças sob o pára-raios dos nossos telhados do que sob a oração desta mulher e destas crianças que dormem sobre um molho de palha, num quarto andar.
   Não digais que, se consideramos a miséria como um sacerdócio, a queremos perpetuar; a mesma autoridade que nos assegura que pobres, sempre os haverá, também nos ordena que façamos tudo para que não os haja mais”.
   Estas palavras de Ozanam tiveram o condão de repor no seu devido lugar, o verdadeiro sentido da esmola, esse gesto de amor que consubstancia a caridade para com o próximo, a fé em Deus e o amor infinito de Deus para com os que a recebem e os que a praticam.
   O mérito de Ozanam e dos seus amigos foi o de ter querido reabilitar o pobre, que, sendo também filho de Deus, é um homem que merece como qualquer outro, consideração e respeito.
   Num mundo de egoísmo e materialismo declarados, não hesitaram em viver a sua fé, alimentando-a com obras de caridade.
   Tal estratégia surtiu efeito e encontrou eco ao longo dos tempos.
   Hoje, centenas de milhar de vicentinos sentem-se reconhecidos diante do Senhor, pelo exemplo de tenacidade que estes jovens de vinte anos, agrupados à volta de Frederico Ozanam lhes proporcionaram e cujo espírito de caridade acolheram, dando continuidade à sua obra, pois a caridade, além de não ter fronteiras, é uma virtude perene que muito agrada a Deus.
publicado por aosabordapena às 15:43

18
Dez 99

 

 
Ozanam não negava a necessidade e os direitos da justiça.
Por certo, subscreveria totalmente as palavras do académico e filósofo francês Henri Bergson, laureado, em 1927, com o prémio Nobel da Literatura: “É a caridade que abre caminho à justiça”. E teria concordado com Georges Bernanos, escritor francês de inspiração católica: “Uma justiça sem amor torna-se uma besta selvagem”.
Ozanam, para melhor defender a assistência, preocupava-se, claramente, em distinguir a assistência que humilha, da assistência que honra.
Aquela, só se preocupa com as necessidades terrestres, com os sofrimentos da carne, da fome, do frio e de tudo o que provoca compaixão. Denuncia os que praticam mal a caridade, os mais pródigos em discursos do que em sacrifícios, os filantropos e beneficentes indiscretos.
Esta última vai mais longe. Além das carências materiais que procura suprir, com modéstia, eficiência e em espírito de partilha, ocupa-se, primeiro, das necessidades espirituais.
Trata o pobre, não só com respeito mas como igual, até mesmo como superior, pois o pobre “está no meio de nós como um enviado de Deus, para provar a nossa justiça e a nossa caridade e para nos salvar com as nossas obras”.
Não humilhar os pobres e lutar pela sua reabilitação social, foi prioridade na vida de Frederico Ozanam.
 
publicado por aosabordapena às 14:40

26
Nov 99

 

Desde a fundação das Conferências de S. Vicente de Paulo, foi notória a preocupação de Frederico Ozanam, em conservar o seu carácter original, recusando que as mesmas se tornassem “um partido, uma escola, uma confraria”.
Exigia que fossem “profundamente católicas, sem deixarem de ser laicas”.
Algum tempo antes de morrer, tendo posto a sua vida, como dizia, ao serviço dos estudantes e dos pobres, pronunciou esta frase anunciadora de uma nova forma de proceder dentro da família de Deus: “Apressai-vos para o encontro sagrado em que o leigo se encontra associado ao padre, na obra da redenção universal”.
Frederico temia que as Conferências se transformassem numa instituição filosófica e burocrática, em que o coração pouco contasse.
Insistia na caridade entre os seus membros, na amizade pelos pobres, nas virtudes de resignação e coragem, advertindo que o farisaísmo se insinua sub-repticiamente, nos gestos e comportamentos de muitos cristãos, pelo que urge agir com humildade, não só individual, como sobretudo colectiva.
Em carta endereçada à menina Soulacroix que viria a ser sua esposa, Ozanam refere que “Deus se compraz em abençoar o humilde”.
Corria o ano de 1848, tempo de reivindicações, em que a assistência gratuita aos pobres e à escola, pilares em que assentava a acção das Conferências, era combatida em nome da política, havendo muitos cristãos que levaram a paixão pela política ao ponto de esquecerem a caridade.
Ozanam, vindo em defesa da sua obra, sublinha que “a política só tem em conta a justiça e, como a espada, que a simboliza, fere, corta e divide. Pelo contrário, a caridade tem em conta as fraquezas: cicatriza, reconcilia, une, e esta coisa eterna é também soberanamente progressiva, pois tem como próprio, não se contentar com nenhum progresso, não encontrar descanso, enquanto houver um mal sem remédio”.
publicado por aosabordapena às 18:21

29
Out 99

 

 

   Fundada em 1833 a Sociedade de S. Vicente de Paulo, Ozanam e os amigos foram ter com o seu pároco, P. Olivier, para lhe perguntar que pobres deviam socorrer.
   Se a primeira abordagem foi difícil, por se tratar dum eclesiástico que desconfiava das iniciativas dos leigos, tal foi rapidamente ultrapassado, dada a convicção e empenho demonstrados.
   A Sociedade, organiza-se então com o apoio experiente da Irmã Rosália que, desde sempre encorajou sem hesitação, estes oito jovens e divide-se em secções: oito em França e uma em Roma.
   Decorridos 12 anos após a sua fundação, as Conferências contavam já com nove mil membros.
   Indiferentes aos sarcasmos e zombarias que alguns lhes dirigiram, nomeadamente o seu colega Pedro Chéruel, futuro historiador, “não passais duns pobres jovens e tendes a pretensão de socorrer as misérias de Paris. Num instante, faremos pela humanidade o que só em vários séculos vós poderíeis fazer”, não lhes resta outro caminho senão prosseguir sorrindo. Estavam convictos da justiça da sua missão.
   A sua força era reavivada pela amizade que os havia reunido, e pelo exemplo dos “confrades” que se erguiam um pouco por toda a França e no estrangeiro.
   A aprendizagem efectuada não foi junto da cátedra de professores, mas sim junto dos pobres, servindo-os e testemunhando “que eles são, depois de Cristo os nossos senhores, as imagens sagradas de Deus a Quem não vemos mas a Quem amamos”.
   Eram oito os jovens cujo coração se encontrava impregnado de humildade e caridade.
Cada um deles teria podido reivindicar o título de fundador ou de co-fundador das Conferências de S. Vicente de Paulo.
   Porém reconhecem, com toda a naturalidade, o papel eminente desempenhado por Ozanam, assumindo tal, em declaração de 30 de Março de 1856 (três anos após a sua morte), a qual foi assinada por quinze “membros da primeira Conferência de Saint Étienne – du – Mont, em Paris”.
 
publicado por aosabordapena às 16:15

18
Set 99

 S. Vicente de Paulo

 
 
Frederico Ozanam sente-se inquieto, e juntamente com um amigo, passa das palavras e dos sentimentos para a acção concreta.
No bairro onde moravam, vivia um pobre homem, num sótão, a quem levaram lenha para o Inverno; no dizer do padre Ozanam, irmão de Frederico, “foi a centelha que em pouco tempo, devia incendiar, no fogo divino da caridade, a Sociedade de S. Vicente de Paulo”.
Na sociedade de então, digladiavam-se uma burguesia orgulhosa, embrenhada na ciência e na indústria e o mundo dos operários e dos explorados, cuja situação poderia desembocar em graves revoltas sociais.
Ozanam não ignora a gravidade da situação e atento aos sofrimentos dessa gente, proclama que “é preciso envolver a França numa rede de caridade”.
Era preciso agir e não ficar pelas boas intenções. Ozanam e alguns dos seus amigos decidem então criar uma Sociedade em que, entre amigos, só se tratasse de religião e de caridade.
Assim se fez, e posteriormente foi decidido tomar por patrono S. Vicente de Paulo, tendo Ozanam, na ocasião produzido o seguinte comentário: “Reflecti bem, pois acabais de tomar uma grave decisão, porque um Santo patrono, não é uma insígnia banal para uma Sociedade, como um S. Dionísio ou um S. Nicolau para um cabaret. Nem sequer um nome honorífico, sob o qual se pode fazer boa figura no mundo religioso.
É um “modelo” que nos devemos esforçar por realizar, como ele mesmo realizou o modelo divino de Jesus Cristo. É uma vida que se deve continuar, um coração no qual devemos aquecer o nosso, uma inteligência na qual devemos procurar as luzes; é um modelo na terra e um intercessor no céu …”
 
publicado por aosabordapena às 14:33

12
Ago 99

 

     Crucifixo de Ozanam sempre presente no seu escritório
 
   Frederico Ozanam e os seus companheiros frequentavam a Conferência de História a qual decorria nas instalações dos Bonnes – Études, em Paris.
   Aberta a todas as tendências, fácil é imaginar o choque de opiniões, a discussão viva das ideias e pensamentos que estes jovens de 20 anos, calorosamente apresentavam.
Ozanam sobressaía com a sua inteligência e erudição, e o seu ascendente era naturalmente aceite, dada a modéstia que dele emanava.
   Depressa, porém, se deram conta que as discussões eram sobretudo de ordem política, campo que Ozanam e os seus amigos liminarmente rejeitaram, tendo enveredado pela formação de uma comissão que assumiu o encargo de aí apresentar temas e intervenções de carácter cristão, tendo, nomeadamente, chegado a propor que se realizassem reuniões onde só se tratasse de vida cristã e de caridade.
   Certo dia, um jovem aproveitou uma intervenção para se insurgir contra o Cristianismo, dizendo: “Outrora o Cristianismo fez prodígios, quem o contesta? Mas hoje o Cristianismo está morto. Na verdade, vós que vos gloriais de ser católicos, que fazeis? Onde estão as obras que mostrem a vossa fé e que nos levem a respeitá-la e admiti-la?”
Ozanam sentiu-se atingido em cheio. Os seus olhos já haviam visto situações de miséria: miséria do espírito, do coração, misérias do corpo.
   O desenvolvimento súbito das ciências e a deficiente organização social tinham deixado sequelas como o aumento da miséria e a proliferação de indigentes.
   Ampère, célebre matemático e físico francês, por quem Ozanam tinha grande apreço, comentava: “Se possuísse tudo o que o que se pode desejar no mundo para ser feliz, faltar-me-ia ainda tudo: a felicidade do outro”.
   Ozanam angustia-se com a situação e impulsionado pelo exemplo do pai e da mãe, reflecte sobre o repto que lhe havia sido lançado e decide-se. “É verdade, respondeu, falta-nos uma coisa: as obras de caridade. A bênção dos pobres e a bênção de Deus”.
 
 
 
publicado por aosabordapena às 15:51

02
Jul 99

 

Pertencer à Sociedade de S. Vicente de Paulo é uma forma de exercer apostolado. Através da partilha de bens, da prática da caridade autêntica, o vicentino é o intérprete fiel da Palavra de Deus. “Vinde, benditos de meu Pai, recebei em herança o Reino que vos está preparado, desde a criação do mundo, porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber; era peregrino e recolhestes-me; estava nu e destes-me de vestir: adoeci e visitastes-me; estive na prisão e fostes ter comigo” (Mt 25, 34-36).

Tendo como alicerce esta preocupação pelos excluídos que o Apóstolo tão claramente evidencia, Frederico Ozanam e seus companheiros, inspirados pela graça do Espírito Santo, são chamados a participar “pessoal e directamente” no “serviço dos pobres” através do “contacto de homem para homem” e dentro duma organização de leigos comprometidos no mesmo espírito de serviço e missão.

O vicentino não distribui somente bens materiais mas deve ir mais longe; deve procurar o diálogo pessoal, sem paternalismo, e no respeito pelas pessoas, partilhar amizade e manifestar disponibilidade para ouvir.

Esta é a forma de ser e de estar do vicentino.

Se sentes angústia pelo sofrimento alheio; se no teu íntimo te revoltas, quando verificas situações de injustiça; se, sendo cristão vives uma fé sem chama e te sentes adormecido e inquieto, então, não hesites, vem e adere às Conferências da Paróquia. Aí encontrarás um grupo de amigos e amigas que comungam dos teus ideais.

Aí encontrarás uma forma activa de praticares a caridade, minorando o sofrimento dos mais necessitados. Farás bem aos outros e contribuirás decisivamente para a tua salvação.

Se porém tiveres dúvidas e te sentires indeciso, medita e interroga-te acerca das palavras do Apóstolo: “Aquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como estará nele o amor de Deus?” (I Jo 3, 17).

 

 

publicado por aosabordapena às 18:55

02
Abr 99

 

 

Corria o ano de 1833. O jovem estudante de Direito, Frederico Ozanam e alguns dos seus amigos, sentiram nos seus corações o desejo ardente de se unirem para o serviço dos pobres.

Cada um, atenta a sua vida profissional e familiar, executava essa tarefa de maneira humilde e discreta. E faziam-no, porque sentiam a necessidade de viver a sua fé cristã, mais por obras do que por palavras.

Nos pobres, imagem visível de Cristo sofredor, este grupo de jovens, reconhecia não só a dignidade dos homens envoltos nas suas misérias e repudiados pelo mundo, como também a dignidade de primazia no reino do céu que as bem-aventuranças lhes conferem.

Os membros da Sociedade de S. Vicente de Paulo, oriunda do sentir e das aspirações de Frederico Ozanam e seus companheiros, ontem como hoje, privilegiam o contacto pessoal com os que sofrem, partilham os bens que Deus lhes emprestou, na medida das suas possibilidades e querer, o seu tempo e presença, de modo a proporcionar-lhes alguns momentos de felicidade e bem estar.

Estas formas de estar e de ser, contribuem decisivamente para o aprofundamento da vida espiritual de quem a elas adere.

Por isso, “se hoje ouvires a voz do Senhor”, não hesites.

As Conferências de S. Vicente de Paulo, masculina ou feminina, receber-te-ão de braços abertos.

 

 

publicado por aosabordapena às 20:48

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