Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

26
Out 12

 

 

É tempo de outono

Tempo de simbolismo,

Nostalgia e solidão,

De folhas amarelecidas

Atapetando o chão.

É outono

De verde amarelo tecido.

É outono.

O da vida

É tempo de obscuridade

E ansiedade,

De longos silêncios

De temores

E dúvidas galopantes.

Resta a saudade

E o passo... sempre apressado

Rumo à Outra Cidade

 

 

publicado por aosabordapena às 13:27

20
Out 12

 

 

 

Chama-nos, Senhor,

Para trabalhar na Tua vinha.

Faz-nos deixar “o barco e a rede

E o pai Zebedeu”.

Faz-nos percorrer os caminhos da vida

Proclamando que o “Reino do Céu está perto”,

Sem exigir nada em troca,

Pois quem “recebe de graça

Dá de graça”.

Que o “ouro, a prata e o cobre”

Não nos tolde a visão

E endureça o coração.

Contrata-nos, Senhor.

“Não nos deixes ficar

Todo o dia sem trabalhar”,

Mas manda-nos “anunciar a Boa Nova

De aldeia em aldeia”.

Inclui-nos, Senhor,

Numa nova “Missão dos 72”

E envia-nos a dizer

Que Cristo, Pessoa viva

Mata a sede do coração.

Dá-nos coragem para enfrentar

Os “lobos” do mundo

Que espreitam no fim da vereda,

E, quando extenuados, faz-nos descansar

Em qualquer Sicar

Junto ao poço de Jacob,

E beber da “água viva”

Para “nunca mais ter sede.”

Dá-nos o entusiasmo da Samaritana

Para anunciarmos

Que “a beleza de Cristo

É um choque, uma colisão

Que captura o coração.

(Mt 4, 10, 20; Lc 9; Jo 4)

 

 

publicado por aosabordapena às 10:22

11
Out 12

 




Senhor, que nos chamaste
E pelo Batismo
Nos tornaste “filhos da Luz” (Ef.5,8)
Incendeia, neste Ano da Fé,
O coração dos homens atribulados
Que, esmagados
Pelas dúvidas e incertezas,
Vão, penosamente, percorrendo
Os caminhos da vida.
Há também Senhor
Homens perdidos
Na escuridão da Fé,
Que não Vos aceitam 
Como “referência existencial,
Problema ou inquietação”,
Refugiando-se na apatia
Ou “religiões de substituição”.
A uns e a outros ilumina
Com o dom da Fé,
“Garantia das coisas que se esperam
E certeza das que se não veem” (Heb 11, 1).
Pela fé, “dom gratuito de Deus”
Vemos a Tua mão criadora, Senhor.
Pela fé, ousamos experimentar o mistério
Do Teu infinito amor.
Pela fé, ganhamos força e coragem
Para enfrentar este tempo
De descrença
E indiferença.
Pela fé, vamos a Jesus e ao Pai
Conduzidos pelo Espírito renovador.
Impele-nos, Senhor, à prática da caridade
A ver no outro um irmão
Companheiro de estrada
Em busca da Salvação.
Á luz da Fé,
Faz-nos sentir certeza e segurança
Na travessia do mar encapelado
Em que navegamos.
E na hora da transição

Em que a “fé dá lugar à visão
Esperamos confiantes
Morar junto de Vós Senhor” (2 Cor 5,8).

 

publicado por aosabordapena às 18:29

30
Set 12


(Foto Net)



Outubro,

Mês de renovação,

Semeiam-se legumes e cereais

E limpam-se as fruteiras

Nos quintais.

É tempo de generosidade

De trabalhos e canseiras

Recolhem-se as uvas no lagar

E no pomar florescem romãzeiras.

No souto matizado de tons dourados,

Castanheiros de nobre porte

Deixam pender ouriços entreabertos

Donde a castanha curiosa,

Espreita, com altivez,

A natureza esplendorosa.

Nos jardins já preparados

Tulipas e jacintos

São plantados, com carinho,

E com cuidados redobrados

Limpa-se a roseira

Do ramo daninho.

Outubro,

Mês de renovação.

O céu está azul.

E Deus continua a gostar

Do que vê

Pois tudo é obra

Da Sua mão.

 

 

 

publicado por aosabordapena às 12:14

27
Set 12

 

 

O tempo

É choro, é riso,

É este momento,

O medo

De não ter mais tempo.

O tempo

É o abismo,

O mistério,

É envelhecimento

E o pressentimento

De que tudo tem um tempo.

O tempo é vida

É morte

É azar e sorte.

É a saudade

De entes queridos

Que, na sua voracidade,

Para longe levou.

O tempo

É o homem em movimento.

É uma graça,

Uma bênção,

Uma oportunidade

De conversão.

É Deus

Que nos tem na Sua mão.

 

 

publicado por aosabordapena às 19:04

07
Jun 12

 

 

Hoje o Senhor

Desceu à cidade.

 As ruas pejadas de gente

Sentem-se alegres,

Porque desfrutadas

Como não acontece diariamente.

O Senhor

Veio visitar o Seu povo,

A todos abençoar

Com a doçura do Seu terno olhar:

Aos que O seguem,

Aos que O repelem,

Aos que vieram ver a procissão

E as crianças da Primeira Comunhão.

Aos que ficam calados

E à beira do caminho parados.

Aos que O contemplam

Das janelas,

Aos indiferentes,

Aos que não têm fé,

Aos que animadamente

Conversam e riem

À mesa do café.

Mas Tu, Senhor, passas.

Talvez seja a última vez

Que Te vemos na cidade.

Ficas alegre, triste, desiludido

Mas continuas a amar

Amar infinitamente

A quem nada tem para dar.

São horas, Senhor,

De regressar.

Aumenta a nossa fé,

Dissipa a nossa inquietação,

Fala-nos ao coração

E ao coração de todo o homem

Que desconhece

Que Vós sois

O arco iris da esperança,

A suprema felicidade,

A fidelidade da eterna aliança.

A noite cai.

A cidade vai ficar

Novamente deserta.

“A quem iremos nós Senhor?

Só Tu tens palavras de vida eterna”.

(Jo 6, 68)

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 18:47

27
Mai 12

  

 

 

Era dia de festa.

Jerusalém celebrava,

Com grande esplendor,

A aliança do Sinai,

Aliança de amor

Entre Israel e o Pai.

Reunidos em oração

Os apóstolos esperam,

Ansiosos, a força

“Do Prometido”,

O sopro do Senhor,

A fonte da vida.

A sua missão é pregar,

Anunciar a Boa Nova,

Testemunhar

 Jesus ressuscitado,

“Ir pelo mundo Inteiro,

O Evangelho proclamar”.

Como “forte rajada de vento”.

A promessa foi cumprida.

O Espírito Santo

É movimento,

Alegria e acção

Bálsamo na dor

Paz no coração.

Vem Espírito do Senhor,

“Divino esquecido”,

Desata a nossa língua,

Ilumina o nosso tempo,

Tempo de fome,

De muita míngua.

Precisamos, Senhor,

Nestas horas de sofrimento,

De angústia,

De “ raiva” contida,

Do impulso regenerador

Do Vosso Espírito de Amor.

(Mc 16,15; Act 2)

 

publicado por aosabordapena às 21:57

25
Mai 12

 

 

Sexta-feira.

Vinte e cinco de maio.

Os telejornais

Mostraram ao mundo

Imagens de horror

E relataram

Uma insuportável história

De repressão e dor.

Mais de cem pessoas,

Quarenta e nove delas

Crianças indefesas,

Foram selvaticamente

Assassinadas,

Pela brutalidade dum regime

Cego, surdo e mudo

Aos anseios de liberdade

Do seu povo sofredor.

Crianças de Al Houla

Cidade mártir da Síria

A quem foi roubado

O sonho e a esperança:

O vosso sangue derramado

Talvez não ponha fim

À complacência,

À impotência

Dum mundo insensível

À dor e sofrimento.

Mundo dominado

Por interesses económicos

Pela usura e ganância,

Mundo sem coração

Que não respeita

A vida humana,

Patético espectador

Da” banalidade” da morte,

Complacente com o agressor,

Agressivo

Com os deserdados da sorte.

O vosso sangue derramado

Pode não ser suficiente

Para mudar o rumo da história.

É contudo grito ensurdecedor

Seiva de esperança

Que clama justiça

E não vingança.

E um dia a Síria renascerá

E de terra queimada

Em campo de odoríferos jasmins

Se transformará.

 

 

 

publicado por aosabordapena às 22:22

20
Mai 12

 

 

 

Subiste ao Céu, Senhor,

Mas connosco

Ficaste na Eucaristia.

A força do Espírito

Libertou-nos das amarras,

Deu-nos coragem

E alento,

Para ser testemunhas

Da Tua mensagem

«Até aos confins do mundo».

Não nos deixes, Senhor,

Ficar embasbacados

E parados

«De olhos fixos no céu»,

Mas impele-nos

Para a vida.

Faz-nos arregaçar as mangas

Para amassar o presente

Com gomos de esperança

Em melhores dias.

E nas dificuldades,

Dá-nos a Tua mão.

Transforma o nosso egoísmo

Em solidariedade

E fraternidade,

A ver o outro

Como irmão.

(Act 1)

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 17:57

17
Mai 12

 

 

 

Primeiros dias de maio,

Este ano

De águas mil,

Sombrio e friorento,

Como não se via

Há muito tempo.

Espreito pela janela.

O tempo convida á quietude do lar.

Ao longe,

Uma suave neblina

Acaricia a cidadela

E a chuva cai sem cessar.

São cinco horas da tarde.

Num canal de televisão,

Uma jovem é entrevistada.

Palavras amargas,

De desespero e desalento,

Saem-lhe da boca

E do coração.

É um relato de violência,

Um grito de angústia, 

De sofrimento e dor.

Uma vida sem sorte,

Pedindo justiça

E a prisão do pai ameaçador

Que a quer matar,

E a quem deseja a morte

Para poder ser feliz.

Como é possível, Senhor?

A entrevista terminou

E um amargo de boca nos ficou.

Ficámos quedos, sem palavras,

Perante este drama humano

De quotidianos mil,

De lutas e carências,

De lágrimas escondidas

E dolorosas experiências.

Até quando, Senhor,

Tanto ódio, desamor e maldade?

Lá fora, anoitece.

E a chuva continua a cair

Com intensidade.

 

 

 

publicado por aosabordapena às 22:01

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