Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

26
Mai 15

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Há sonhos que a gente sonha,

Que melhor fora, não sonhar.

Há sonhos que não são sonhos

E é preciso evitar.

 

Já não sei se os meus sonhos,

São quimeras ou realidades.

Certezas, meu amor,

Só Deus as pode dar.

 

Nos meus sonhos há luar,

Angústias e saudades.

Há vida, duas vidas,

Muito amor, no teu olhar.

 

Esta noite, não tenho sono,

Nem sonho para sonhar.

Quero amar-te, estar contigo

E o teu sono velar.

 

Nos meus sonhos há luar,

Há mar, um suave entardecer.

Uma gaivota voando

Muita pressa de viver.

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 11:24

02
Abr 15

 

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Era tempo da Páscoa.

As famílias celebravam

Os dias da libertação.

A noite era diferente

Era a noite do Seder Pascal

Refeição solene, memorial,

De súplica e agradecimento.

Na mesa, cordeiro assado,

Pão ázimo

Que a pressa não deixou levedar,

Ervas amargas, haróssset saborosa

E quatro taças de vinho

Para acompanhar.

“Ao cair da tarde”

Jesus toma lugar à mesa

E com os discípulos

Inicia solenemente

A celebração da Sua Páscoa.

Era uma refeição especial

“Desejada ardentemente”

Refeição de muitas emoções,

De amor nos corações.

Há dúvidas, incertezas

Os últimos ensinamentos

Uma despedida sentida

Intensamente vivida.

Então, Jesus, emocionado

Interrompe o ritual.

Toma o pão e o vinho,

Pronuncia a bênção

E para sempre

Seu Corpo e Sangue

São alimento espiritual.

É a completa doação,

Acto supremo de amor

Generoso, integral.

“ Ó Cruz bendita, só tu nos abriste

 Os braços de Jesus, o Redentor.”

 

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 10:16

27
Fev 15

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O dia vai longo.

A mente está cansada

E o corpo extenuado reclama repouso

E algum cuidado.

Uma estranha sensação de dormência,

Alastra suavemente,

Invadindo pernas e braços.

Os olhos cansados,

Piscam compassadamente

E abandonam-se sem temor

A um sono apaziguador.

Mas o cérebro, imparável, avassalador,

Faz reviver o sonho mirabolante

Dum menino feito homem

Que queria ser aviador.

Na etérea penumbra

O avião sobe, sobe sem parar.

O tempo escasseia.

A escuridão é completa.

Onde vou aterrar?

E o menino, homem cansado,

Aterrorizado,

Acorda ofegante.

São horas de ir trabalhar

 

Poema publicado na Antologia "Entre o Sono e o Sonho" – Volume V da Chiado Editora

.

 

 

publicado por aosabordapena às 22:01

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 É tempo de silêncio

De conflito e serenidade

De mudar o azimute

Rumo à eternidade.

Que valor tem o tempo

O nosso tempo vivido?

Será que ainda temos tempo

De recuperar o perdido?

É tempo de escuta

Tempo de conversão

De provar o vinho novo

E remodelar o coração.

É tempo de esperança

De esquecer o tempo velho

Dar nova vida à vida

E seguir o Evangelho.

A vida e a morte

O transitório e o perene.

Tudo passa, nada fica

Só Deus permanece.

publicado por aosabordapena às 21:45

26
Dez 14

 

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É dezembro,

Mês de espera e celebração

Do nascimento de Jesus.

Por isso, não há notícias

De corrupção,

Não se fala de enriquecimento,

De branqueamento,

De violência, de pobreza,

De famílias endividadas,

Desempregadas

 “à espera de Godot”.

Fala-se de amor, de saudade

De paz e esperança

De vidas com dignidade.

A chuva cai

E o vento assobia.

As famílias de Portugal

Não têm frio, nem fome.

Sentadas à mesa,

Emocionadas,

Transbordando amor,

Saboreiam despreocupadas

A ceia de Natal.

 

Acordo, sobressaltado.

Já é dia

E espreito pela janela.

A chuva cai

E o vento agreste assobia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 19:35

24
Dez 14

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Nesta noite de Natal,

Estou contente e feliz

E os avós emocionados,

Junto às mães enternecidas,

Olham com amor os netos

Que alegram as suas vidas.

 

 

Nesta noite de Natal,

Tempo de paz e esperança,

Lembro-me do Menino Jesus

Nascido em Belém

E dos meninos

Que não têm ninguém.

 

 

Ah como é bom o Natal.

Ter uma família,

Na mesa pão

E alegria no coração.

Viva o Natal em Bragança.

 

publicado por aosabordapena às 19:49

06
Mar 14

 

 

Desceste ao nosso mundo, Senhor

Pobre, despojado,

Para connosco partilhar

A experiência humana.

Supremo acto de amor

De graça e generosidade,

Desejo de proximidade,

Uma total doação

Ao povo pecador.

Senhor, que nos libertas

E enriqueces com a Tua pobreza

Derruba os muros da indiferença

Suaviza as dores da humanidade.

Faz-nos imergir nas águas do Jordão

E passar pela estrada de Jericó

Onde o samaritano espera

Gestos de amor e compaixão.

Nesta quaresma, em que nos convidas

Á sobriedade, à conversão,

A um despojamento penitencial

Doloroso e não superficial,

Não nos deixes parados

À beira da estrada sentados,

Mas faz-nos trilhar, Senhor,

Caminhos de generosidade

Ser faróis de esperança

Corações abertos à santidade.

 

 

 

publicado por aosabordapena às 12:46

05
Jan 14

 

Foto Net 

 

 

«O frio é a minha morada»

Minha dor, meu sofrimento

Uma vida sem vida

Um eterno tormento.

Anoitece.

A noite é longa. É sombria.

Aconchego-me nos meus “abafos”

E espero o novo dia.

Ei-lo que aparece

Envolto em neblina.

O dia é meu amigo

Traz consigo vida

E renova a esperança

Que nunca esmorece

No coração dum sem-abrigo.

Os carros passam.

As pessoas falam, gesticulam.

Algumas moedas tilintam

E um sorriso balbuciado

Aflora, envergonhado

Neste rosto de barba hirsuta.

Meus olhos estão cansados.

E a vida, traiçoeira, astuta

Corre veloz pela estrada.

Ó minha vida sem vida

“O frio é minha morada”.

 

 

publicado por aosabordapena às 21:24

06
Dez 13

 

 

Foto da Net



Uma tira de papel

Um número de telefone.

Anexas, duas fotocópias

Do cartão de cidadão.

Sim, cidadão. Porque não?

Ângela e José

São os seus nomes.

Sessenta anos de idade,

Desempregados,

Sem rendimento social

De inserção.

Pedem polvo, bacalhau

Pão e algo mais

Para a ceia de Natal.

Estes, os ingredientes

Duma história de dor

Cruel, real,

Infelizmente banal,

Nos dias de hoje, meu irmão.

Lá fora, está frio.

As luzes brilham.

O nevoeiro envolve a cidade.

Ângela e José

São os seus nomes.

Como eles, infelizmente,

 Há milhares em Portugal.

 

P.S. O cartório paroquial de Bragança

Sito na Praça da Sé, está aberto todos os dias.

Obrigado.

 

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 19:36

29
Nov 13


 Foto Net)


Neste País de azul vestido

Prenhe de esperança

Há gente com raiva

Gente sem casa e sem pão

Procurando refúgio

Na solidão.

Há mãos que precisam

Do que há noutras mãos

E deste entrelaçar

De dar e receber

De certeza resultará

A alegria de viver.

E a fome será derrotada

As flores desabrocharão

Neste País adiado

Onde uma vida de verdade

Será fruto

Da nossa solidariedade.

 

 

publicado por aosabordapena às 14:10

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