Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

03
Mai 10

 (Foto Wikipédia)

 

 

O tempo está quente

E a mãe cigarra, pressurosa,

Põe os ovos de amor,

Ao sopé do castanheiro.

E, lentamente, sem se virar,

Afasta-se, determinada,

Para morrer,

Ouvindo o murmúrio das águas

Que saltitam no ribeiro.

Então, nova vida eclodiu.

A ninfa, caída no chão,

A terra perfurou,

Vivendo, longo período,

Na solidão.

A cigarra cresceu,

Amadureceu e um dia despontou.

Um longo caminho percorreu,

Até se sentir na Natureza

Uma rainha

Rodeada de sol e beleza.

Durante o dia canta,

Feliz, independente,

Indiferente ao tempo que passa.

Importante é o presente.

E cantava … cantava.

O Estio folgazão

Depressa se esfumou.

E, no horizonte, um manto de nuvens,

Foi crescendo, enovelando,

Entristecendo.

Grossas pingas de chuva caíram.

Era Outono.

E a cigarra cantava.

Sua voz era triste e melancólica,

Prenúncio do Inverno

Que ao longe espreitava.

 

publicado por aosabordapena às 18:20

Março 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

posts recentes

E a cigarra cantava

subscrever feeds
as minhas fotos
As minhas visitas
counter customizable Exibir My Stats
mais sobre mim
pesquisar