Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

26
Abr 10

 

Um dia de Abril

Após o dia da celebração,

Nada resta da festa,

Genuína e verdadeira,

Dos primeiros dias da revolução.

Paira no ar o artificial,

O ritual, a encenação.

No rosto "não há igualdade"

Mas muita desilusão.

No bolso, o salário emagrece

E o sonho, inúmeras vezes, adiado,

Dum posto de trabalho,

Desaparece.

Brumas de corrupção,

De compadrio e ganância,

Toldam o olhar e a razão.

E uma "raiva" incontida,

Impotente,

Invade o coração de muita gente.

publicado por aosabordapena às 21:11

Acabei de ler, no Diário de Notícias de hoje, a seguinte notícia: jovem inglesa suicida-se após rejeição em 200 pedidos de emprego.

E se a trago a este espaço, não é para que sirva de exemplo a ninguém. Antes, pelo contrário, é para alertar o Estado e as instituições e os políticos e os empresários e os pais e os próprios jovens que este, não é, de todo, o caminho certo. A esperança em melhores dias, deve ser o farol a iluminar os nossos caminhos e as nossas decisões nesta sociedade egoísta e gananciosa e onde impera a corrupção.

A responsabilidade social é um dever de todos.

Vicky Harrison, 21 anos de uma vida por explorar, tinha o sonho de ser produtora de televisão. Para isso se havia formado na faculdade. De acordo com a citada notícia " à medida que o tempo foi passando alargou o âmbito de procura de emprego até ser candidata a empregada de balcão, de mesa, repositora em cadeias de supermercado. Mas a resposta foi sempre negativa. Duzentas recusas e dois anos depois a jovem britânica, pegou em várias caixas de comprimidos e suicidou-se por overdose". "Teve tantas recusas que a sua confiança ficou afectada. Ela sentia que não tinha futuro" afirmou o pai que a encontrou estendida na sala de estar, no dia seguinte, a ter recebido, no dia 30 de Março passado, a última recusa dum infantário.

Deixou escritas as seguintes palavras: " Eu já não quero ser mais eu. Não fiquem tristes, a culpa não é vossa, só quero que sejam felizes".

Cheguei ao fim. Fiquei sem palavras. O silêncio é doloroso. E no meu silêncio, escuto o "silêncio" de Deus.

publicado por aosabordapena às 20:10
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18
Abr 10

 

Hoje fui visitar o Planetário Calouste Gulbenkian acompanhado dos meus netos Adriana, João e Maria Daniela, bem como da minha filha Cláudia e do Vitor, meu genro.

Durante o percurso apanhámos uma intensa chuvada. Tal não impediu de concretizarmos o nosso objectivo.

Como consta do folheto do Planetário, pudemos observar o céu, as estrelas e as constelações, aprendendo a identificar a Ursa Maior e a Ursa Menor para, a partir delas localizarmos a Estrela Polar  e encontrarmos os pontos cardeais.

Depois ficámos a conhecer os principais movimentos da terra e as suas consequências. Falou-se também da Lua, dos outros planetas e constelações. Observámos o céu durante o periodo nocturno e admirámos a maravilha das estrelas iluminando o firmamento.

Partindo da Terra fizémos uma breve viagem espacial, através de alguns planetas do Sistema Solar até longínquas e deslumbrantes galáxias.

Ao regressarmos ao nosso planeta, fomos surpreendidos por um céu muito nublado e assistimos ao espectacular fenómeno da trovoada.

Perante este espectáculo o pensamento dirigiu-se para Deus o Supremo Criador do universo.

Quando regressámos já era perto da uma hora da tarde, os nossos estômagos estavam cheios de fome.

publicado por aosabordapena às 17:17

04
Dez 09

 

 

 Vivemos um tempo de ganância e de usura. Tempo de mediocridade, do salve-se quem puder.

Na ribalta mediática, a corrupção e os pseudo combatentes na luta contra a dita, como se tal flagelo, pudesse ser erradicado por via legislativa; o descrédito da justiça, ministrada por homens de quem se espera independência e imparcialidade; protagonistas públicos, como políticos e comentadores da vida nacional, vomitando azedumes e ressentimentos, insinuando e insultando-se.
Gestores e banqueiros indiciados por má gestão, tráfico de influências, remunerados a peso de ouro.
Os senhores do mundo continuam a alimentar a guerra e a ignorar que a humanidade caminha a passos largos para uma catástrofe ambiental.
Na outra margem da vida, milhões de desempregados e de esfomeados, alimentam a esperança diária da sobrevivência, enquanto noutras latitudes cresce a abastança e o desperdício.
Angústias reprimidas, silêncios consentidos, vozes “sem voz”, dão corpo a uma imensa maioria que pacientemente espera a hora da “revolta social” e da libertação.
Outros preferem o conformismo e viver comodamente instalados no silêncio das suas acções, das suas mordomias, alheados dos problemas e sofrimentos alheios.
Quem ganhará esta aparente guerra surda?
Os egoístas, os pobres, os poderosos, os que lutam por um mundo melhor?
A resposta depende de todos nós.

 

 

publicado por aosabordapena às 16:18
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19
Dez 05

 

 

upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/87/E
 
O dia 26 de Julho no qual se veneram S. Joaquim e Santa Ana, pais da Virgem Maria é dedicado aos avós.
São estes, na organização família, o ombro amigo e preocupado onde os filhos e os netos encontram conforto e carinho.
São eles o esteio sempre firme, o porto seguro de abrigo nos dias difíceis que a família atravessa.
Ser avô, é estar sempre disponível. É rejuvenescer e emocionar-se com a ternura dos netos, prolongamento da sua existência terrena. É esquecer canseiras e, nas horas difíceis, fazer “das tripas, coração”.
Ser avô, é também fonte de preocupação em relação ao seu futuro, nestes tempos fustigados pelo desemprego, pela droga e muita violência.
Ser avô é caminhar…caminhar cada vez mais depressa. O comboio da vida corre veloz.
 
publicado por aosabordapena às 16:11
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02
Out 05

 

Os tempos correm céleres, marcados pela violência, pelas catástrofes, pelos acidentes, por notícias de corrupção e imoralidade.

O homem sente-se aprisionado nesta sociedade carente de valores, onde parece que o crime compensa, altamente competitiva e em que pontifica o ter e o parecer.

Certezas, apenas a de que um dia seremos julgados pelo que tivermos sido, pelo que fizemos, e, sobretudo por aquilo que, por snobismo ou indiferença, tivermos omitido.

Vivendo na margem de nós mesmos, temos receio de nos auto-confrontar com aquilo que verdadeiramente somos.

Pensamos que somos livres, quando na prática a nossa liberdade é fictícia, já que se trata duma liberdade de aderir ao modelo uniforme imposto pela publicidade, pela moda, pela televisão.

Pensamos que somos auto suficientes, quando na verdade e na hora menos pensada, precisamos do apoio dos outros.

É urgente, pois, um novo tipo de relacionamento humano, em que o homem se liberte do seu individualismo, que não tenha medo de viver plena e integralmente, que não receie os outros seres humanos, seus irmãos nesta caminhada terrena, mas que os respeite e veja neles Cristo Vivo, nosso apoio que nunca falha.

Nesta amálgama de pensamentos, faço silêncio dentro de mim e recordo aquele sonho, de todos conhecido e que não resisto a reproduzir, intitulado “ Pegadas na areia”:

Sonhei que estava caminhando na praia juntamente com Deus. E revi, espelhados no céu, todos os dias da minha vida passada. E em cada dia vivido, apareciam na areia, duas pegadas: as minhas e as d´Ele.

No entanto, de quando em quando, vi que havia apenas umas pegadas, e isso precisamente nos dias mais difíceis da minha vida.

Então perguntei a Deus: “Senhor, eu quis viver contigo, e Tu prometeste ficar sempre comigo. Porque me deixaste sozinho, logo nos momentos mais difíceis?”

Ao que Ele respondeu: “Meu filho, sabes que Eu te amo e que nunca te abandonei. Os dias em que viste só umas pegadas na areia são precisamente aqueles em que Eu te levei nos meus braços”.

 

publicado por aosabordapena às 14:33

21
Ago 05

 

 

Acabo de assistir à Eucaristia de sufrágio pelas almas do Pedro e da Sílvia. Todos ficámos mais pobres e o mundo mais triste. De rostos serenos na morte, partiram. Deixaram dor e lágrimas. Ficou a saudade no coração dos seus familiares e amigos.

Partiram tragados pela voragem da velocidade, do tempo e da estrada.

Os jovens vestiram-se de luto. Rostos sofridos, lágrimas nos rostos e no coração, abraçavam-se para mais facilmente suportar e esconjurar a dor; rezaram o terço pelos amigos tão prematuramente ceifados pela morte, na flor da vida; prestaram-lhes uma sentida homenagem e disseram-lhes adeus até à eternidade, com vozes embargadas pela comoção que sensibilizaram a comunidade e fizeram brotar lágrimas que teimosamente rolavam pela face dos presentes; carregaram-nos aos ombros até ao cemitério.

No meu silêncio, procuro (ousadia minha!), interpretar os Vossos desígnios, Senhor, e tento perscrutar, embalado pelo silêncio que grita, pelos olhares ansiosos, respostas.

Recordo as palavras de S. Paulo: «em tudo somos atribulados, mas não esmagados; confundidos, mas não desesperados; abatidos, mas não aniquilados» (2 Cor 4, 8-9) e penso que, no ritmo alucinante desta vida é preciso, por vezes, parar; que não há respostas senão em Vós Senhor da vida e da morte e interrogo-me porque será que a vida não tem o condão de nos unir e irmanar tão intensamente como a morte.

Qual é pois, ó morte, o teu fascínio, o teu sortilégio?

Envolto no véu reconfortante da esperança cristã, só me resta, Senhor, pedir-Vos que amaineis e aceiteis o nosso sofrimento e conforteis as famílias enlutadas pela dor da separação e da perda física dos seus entes queridos. Pedir-Vos que o odor das nossas flores e orações chegue até Vós e faça frutificar no coração dos homens o desejo de Vos amar cada vez mais, pois só em Vós está o nosso refúgio e consolo.

 

publicado por aosabordapena às 15:16

27
Jan 05

 

Fins de Dezembro de 2004. O mar rugiu e as águas, na sua voracidade, galgaram a terra, provocando uma imensa catástrofe no sudeste asiático: 157.000 mortos e 5 milhões de desalojados.

No meu silêncio … ouço gritos lancinantes de dor, angústia e terror e, medito nas palavras do Salmista: «Diante de Ti, Senhor, a minha existência é como nada».

E, escuto-Vos, Senhor. Tentando perceber e perceber-me, debruçado sobre a insignificância humana e o quão a vida é efémera, fico a cismar … a cismar…

publicado por aosabordapena às 12:38

23
Mar 04

 

 

 Portugal tem o mais baixo salário mínimo nacional dos estados membros da União Europeia. Segundo o Ministério da Segurança Social e do Trabalho, são 4% os trabalhadores portugueses que levam para casa, líquidos, 325, 38 euros.

Perante esta realidade, quantos sonhos adiados. Quanta ginástica é necessária para matar a fome, para pagar as contas da luz, do gás, da água, da renda de casa, do passe para os transportes e do infantário, refere o casal Silva com 2 filhos em idade escolar e que leva para casa dois salários mínimos. “Às vezes fico deprimida, não me apetece ir trabalhar, mas tenho os filhos e as contas”, desabafa a Margarida.

E que dizer de 80.126 cidadãos (número de 31/12/2002 da Segurança Social) que recebem apenas a pensão social – 151, 84 euros? Que dizer doutros extractos sociais também numerosos, como, por exemplo, os pensionistas do regime especial das actividades agrícolas que recebem 186, 16 euros? E os 452.542 portugueses que em 31/12/2003 estavam desempregados?

O Concílio Vaticano II através da Constituição Pastoral Gaudium et Spes: a Igreja no Mundo Actual, refere que “ o dever de justiça e caridade cumpre-se cada vez mais com a contribuição de cada um em favor do bem comum, segundo as próprias possibilidades e as necessidades dos outros. Não poucos se atrevem a eximir-se, com várias fraudes e enganos, aos impostos e outras obrigações sociais.

Enquanto multidões imensas carecem ainda do estritamente necessário, alguns, mesmo nas regiões menos desenvolvidas, vivem na opulência e na dissipação. Coexistem o luxo e a miséria. Muitos vivem e trabalham em condições indignas da pessoa humana. Para satisfazer às exigências da justiça e da equidade, é necessário que se eliminem o mais depressa possível as grandes e por vezes crescentes desigualdades económicas actualmente existentes, acompanhadas da discriminação individual e social”. (GS 30, 63 e 66)

E no meu silêncio, como cidadão, como cristão, medito e sinto uma revolta interior pela miséria em que vivem muitos irmãos e pela minha impotência face a realidades tão duras e escuto a dor, a tristeza e a solidão daqueles que não têm voz, nem poder reivindicativo e para os quais a esperança, neste mundo, duma vida melhor é apenas uma miragem.

Perante este quadro social, o que sentimos e fazemos nós, cristãos?

Será que no tempo próprio e nos ambientes em que nos movemos pugnamos pela justiça social, pelo desfazer das desigualdades? Será que não vivemos “acomodados”, e ingenuamente satisfeitos pela rotina do nosso quotidiano? E a acção? E as obras?

Neste período quaresmal, tempo de penitência e conversão, tempo de uma caridade mais diligente e intensa, permitam-me que deixe estes tópicos para uma reflexão pessoal. Oxalá sejam um alerta, para que não andemos enganados, pois, “Nem todos aqueles que me dizem: “Senhor, Senhor”, entrarão no Reino dos Céus, mas apenas os que fazem a vontade de meu Pai que está nos céus”. (Mt 7, 21)

 

publicado por aosabordapena às 14:25

21
Out 03

 

 

Nascemos, crescemos, tornamo-nos adultos e quase não damos, ou não queremos, dar conta de que envelhecemos.

É assim o ritmo da vida. Alucinante, imparável.

Certo dia, somos confrontados com a realidade. “E tu, velhote, quantos anos tens”? Esta pergunta, atirada de chofre por uma criança que nos interpela, deixa-nos atónitos, estarrecidos.

Num primeiro momento, apetece reagir negativamente. Contudo a verdade que os seus olhos cristalinos vêem, não pode ser ignorada.

Tenho 58 e tu? A criança responde e afasta-se paulatinamente, chamada pelos pais para que não continue a incomodar o “velhote”.

E assim aconteceu mais um ano neste Outubro solarengo, com laivos de frio e vento.

E no silêncio desta tarde calma, tenho tempo e disposição para rever o filme da minha vida e os personagens que nele intervieram: pais, irmãos, professores, amigos, vizinhos, conhecidos e um rol interminável de figurantes activos que, de alguma forma, me condicionaram e contribuíram para o meu amadurecimento e realização pessoal.

Cenas de uma infância normal, duma adolescência inconformada, duma juventude onde o sonho, o amor e a dureza da guerra colonial pontificaram, são quase irreais, dissipadas pela bruma dos tempos, mas que a saudade, alguma mágoa e insatisfação impedem de obscurecer.

Um presente estável consolidado pelo amor da esposa, a dedicação das filhas e a ternura da neta é a melhor recompensa que o Senhor, na sua infinita bondade, me quis propiciar.

E no silêncio do meu coração não posso deixar de sentir tristeza e amargura pelos tempos e acções em que como Adão me “escondi no meio das árvores do jardim” da vida, como se Deus não existisse.

É assim a vida. De luta, fracassos, vitórias, alegrias ou tristezas, que o mar imenso do amor e misericórdia de Deus nos proporciona, mesmo quando queremos fugir Dele.

E neste findar de tarde, resta tempo para agradecer a Deus o dom da vida e visionar a quarta parte do filme que falta passar. Está em branco. Importa dar-lhe vida, cor e conteúdo sempre ao serviço e na presença de Deus.

Oxalá Deus o permita.

 

publicado por aosabordapena às 15:27

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