Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

17
Mai 12

 

 

 

Primeiros dias de maio,

Este ano

De águas mil,

Sombrio e friorento,

Como não se via

Há muito tempo.

Espreito pela janela.

O tempo convida á quietude do lar.

Ao longe,

Uma suave neblina

Acaricia a cidadela

E a chuva cai sem cessar.

São cinco horas da tarde.

Num canal de televisão,

Uma jovem é entrevistada.

Palavras amargas,

De desespero e desalento,

Saem-lhe da boca

E do coração.

É um relato de violência,

Um grito de angústia, 

De sofrimento e dor.

Uma vida sem sorte,

Pedindo justiça

E a prisão do pai ameaçador

Que a quer matar,

E a quem deseja a morte

Para poder ser feliz.

Como é possível, Senhor?

A entrevista terminou

E um amargo de boca nos ficou.

Ficámos quedos, sem palavras,

Perante este drama humano

De quotidianos mil,

De lutas e carências,

De lágrimas escondidas

E dolorosas experiências.

Até quando, Senhor,

Tanto ódio, desamor e maldade?

Lá fora, anoitece.

E a chuva continua a cair

Com intensidade.

 

 

 

publicado por aosabordapena às 22:01

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