Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

08
Jul 05

 

           

 

Conforme plano de actividades do Conselho Central da Sociedade de S. Vicente de Paulo da nossa Diocese, realizou-se de 9 a 12 de Junho de 2005, uma peregrinação ao Santuário Mariano de Lourdes integrando, para além de vicentinos, elementos da Paróquia de S. Tiago e de outras comunidades, num total de 52 participantes, entre os quais o seu conselheiro espiritual, Sr. P. José Carlos.

Dia 9 – A partir das 4 horas e 30 minutos da manhã, começaram a chegar os participantes, bem dispostos, apesar do “toque de alvorada” ter acontecido mais cedo.

Estava uma óptima manhã, uma temperatura agradável, e às 5 horas rumámos em direcção a Saragoça, antiga capital do Reino de Aragão, situada nas margens do rio Ebro.

O sol depressa fez a sua aparição. Uma suave claridade e uma leve tonalidade avermelhada proporcionaram um belo espectáculo.

Entre o apreciar das várias paisagens e um retemperador e irresistível cochilo, lá fomos devorando quilómetros através da interminável Espanha, tão característica e diversificada.

Chegados a Saragoça, o estômago já começava a ressentir-se. Daí a sentarmo-nos à mesa, pouco demorou.

Após saborear o primeiro prato, houve alguma agitação, pois havíamos sido induzidos em erro, já que aquele não era o nosso restaurante e a ementa, quiçá, não fosse a mesma.

E agora? Após os momentos iniciais de embaraço e estupefacção e a esforçada e rápida intervenção do Domingos Poças, o incidente foi sanado e pudemos concluir em paz a refeição.

Cá fora o sol era então abrasador. O guia que nos devia orientar na cidade acabou por não aparecer. Apesar do desencontro, não desanimámos e fomos visitar a Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, do séc. XVII – XVIII, magnífica pela sua imponência, pela riqueza das suas decorações, pelos belos altares donde sobressaía o da Virgem, pela ambiência espiritual que se respirava.

Daí passámos à Catedral Metropolitana La Seo do Salvador, do séc. XII-XIV, reflexo da fé, da história e da arte de Aragão.

Magníficos, entre outros, são a fachada principal, o retábulo do Altar-Mor, o Cristo de La Seo e o Relicário de San Valero.

De novo tomámos o autocarro, pois esperava-nos uma nova e prolongada etapa.

Após alguns contratempos, (quem nunca se enganou?), cansados, chegámos, por volta da meia-noite ao Principado de Andorra, pequena região dos Pirinéus (465 Km2), colocada desde 1607 sob a soberania conjunta do Presidente da França e do Bispo de Urgel, na Espanha.

A manhã do dia 10 foi ocupada a fazer compras e a visitar alguns pontos de interesse turístico e religioso da capital, Andorra La Vella.

Após o almoço, fizemo-nos à estrada. Os Pirinéus provocaram a nossa admiração e encanto, com os seus picos alcantilados salpicados de neve, com cascatas reluzentes deslizando pelas suas faldas verdejantes onde o gado se banqueteava.

Chegados a Lourdes, sita nas margens do Pau, objectivo primeiro da nossa peregrinação e após o jantar no Hotel de Providence, (tão poupadinhos nos copos, toalhas e guardanapos! Nunca tal se tinha visto! A crise é grande mas nem tanto!), fomos visitar e venerar a Mãe na gruta de Massabielle, onde apareceu a Santa Bernadette de Soubirous, tendo, por feliz coincidência e especial privilégio, assistido à Santa Missa a que se seguiu a Exposição do Santíssimo Sacramento.

Dia 11, houve celebração da Eucaristia presidida pelo P. José Carlos, numa capela lateral do Santuário tendo colocado aos pés da Virgem as nossas intenções a que se seguiu a Via-Sacra e visita às duas basílicas.

Após o almoço e da compra de “souvenirs”, tomámos o rumo de Santilhana Del Mar, na Cantábria.

As extensas planuras verdejantes do sul de França desfilavam perante os nossos olhos.

Densos tufos de vegetação ornavam a paisagem e faziam-nos elevar o pensamento até Deus agradecendo-Lhe as maravilhas que criou e pôs à disposição do homem.

Antes de chegar ao nosso destino, a chuva fez a sua aparição, tendo sido assolados por grossas bátegas de água. A trovoada lá ao longe anunciava-se, com raios rasgando os céus. Porém, e ainda bem, depressa se esfumou.

Chegados a Santilhana Del Mar, fomos confrontados com um pequeno paraíso verdejante, calmo, de bela traça arquitectónica, com belíssimas casas senhoriais, devidamente aproveitadas, um misto de ambiente rural, citadino, respirando história e tradição.

Domingo, dia 12, pela manhã fomos visitar o Museu de Altamira, localidade pré-histórica, célebre pelas suas grutas com pinturas rupestres.

Foi um regresso ao passado, (entre 30.000 e 10.000 anos antes de Cristo).

Uma autêntica lição de história, com pinturas rupestres nas cavernas onde o

homem pré-histórico se viu obrigado a viver, representando figuras de animais, como mamutes, cavalos selvagens e cervos.

Tais obras são por certo, testemunhas de práticas de magia com que o homem acreditava adquirir o controle das forças misteriosas da natureza.

Ossadas, instrumentos utilitários, restos de comida, de cinzas, fizeram-nos pensar que esse homem pré-histórico, rude e selvagem, contribuiu com a sua destreza, habilidade e história para que a nossa, possa hoje existir com o nível de desenvolvimento de que todos nós usufruímos.

Após esta visita, assistimos na Colegiata, à Eucaristia do 11º. Domingo do Tempo Comum, concelebrada pelo nosso pároco e conselheiro espiritual, tendo o presidente da celebração referido, na homilia, o dever de agradecer a Deus por tudo o que Dele recebemos; que “nosso” só é aquilo que fazemos, pelo que devemos dar grátis aquilo que grátis recebemos de Deus.

Após o almoço, iniciou-se a viagem de regresso rumo a Oviedo.

À nossa esquerda, ficavam para trás os flancos escarpados dos Picos da Europa cobertos de densa neblina.

O “reino das Astúrias” aparecia com a sua beleza bucólica, os seus verdes, onde os animais se deliciavam, mesclados de habitações devidamente casadas com a natureza envolvente.

A cordilheira cantábrica, com as suas escarpas imponentes que esmagam o homem pela sua grandiosidade, era ultrapassada através de numerosos túneis rasgados pelo homem no seio da mãe natureza.

Extensos lagos de água amenizavam a paisagem agreste, deliciavam a nossa vista e desafiavam a nossa imaginação.

Entrados na região de Castela-Leão, caracterizada por grandes áreas planálticas, imensos matagais de giestas floridas embelezavam as suas encostas, dando lugar agora a uma paisagem mais sóbria e austera, onde pontificavam os pinheiros, os carvalhos e árvores rasteiras, a lonjura e planura dos campos lioneses e zamoranos devidamente aproveitados economicamente, que é um regalo observar.

Por fim, cansados mas satisfeitos, chegámos a Bragança cerca das 20 horas e 30 minutos onde nos esperavam os familiares, os amigos e o conforto da nossa casa.

“Caminhos” deseja agradecer ao Presidente do Conselho Central Sr. Domingos Poças a sua dedicação, empenho e espírito de sacrifício tidos não só na organização da viagem, com também para que, ao longo dela, tudo corresse bem. É pois merecedor do nosso reconhecimento, bem como a Ex.ª. Câmara Municipal de Bragança que muito generosamente disponibilizou o transporte e pessoal na pessoa dos condutores, Srs. César e Camilo.

Resta realçar o espírito de convívio, entreajuda e compreensão de todos os participantes.

Apesar de tudo, o saldo foi positivo. É uma experiência a repetir.

 

 


06
Mai 05

 

É o mês de Maio, liturgicamente, um mês de excelência.

No mês em que se cultua, de forma expressiva e afectuosa, a Bem-Aventurada Virgem Maria, a Igreja celebra solenemente a Ascensão do Senhor, o Pentecostes, a Santíssima Trindade e o Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Ascensão de Cristo é a etapa final duma história de amor. Deus amou tanto a humanidade pecadora que lhe deu o próprio Filho para a salvar.

Jesus ao encarnar no seio de Maria desceu do Céu e participou da nossa humanidade, «tornando-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado». (Heb 4, 15) «Ninguém subiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do Homem». (Jo 3, 13)

A Sua Ascensão ao Reino glorioso do pai deu aos homens a esperança de também eles, «irem um dia ao Seu encontro, como membros do Seu Corpo».

É esta esperança que dá força e razão de ser à nossa fé. Com a Ascensão do Senhor não ficámos órfãos.

Nos céus, Cristo exerce permanentemente o Seu sacerdócio, «sempre vivo para interceder a favor daqueles que, por Seu intermédio, se aproximaram de Deus». (Heb 7, 25)

Na terra, a Sua presença real na Eucaristia é o modo único pelo qual Cristo quis ficar presente na Sua Igreja, para alimentar a nossa vida espiritual e reforçar a nossa união com Ele, para nos purificar e comprometer com os mais pobres, para que se efective a unidade dos cristãos.

No Pentecostes, o Espírito Santo, manifesta-se, dá-se e comunica-se como pessoa divina guiando os caminhos do homem, de forma misteriosa e surpreendente, rumo à «Casa do Pai», fazendo frutificar durante a sua peregrinação terrena, graças ao seu poder e acção, «amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e auto-domínio».

(Gal 5, 22-23)

No Pentecostes, revelou-se plenamente a Santíssima Trindade, mistério central da fé e da vida cristã. «A fé católica é esta: venerarmos um só Deus na Trindade e a Trindade na unidade, sem confundir as pessoas nem dividir a substância: porque uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo, uma só é a divindade, igual a glória, coeterna a majestade». (Catecismo I. Cat. 266)

Com a festa do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, o povo de Deus presta homenagem de forma solene e pública a tão precioso dom – a presença eucarística de Cristo.

A sua presença é força, é vida em abundância, é amor sem limites por parte Daquele que nos fala e diz: "sou Eu, aqui, presente no meio de vós; Eu, que morri por vós, vivo agora por vós e quero viver em vós, para fazer de vós minhas testemunhas, para vos libertar dos vossos medos e preocupações, para inundar o vosso ser de silêncio e serenidade. Tenham confiança. Eu nunca vos abandonarei".

 

 

publicado por aosabordapena às 16:46

23
Out 03

 

 

Vejo-Vos, Senhora, sempre em sobressalto, meditando, no silêncio, os acontecimentos do dia a dia. A fadiga, a perseguição, a brutalidade do Calvário foram etapas de uma vida peregrina, caminhante, que buscava, pois não sabíeis tudo acerca da natureza transcendente de Vosso Filho Jesus. Senhora, mulher humilde, sempre servidora, peregrina da Fé, Vós sois o caminho silencioso que docilmente conduz os homens para o mar imenso que são as Bem-Aventuranças proclamadas por Jesus. Sempre em segundo plano, bem lá no fundo do cenário, Vosso coração é o repositório do sofrimento profetizado por Simeão, iniciado aquando da fuga para o Egipto e experimentado aquando da perda de Jesus. Caiu a noite sem O encontrardes, Senhora. Durante três dias aflitivamente O procurastes. O termómetro da vossa angústia deve ter atingido o máximo. E Deus Pai sempre em silêncio. Quando o encontrastes, ouvistes Senhora palavras desconcertantes: «Porque é que me procuravam? Não sabiam que Eu tinha de estar na casa de Meu Pai?» Como deve ter ficado o vosso coração de Mãe amantíssima, quando Jesus, rompendo voluntária e deliberadamente a corrente da ternura filial, Vos disse que o Pai era a sua ocupação e preocupação. Vejo-Vos Senhora, sem um queixume, um travo de amargura ou silêncio ressentido a retirar, humilde e pacificamente, cogitando acerca dos desígnios de Deus e «guardando todas estas coisas no coração». Que grande estabilidade emocional, Senhora, mulher invencível, Serva de Deus, quando no momento supremo da morte do Vosso adorado Filho, tudo aceitastes, mantendo resolutamente desfraldada a bandeira do “faça-se” a Vossa Vontade, Senhor. Vejo-Vos, Senhora, de pé junto da Cruz sem choro nem desmaio, entregando-Vos em silêncio ao silêncio de Deus. Perante tanta dignidade e coragem, ouso Senhora neste mês de Outubro em que especialmente Vos veneramos, pedir-Vos que sejais a nossa força, nestes tempos conturbados em que vivemos. 


18
Mai 02

(Estrela indicando o local do nascimento de Jesus na Gruta da Natividade)

 

Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, sois o nosso refúgio, sempre acolhedor e carinhoso, em todas as horas e circunstâncias.

Vós “cuidais, com amor materno, dos irmãos de Vosso Filho que entre perigos e angústias caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada. Por isso, Vos invocamos com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, medianeira”. (Lg 62)

Por isso, neste mês de Maio, elevamos as nossas preces até Vós, Senhora, e Vos louvamos e, até ao fim dos tempos “todas as gerações Vos hão-de proclamar ditosa”. (Lc 1, 48)

Senhora da Paz, Senhora de Belém, há filhos Teus que, neste momento, estão a sofrer na Terra Santa que Vossos pés incansáveis pisaram.

Aquela gruta, que vos serviu de abrigo e na qual Jesus, o Príncipe da Paz, a Esperança da Humanidade, nasceu, está cercada.

A vossa estátua, marcada pelas balas, é o sinal visível duma violência gratuita e infindável.

A quietude de há 2000 anos deu lugar ao roncar dos tanques, ao deflagrar de bombas, ao detonar de granadas, a tiroteios mortíferos, que semeiam a morte e a destruição.

A música angelical de então é, hoje, o choro inconsolável de viúvas, órfãos e de inocentes que sofrem, amarguradamente.

Os humildes e pacíficos pastores, são hoje, homens em cujo coração empedernido, reina o ódio e a intolerância.

É por todos eles, Senhora, e por todos aqueles que, em qualquer outra parte do mundo, se digladiam, que Vos pedimos.

Senhora, Vós que nas bodas de Caná, movida de compaixão, intercedestes junto de Vosso Filho, para que não faltasse o vinho, vimos hoje, a Vossos pés, suplicar que ilumineis os corações de todos os homens, no sentido da paz e da concórdia.

 

publicado por aosabordapena às 14:45

07
Fev 01

 

 

Celebra-se a 11 de Fevereiro, o Dia Mundial do Doente. A doença e o sofrimento fazem parte da nossa condição humana.

Após a desobediência de Adão e Eva à ordem de Deus, acerca da não utilização “do fruto proibido da árvore da ciência do bem e do mal”, consumou-se a ruptura com esse Deus, tão solícito e generoso com o homem. “Comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra donde foste tirado; porque tu és pó e em pó te hás-de tornar”, sentenciou o Senhor.

Dirigindo-se também a Eva, disse: “Aumentarei os sofrimentos da tua gravidez, os teus filhos hão-de nascer entre dores”.

A Humanidade é assim condenada à dor, ao sofrimento, à morte.

Por isso, mais tarde ou mais cedo, também nós provaremos desse cálice amargo que a vida, por certo, não se esquecerá de nos oferecer.

Importa, pois, reflectir sobre a doença e o sofrimento físico ou psicológico, inerentes à natureza humana, e mudar, caso seja necessário, a perspectiva através da qual a encaramos.

A doença, ao contrário de fatalidade, azar, pouca sorte, deve ser entendida e aceite como um cadinho que Deus põe à nossa disposição para nos dar a possibilidade de purificar as nossas faltas.

É um obstáculo que Deus coloca no nosso peregrinar. Saber ultrapassá-lo, transformando-o em fonte de Redenção, é um desafio que se coloca a todos os homens.

Conviver com a dor cristãmente, não é só procurar uma resposta para ela. É encará-la resignadamente, percorrer o caminho penoso que a mesma traça, com coragem e determinação, como meio de salvação que é.

Através da sua oblação, como sacrifício a Deus, por meio de Jesus Sofredor, tornamo-nos, na condição simultânea de sacerdote e oferenda, agradáveis aos olhos de Deus, participantes activos e parte integrante do plano de salvação de Jesus, que padeceu e morreu, por causa dos nossos pecados, para nos salvar.

Que todos aqueles que sofrem, encontrem um lenitivo para as suas dores, tomando, também, como exemplo Maria, a Mãe Dolorosa, que sofreu com resignação, as injúrias e o desprezo a que o seu divino Filho foi votado; que acompanhou, amargurada, os maus-tratos que lhe infligiram; que recebeu, com angústia, a notícia da sua condenação à morte; que assistiu lacrimante, ao seu último suspiro na Cruz.

Que as suas lágrimas de Mãe sarem as feridas e mitiguem as dores de todos os seus filhos que, nesta hora, sofrem, unidos a Cristo Redentor.

 

 

publicado por aosabordapena às 14:33

08
Jun 00

 

 

Os dias 12 e 13 de Maio do ano 2000 ficarão na história da Igreja e do País, como marcos indeléveis e irrepetíveis.

A vinda, pela terceira vez, de Sua Santidade, o Papa João Paulo II, a Portugal, a beatificação dos dois irmãos, Francisco e Jacinta Marto, e a revelação da terceira parte do segredo de Fátima, foram pontos altos da 83ª Peregrinação comemorativa das Aparições, na Cova da Iria.

Os 650.000 peregrinos, representantes de 21 países, que foram testemunhas de gestos e sinais sem precedentes, protagonizados por João Paulo II, não olvidarão, tão depressa, esta jornada memorável de afirmação de fé e de alegria.

Um frémito caloroso de emotividade percorreu a imensa multidão concentrada no Santuário, quando o Papa apareceu na Cruz Alta.

Os cânticos, o desfraldar das bandeiras, os braços acenando, a satisfação estampada nos rostos, os vivas e saudações, transformaram a realidade temporal envolvendo num ambiente de euforia a que o Papa correspondia, acenando com ternura.

O seu semblante sereno, o seu sorriso e o seu olhar paternais calaram fundo no coração de todos.

A sua imagem física, denotando, simultaneamente, sofrimento, coragem e vontade de querer estar, ficará, indelevelmente, na retina de todos os que a puderam visualizar.

Chegado à Capelinha das Aparições, onde, como peregrino, vem agradecer à Virgem o dom da vida, são solicitados uns minutos de silêncio e feito um convite para acompanhar o Papa na sua oração. Um calafrio percorreu o recinto. O silêncio era total. O coração de todos, as preces no silêncio das almas, unem-se ao Papa, durante seis preciosos minutos, após o que, ele próprio convida para rezar em conjunto uma Avé Maria.

De joelhos em terra, é o primeiro sinal de comunhão que a todos une e toca profundamente e que, por certo, muito terá sensibilizado a Senhora de Fátima.

Segue-se outro gesto de profundo significado. João Paulo II levanta-se e caminhando com esforço, deposita junto à Virgem um anel que lhe havia sido oferecido, aquando da sua sagração papal.

É a entrega total do seu pontificado, o tudo da sua vida, ali doado à Virgem.

Terminado o primeiro dia, João Paulo II recolhe à Casa de Nossa Senhora do Carmo, onde pernoita e recupera forças para o dia seguinte.

Os peregrinos, após as cerimónias, permanecem no Santuário, defendendo o metro quadrado onde se situam e que lhes iria proporcionar o melhor local para assistir à proclamação solene da Beatificação dos Pastorinhos, a qual ocorreu, eram exactamente 9 horas e 54 minutos.

Grande ovação ecoou nos céus de Fátima. Francisco e Jacinta são declarados Beatos e a sua festa é fixada no dia 20 de Fevereiro. A Igreja ficou mais enriquecida e a irmã Lúcia sorriu docemente.

Na homilia da celebração eucarística, o Sumo Pontífice realçou a importância da educação das crianças, e realçou o comportamento de Francisco e Jacinta, que apontou aos milhares de crianças de diferentes regiões do País ali presentes, como exemplos, e recordou os males e as muitas vítimas do último século do segundo milénio.

Terminada a Eucaristia, aconteceu um duplo adeus: adeus à Virgem, mais uma vez repetido na Cova da Iria, mas, que, nem por isso, deixa de constituir um dos seus sinais mais expressivos e sempre comovente, com centenas de milhares de lenços brancos acenando à Senhora de Fátima, num gesto de súplica e gratidão. O outro adeus, foi ao Papa, que ouviu os peregrinos cantar-lhe os “parabéns a você” antecipados, do seu 80º aniversário natalício.

Visivelmente feliz, o Santo Padre corresponde, abençoando.

É a hora da despedida. A multidão começa a movimentar-se e o recinto, paulatinamente, esvazia-se, sob o olhar atento das duas crianças recém beatificadas.

 

 

 

 


08
Mar 00

 

 

Apresenta-nos o livro do Génesis duas versões da criação do homem, que, parecendo divergir, assim não é na realidade, pois a segunda indo na sequência da primeira, dá um sentido único à obra criadora de Deus.

Deus criou o homem e deu-lhe o nome de Adão que, em hebraico, quer dizer “vermelho”, procedente da cor do barro de que fora feito.

Após a criação de Adão, concluindo que não era bom que o homem estivesse só, Deus criou-lhe uma companheira, a primeira mulher, semelhante a ele, a que chamou Eva, que quer dizer “mãe de todos os viventes”.

Com a criação da mulher fica a humanidade completa, posto que nem só Adão nem só Eva, cada um por si, forma a humanidade, mas sim Adão e Eva, no seu conjunto.

Depois, diz-nos o texto sagrado, o Senhor Deus encarregou-os de guardar e cultivar a terra que para eles criara.

Com tudo isto, o homem aparece como a cúpula de toda a criação, pois que fora feito à imagem e semelhança de Deus.

Deus dota-os com uma vida agradável, de abundância e felicidade.

Existia no paraíso uma árvore que Deus criara, conhecida pela “Árvore da Ciência do Bem e do Mal”.

Deus proibira-lhes que comessem do fruto dessa árvore, pois no dia em que o fizessem, morreriam.

Adão e Eva transgrediram o preceito do Senhor. Comeram do fruto dessa árvore. Pecaram.

Com o pecado de Adão e Eva, primeiros pais da humanidade, o pecado instalou-se no mundo. Toda a humanidade se tornou pecadora, ficando condenada ao sofrimento e à morte.

Mas Deus deixa antever um raio de esperança, anunciando a salvação. Uma mulher esmagaria a cabeça da serpente enganadora, e a sua descendência – a humanidade que se tornara pecadora, havia de terminar em glória.

É o anúncio do bem sobre o mal, da graça sobre o pecado, da vida sobre a morte – uma Nova Criação.

Deus criaria um Novo Adão e uma Nova Eva que, contrariando a acção pecaminosa dos nossos primeiros pais, haviam de salvar a humanidade decaída.

A Virgem Maria será a nova Eva, a Mulher Forte, que esmagará a cabeça da serpente tentadora e Cristo o novo Adão que há-de resgatar a humanidade pecadora.

 

 

 

publicado por aosabordapena às 18:07

18
Jan 00

 

 

É este mês de Janeiro consagrado a Santa Maria Mãe de Deus e da liturgia podemos extrair, para reflexão, alguns acontecimentos que evidenciam as virtudes daquela que “achou graça diante de Deus”.

Maria, submissa à vontade de Deus, admirada com tudo o que diziam de seu recém-nascido Filho, anfitriã de pastores e de reis magos. Maria aconchegando o Menino na manjedoura da gruta de Belém que “conserva todas estas coisas, ponderando-as no seu coração”. Maria, humilde e pobre, sem lugar na hospedaria e que “oferece em sacrifício ao Senhor um par de rolas ou duas pombinhas”, Maria, mãe receosa pelo que possa acontecer a seu divino Filho e que foge, pressurosa, para o Egipto, protegendo a sua vida, da raiva assassina de Herodes.

Exemplos maravilhosos de conduta que a Mãe de Deus e nossa mãe nos proporciona:

- Vida de obediência à Lei de Deus e de aceitação da condição humana, na riqueza ou na pobreza, na dor ou na alegria, na doença e na saúde.

- Vida, vivida solidariamente, sem discriminação de pessoas, pois todos “já não somos servos mas filhos de Deus”.

- Vida, vivida em comunhão íntima com Deus. Com Deus na boca, mas sobretudo no coração.

- Vida, testemunho da primeira das bem-aventuranças, em que o espírito de pobreza está antes de tudo; espírito de partilha com os mais desfavorecidos e repúdio pela ostentação e mau uso da riqueza.

- Vida, testemunho de fé que, para sua defesa e afirmação, não hesita em suportar sacrifícios, contrariedades, desilusões e mal entendidos.

Façamos como Maria. Ponderemos todas estas coisas no nosso coração e peçamos-lhe a coragem necessária para as implementarmos na nossa vida.

 

 


20
Nov 99

 

 

 

Terminamos neste mês a série de apontamentos subordinados ao tema, “Preparação para o Jubileu do Ano 2000”, sendo a sua finalidade contribuir, embora modestamente, para que esta caminhada iniciada há um ano, fosse uma caminhada de reconciliação com Deus, connosco próprios e com o nosso próximo.

Neste caminhar difícil e incómodo, não podemos prescindir da ajuda e do exemplo de Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe.

No mistério da maternidade de Maria, na intimidade com seu filho Jesus, Maria descobre Deus como Pai, de Quem é a filha predilecta e diante de Quem achou graça.

Por Maria, apoiados no seu regaço maternal, somos convidados a regressar à Casa do Pai, “fazendo tudo o que Ele vos disser”.

Aos pés da Cruz, Jesus confiou-nos ternamente aos braços acolhedores de Maria: “Mulher, eis aí o teu filho”, “Eis aí a tua Mãe”.

Assim, nada tendo a temer, neste fim de ano, limiar de um novo século e de um novo milénio, somos incitados a ir “com alegria ao encontro do Senhor”.

Este convite ser-nos-á renovado, na noite de Natal deste ano, altura em que terá início o grande Jubileu do ano 2000.

Procuremos, pois, juntamente com os pastores de Belém e com os Magos do Oriente, ir ao encontro de Deus – Pai, por intermédio de Jesus – Menino, inspirados pelo Espírito Santo e conduzidos por Maria Santíssima.

E nesta alegria do encontro, dar-nos-emos conta de que O encontrámos, porque Ele também veio ao nosso encontro. Fê-lo como o pai da parábola do filho pródigo, porque é rico em misericórdia, sempre pronto a perdoar.

Porém não devemos ir sozinhos ao encontro do Pai. Acompanhados por Maria Mãe de todos os homens, devemos fazer-nos acompanhar por todos quantos pertencem à “família de Deus”, especialmente por aqueles nossos irmãos que vivem pobres e marginalizados, cujos rostos se encontram sulcados pela amargura e solidão.

Que o Ano Santo da Encarnação que se aproxima, seja proveitoso para todos e o início duma nova etapa no amor a Deus e ao próximo, e um hino de louvor e acção de graças a Deus – Pai que nos concedeu em Cristo a graça de sermos “concidadãos dos santos e membros da família de Deus”.

 

 


08
Jun 99

 

 

Realizou-se no mês de Maio de 1999, a Peregrinação Internacional Aniversária dos 82 anos da 1ª Aparição aos Pastorinhos, presidida pelo Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, subordinada ao tema “Pai, perdoai-nos como nós perdoamos”.

Para lá rumámos, via Batalha, começando a ser interiormente preparados pela visão da paisagem deslumbrante dos montes, onde pontifica uma vegetação selvagem, salpicada de azinheiras, oliveiras e flores silvestres.

Lá no cimo da montanha – a serra d`Aire, fica Fátima, rodeada duma auréola inspiradora que nos provoca e desafia, lugar de fé e de conversão, “a antena que nos liga ao céu”, no dizer do Papa João Paulo II.

O odor intenso do zimbro e uma atmosfera mística invadem-nos, quando entramos no recinto.

Antes, os pedintes e os mendigos haviam-nos desafiado a alma, como que pondo à prova a nossa solidariedade fraterna e cristã.

Temos pressa de chegar à Capela das Aparições e de nos prostrar aos pés da Virgem. A alegria de aí estarmos, é enorme.

Os peregrinos trazem no rosto a dor e o sofrimento que amalgamam com lágrimas de alegria pelo fim da caminhada e pelo encontro com Maria.

Nas filas, para o Lava-pés, aguardam pacientemente a sua vez. Rostos macerados, cabelos desgrenhados, alquebrados, são o sinal visível da dureza da caminhada. Cenas de grande sacrifício são-nos presentes: corpos rastejantes, joelhos doridos, um ramo de flores em mãos calejadas, são alguns dos presentes oferecidos à Senhora de Fátima.

Línguas de vinte e seis nacionalidades, ufanas da sua presença, entoam cânticos de louvor à Virgem.

A emoção estampada nos rostos bem expressivos é indisfarçável.

Os cânticos e orações, expressos de forma tão diferente, transportam-nos a paragens celestiais, onde, importante, não é a língua, mas sim, o sentimento de união e de comunhão de almas, e de querer louvar e agradecer à Virgem as graças concedidas e de pedir ajuda para as nossas necessidades.

No nosso espírito perpassam as pessoas queridas da família, os nossos mortos, os amigos, os doentes, que recomendamos à Senhora, com fervor.

Imprescindível é a visita à Capela do Santíssimo, onde Jesus presente na Hóstia consagrada está no meio de nós; apenas é preciso abrir bem os olhos da alma para O vermos, para Lhe falarmos, para com Ele podermos dialogar – diálogo de amigos – que gostam de conversar.

Após o Terço, segue-se a Procissão de Velas. Os sinos repicam, chamando para a oração. Um mar de luz, na noite escura, ilumina a totalidade do recinto.

As velas acesas, símbolo da nossa fé, são bem levantadas ao alto, querendo expressar a nossa presença, neste cortejo de acompanhamento e aclamação à Senhora de Fátima, toda iluminada e enfeitada de flores.

As chamas e o fumo negro das velas oferecidas à Virgem emprestam àquela parte do recinto, uma expressão fantástica: ali pomos a arder os nossos pecados, as nossas misérias, a nossa lama, de que é símbolo esse fumo, para serem purificados pelo fogo do amor de Deus; ali colocamos as nossas esperanças no alcançar das graças solicitadas; ali depositamos o nosso muito obrigado pelas graças obtidas; ali louvamos Maria queimando velas, cuja luz e calor se incorporam em nós, reacendendo a chama do nosso amor à Mãe do Céu.

Em qualquer recanto do Santuário se ouvem grupos, entoando cânticos e orações, estandartes levantados ao vento, prefigurando no nosso imaginário, a visão do ambiente celestial e místico do que será o Céu.

A missa pelos doentes, a bênção dos mesmos, o cortejo eucarístico, a romagem aos túmulos de Jacinta e Francisco cujos processos de beatificação se encontram ultimados, a leitura e entrega à Virgem dum fax de Timor, foram momentos altos desta peregrinação, para não falar do adeus à Virgem, sob um sol intenso, vendo-se nos rostos emocionados, suor e lágrimas.

Termino esta vivência de alma, com um apelo. Não deixem de ir a Fátima, num dia 13 de Maio.

Vale a pena sofrer algum desconforto, algum cansaço. A alegria do encontro com Maria, nossa Mãe e o poder partilhar dessa grande manifestação de fé, são experiências espiritualmente recompensadoras.

Vale a pena.

 

 

publicado por aosabordapena às 18:52

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