Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

02
Abr 02

A Conferência Vicentina de S. Tiago foi fundada no dia 18 de Outubro do ano jubilar 2000.

Desde então, os membros que a compõem, nesta data, oito, reúnem com regularidade, todas as quintas-feiras, às 21 horas.

Da acção desenvolvida ao longo do último ano, apraz registar a sua participação em projectos de ajuda aos mais carenciados, como: Leprosos, Crianças do Afeganistão, campanha de Natal promovida pela Rádio Renascença “Crianças no coração” etc.

Tal não seria possível, sem a ajuda dos benfeitores, aos quais a Conferência agradece penhoradamente.

 No dia 8 de Novembro de 2001, os seus membros decidiram solicitar a sua agregação à Sociedade de S. Vicente de Paulo.

É com todo o prazer, que informamos a Comunidade, de que tal pedido foi aceite pelo Conselho Geral da Sociedade, com sede em Paris.

“Caminhos” felicita a Conferência e o seu conselheiro espiritual, Sr. P. José Carlos.

Oxalá a sua acção progrida cada vez mais, e entusiasme outros elementos da nossa Paróquia no sentido de a integrarem, contribuindo generosamente, com a sua presença, ou com donativos destinados a ajudar os que mais precisam.

 

publicado por aosabordapena às 19:06

03
Set 01

 

 

Celebra-se no dia 27 de Setembro, a festa de S. Vicente de Paulo que, Frederico Ozanam e seus companheiros, inspirados pelo seu pensamento e pela sua obra, escolheram para patrono da Sociedade que fundaram em 1833.

Corria o ano de 1608 quando o P. Vicente de Paulo, chegado a Paris, deparou com a miséria de milhares de homens, de mulheres e crianças que enchiam as ruas, pedindo esmola.

De noite, percorria-as, procurando crianças abandonadas que depois entregava a senhoras piedosas que as tratavam como verdadeiras mães.

Era entre os pobres, os doentes e as crianças que melhor se sentia.

Um dia, estando a pregar um sermão ao povo, apresentou o caso duma família constituída pelos pais e seis filhos, que viviam na maior penúria. Dizia ele: “meus filhos, numa quinta, aqui perto, há uma família de doentes e que nada têm para comer.

Dá, verdadeiramente, pena contemplar tão triste espectáculo! Jesus Cristo derramou o seu preciosíssimo sangue por todos nós. Certamente que Ele não quer que estes irmãos nossos vivam como estão a viver, com falta de tudo, até do mais necessário…”

Tais palavras geraram uma tal onda de generosidade cristã nos fiéis, que S. Vicente de Paulo se encarregou de organizar uma “Sociedade” para uma melhor distribuição dos donativos.

Nasceu assim, a primeira conferência da caridade dotada de um Centro, para onde era canalizada a generosa caridade dos ricos.

 

publicado por aosabordapena às 14:47

02
Mai 01

 

O Regulamento Nacional pelo qual se rege a Sociedade de S. Vicente de Paulo em Portugal foi aprovado em 27 e 28 de Novembro de 1993, na 35ª reunião plenária do Conselho Nacional que se realizou em Lisboa.

É preocupação de todas as Conferências e Conselhos Centrais aprofundar o seu conhecimento e procurar cumprir rigorosamente o que nele se encontra estatuído.

Assim no que respeita à admissão dum candidato à família vicentina, estabelece o regulamento que aquele, depois de uma fase de preparação e adaptação com um mínimo de um ano, proclame o seu compromisso durante uma Assembleia Regulamentar.

Estas Assembleias devem ser organizadas pelo respectivo Conselho Central e realizam-se, segundo a tradição, por altura da festa da Imaculada Conceição (8 de Dezembro) e outra, na data da comemoração litúrgica de S. Vicente de Paulo (27 de Setembro).

Em relação a esta última e dado que a data em causa ocorre, num período de férias, é aceitável a sua realização noutra ocasião, aconselhando-se, no entanto, o mês de Abril em que se comemoram os nascimentos do Beato Frederico Ozanam (23 de Abril) e de S. Vicente de Paulo (24 de Abril).

 

 

publicado por aosabordapena às 20:31

10
Set 00

 

  Túmulo de Ozanam com o fresco do Bom Samaritano

 

          Frederico Ozanam encontrava-se gravemente doente. Os médicos mandam-no então, para uma estância de repouso, junto dos Pirinéus. Os ares da montanha e a beleza do local casavam plenamente com a sua maneira de ser tão sensível e amante da poesia.
   Contudo Ozanam não se sentia feliz. A inacção preocupava-o, tendo afirmado que: “… chego ao fim    do dia, sem ter feito nada; esta ociosidade pesa-me como um remorso e parece-me que não mereço o pão que como, nem a cama em que me deito”.
   Considerando que a estadia lhe havia proporcionado algumas melhoras, é autorizado a visitar Espanha, não tendo, porém passado de Burgos.O sonho de peregrinar até Santiago de Compostela não pôde ser realizado.
    Ozanam deslocou-se depois a Itália, mais precisamente a Pisa, onde tem oportunidade de admirar os seus maravilhosos monumentos. Aí passa o Inverno, e tem oportunidade, embora proibido, de ler e de escrever, sendo seu refúgio preferido a biblioteca de Pisa.
   Correndo alguns boatos desfavoráveis à Sociedade de S. Vicente de Paulo, apressa-se a esclarecer a Grã-Duquesa de Pisa que a Sociedade “nunca investigava sobre as opiniões políticas dos seus membros; bastava-lhes serem honestos e cristãos”.
   A 23 de Abril de 1853, aniversário dos seus 40 anos, Ozanam, conformado com a sua situação, disponibiliza-se, com dócil humildade. “Se me chamais, Senhor; não tenho o direito de me queixar, vou”.
  O resto das suas forças e dos dias gasta-os Ozanam a visitar as Conferências que pode, cumprindo o que chamava “as suas visitas pastorais”.
  A saúde de Ozanam continua a degradar-se, progressivamente. Sente-se cansado. Pressente que tem pouco tempo para viver.
  A 15 de Agosto mostrou vontade de comungar. Pormenor comovente: recebeu Cristo das mãos dum padre que, também gravemente enfermo, se fizera transportar à Igreja, quando soube, antes da missa, que Ozanam iria comungar, e este padre dava-lhe a Hóstia pela última vez.
  Ozanam passou a ocupar-se somente das coisas do céu.
 “Se alguma coisa me consola, confidencia à esposa, ao deixar este mundo, sem ter acabado o que desejei e empreendi, é que nunca trabalhei pelo louvor dos homens, mas unicamente para servir a verdade”.
 À notícia do seu regresso a França é carinhosamente saudado pelos amigos italianos e confrades da Sociedade que dele se vão despedir.
 Chegado a Marselha, estava tão fraco que só a família o velava. A 8 de Setembro de 1853, na noite da Natividade da Santíssima Virgem, estavam junto dele a esposa, seus irmãos e alguns parentes.
 Num quarto, ao lado, os confrades da Sociedade de S. Vicente de Paulo rezavam em silêncio. De repente, ecoou a sua voz, estranhamente forte: “Meu Deus, tende piedade de mim”.
 Depois foi o silêncio. Uma hora mais tarde, Ozanam morria.
 
 

 

publicado por aosabordapena às 17:27

10
Ago 00

   Era Abril do ano de 1852. Frederico Ozanam sofria penosamente duma pleurisia, agravada por uma febre maligna.

   Não havia gozado férias e o médico ordenara-lhe repouso absoluto. Contudo, para Ozanam, homem inquieto e irrequieto, o próprio descanso era uma doença. «Não ganho o pão que como, dizia. Devo ganhar o dia»

   Perturbado pela sua consciência escrupulosa e conhecedor dos murmúrios que a notícia da sua ausência causara no meio estudantil, levantou-se, apesar das lágrimas da esposa, das ordens do médico e dos conselhos dos amigos, e fez-se transportar à Sorbonne.

   À vista do professor, tremente de febre e de rosto pálido, os aplausos dos estudantes surgiram entusiasticamente.

   A sua eloquência arrebata todo o auditório. As palavras sofridas que então proferiu, reflectem não só a entrega total da sua vida à defesa das grandes causas, pelas quais se bateu, ao longo da vida, como também, o zelo demonstrado pelo cumprimento escrupuloso das suas obrigações profissionais. “É aqui que estragamos a nossa saúde, é aqui que usamos as nossas forças; não me queixo, a minha vida pertence-vos; nós vo-lo devemos até ao último suspiro, vós a tendes. Quanto a mim, senhores, se morro é ao vosso serviço”.

   Os estudantes, aplaudindo novamente, compreenderam então, que não mais veriam Ozanam na cátedra.

   Esta doação total da sua vida ao serviço dos outros, é a concretização plena e prática dos ensinamentos do Evangelho.

   Frederico Ozanam experimentou a profunda alegria de servir, imitando Jesus. Do mesmo modo, “o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20, 28).

   Costumava dizer Henrique Vergés, irmão marista, assassinado por islamistas na Argélia, em Maio de 1994: «o quinto Evangelho que o mundo todo pode ler, é a vida». Assim a cada um de nós também é pedido para fazer das nossas vidas um “quinto Evangelho”.

   Somos convidados a fazer de cada dia que passa uma oferta de serviço, redobrando a nossa atenção aos que precisam do nosso auxílio, seja de ordem material ou duma palavra amiga.

   No gesto de servir está a fonte donde brota a felicidade e a alegria, salpicando a aridez da nossa vida e da vida daqueles com quem nos relacionamos, de tons verde esperança e azul celeste.

   Tendo, pois, sempre presente que «quem não vive para servir não serve para viver», procuremos, seguir o exemplo do Beato Frederico Ozanam que, sem descurar a sua vida profissional, consagrou a vida a servir e a defender a causa dos mais necessitados.

publicado por aosabordapena às 16:02

29
Jul 00

       Frederico Ozanam não se limitava a visitar os pobres. Procurava indagar e compreender as causas profundas da sua indigência, causas nem sempre devidas à pouca sorte, às desgraças, à preguiça.

    O confronto entre o poder dos detentores do ouro e a carência dos marginalizados, traduzido em raiva e desespero, era feroz.

   Ozanam sonhava com um outro entendimento entre a indústria e a caridade.

     Da sua cátedra em Lyon, defende a humanização do trabalho, reclama a constituição de associações de trabalhadores, a atribuição dum salário que pudesse satisfazer as necessidades básicas da família e assegurar a educação dos filhos, direitos pelo quais se batia, de alma e coração.

    Procura que o operário seja tratado, não como uma máquina ou um escravo, mas sim como homem, colaborador do seu patrão.

    Luta contra a prestação de trabalho ao Domingo, já que tal contribuía para o não cumprimento dos deveres religiosos e dificultava as relações familiares.

   Advoga que, para melhor compreender os problemas sociais e proceder às reformas indispensáveis, interessa, não tanto o saber livresco, a teorização demagógica, mas sim «subir os degraus da casa do pobre, sentar-se à sua cabeceira, sofrer o mesmo frio que ele, entrar no segredo do seu coração desolado e da sua consciência destruída».

   Ontem, como hoje, o combate à pobreza, à exclusão social, à marginalização, deve ser um combate prioritário, em que o poder público se deve empenhar com seriedade, implementando políticas realistas e concretas, visando a sua eliminação.

  Tal não desobriga, obviamente, a sociedade civil, através das mais diversas formas, de se associar a este combate, que é de todos.

    Para isso, os vicentinos, empenhados que estão nesta luta, por um compromisso pessoal e voluntário, se esforçam, cada vez mais por alargar a sua obra, ajudando os que precisam, aliviando os que sofrem, em espírito de justiça e de caridade.

 

 

publicado por aosabordapena às 16:04

26
Mai 00

 

 
Frederico Ozanam não idealizara as Conferências de S. Vicente de Paulo como o único remédio e bastião contra a pobreza.
Um dos seus objectivos era proporcionar aos mais privilegiados, um meio de reflexão, acerca das causas profundas da miséria, da qual resultassem propostas e ideias que influenciassem, de alguma forma, o poder político, no sentido da tomada de medidas, visando a sua irradiação.
Em 1836, três anos após a criação das Conferências, Ozanam escreve a um amigo: “A questão que divide os homens dos nossos dias já não é uma questão de forma política, mas uma questão social, pois trata-se de saber quem levará a melhor: o espírito de egoísmo ou o espírito de sacrifício; se a sociedade será uma grande exploração em proveito dos mais fortes ou uma consagração de cada um para o bem de todos, e sobretudo, para a protecção dos fracos. Há muitos homens que têm demais e querem sempre mais; e há ainda muitos mais que não têm o suficiente, que nada têm e querem agarrar, se não lhes derem. Entre estas duas classes de homens prepara-se uma luta que ameaça tornar-se terrível: dum lado, o poder do ouro, do outro, o poder do desespero”.
A luta de classes prenunciada com cinquenta anos de avanço por Frederico Ozanam, continua latente, de forma mais subtil, na sociedade dos dias de hoje, pelo que a actualidade das suas palavras é evidente.
Nuvens negras ensombram o limiar do terceiro milénio. A globalização da economia , a informatização dos serviços, a aceleração do acesso à Internet e a introdução de novas tecnologias, começam a excluir do sistema, todos aqueles a quem não foi proporcionada formação ou que não tenham capacidade ou idade para acompanhar e integrar o ritmo da mudança que se avizinha. Serão os desempregados e os sem abrigos do futuro.
Se a Revolução Industrial deixou de fora milhares de pessoas, também a revolução tecnológica e a sociedade de informação do novo milénio, produzirão milhares de desempregados, se os governos não se unirem e não subscreverem uma vontade política comum de combate ao desemprego e à exclusão social.
Se tal é importante, contudo não basta. As iniciativas individuais ou colectivas são essenciais. A ajuda de Deus é imprescindível.
O nosso Deus não é um Deus insensível aos angustiosos problemas da humanidade que sofre, nem quer discípulos desertores das tarefas do mundo e indiferentes à história dos seus irmãos.
Por isso, é dever de todos os cristãos e, em especial dos vicentinos, estar atentos aos novos tempos, lutar e contribuir na medida das suas possibilidades para que a sociedade em que vivemos, seja mais feliz, mais justa e mais solidária.
 
 
publicado por aosabordapena às 18:04

12
Abr 00

  

   O pensamento de Ozanam acerca do melhor procedimento, no desempenho da sua missão, como historiador cristão, assenta em duas premissas. Primeiro, que a convicção seja livre e inteligente, e o Cristianismo não deseja outra coisa. S. Paulo pede que esta adesão seja racional. Segundo, que o desejo de justificar uma crença não conduza à desfiguração dos factos ou à omissão dos testemunhos.

   Com base nestes pilares, trabalha intensamente e empenha-se em mostrar ao mundo a obra civilizada do Cristianismo.

   Remexe arquivos, carrega-se de notas, transcreve textos, anda de biblioteca em biblioteca, procurando documentos inéditos que investiga escrupulosamente.

   Durante uma viagem que fez à Itália, em 1847, Ozanam através das investigações que efectua, sobre o movimento religioso inaugurado por S. Francisco de Assis, sente reforçado o entusiasmo pela sua vida e obra.

   S. Francisco amava a Deus e aos pobres, e este era também o seu programa de vida. Este sonho franciscano vai encher a sua alma e o seu coração tão sensível.

   A par da sua vida familiar e das múltiplas actividades em que está envolvido e a que se entrega, com generosidade, nomeadamente, a de docente e de historiador cristão, Ozanam, ainda encontra tempo para, todos os domingos, se reunir com os operários, para lhes explicar o sentido do seu destino e a acção de Deus nas suas vidas.

   Entretanto, a Sociedade de S. Vicente de Paulo continua imparável, contando em 1845, com 9000 membros.

   Ozanam, embora tivesse recusado a sua presidência “era a sua alma, a alma pensante e irradiante”.

   Recomenda “que se evitasse o farisaísmo, a estima exclusiva de si mesmo, a imposição de exigências e de práticas, a filantropia verbal, a burocracia”.

   Como os seus conselhos continuam actuais! A sua vida de amor à verdade e ao trabalho, vida de fé e de amor aos mais desfavorecidos, é para os vicentinos, um exemplo a seguir, uma forma peculiar de ser cristão nos dias de hoje.

 
 
publicado por aosabordapena às 15:21

10
Mar 00

  

  Como professor de Literatura Estrangeira, na Sorbonne, Ozanam preparava-se para cada lição “com esforço religioso”.

   Quando subia à cátedra, “expunha a alma” e os jovens, magnetizados pela sua palavra, sentiam que ele “tinha o fogo sagrado”.

   Fruto do seu testemunho e da sua palavra inspiradora, Ozanam, evangeliza num meio que lhe é hostil, conseguindo conversões e adesão à sua causa.

   Dirá um jovem: “o que não puderam fazer muitos sermões, vós o fizestes num dia: fizestes-me cristão”.

   A convicção interior, a inteligência e a palavra terna, imbuída de melancolia e poesia, são factores decisivos que impulsionam os jovens a ser cada vez mais fortes e dedicados.

   Ozanam, apesar da precariedade da sua situação profissional, pois era professor suplente, não hesitou em afirmar o seu ideal de cristão católico, num meio universitário, onde o ensino era tradicionalmente neutro e até hostil.

   Certo dia, alguém afixou na porta da sua sala estas palavras, pretensamente espirituosas: “Reverendo P. Ozanam, Curso de Teologia”.

   Ozanam, na sua simplicidade, responde: “Não tenho a honra de ser teólogo, mas tenho a honra de ser cristão”.

   Luta denodadamente contra aqueles que atacavam os Jesuítas, a Igreja e o Papado. Apoia os convertidos, alvo de perseguições.

   Não hesita em associar o seu nome à luta dos católicos do seu tempo, pela liberdade de ensino e contra o monopólio da Universidade.

   Apesar destas corajosas tomadas de posição, Ozanam não deixou de, em 1844, assumir a titularidade do lugar de Professor.

   Diz um conhecido slogan “que a sorte protege os audazes”.

   No caso de Ozanam, poderemos contrapor com o provérbio “Deus ajuda quem trabalha, que é o capital que menos falha”.

   A sua convicção e adesão a Cristo, a perseverança, o testemunho de uma vida manifestada através da fé, perante tudo e todos, fazem de Frederico Ozanam um exemplo que os membros das Conferências Vicentinas especialmente, devem procurar seguir, muito se orgulhando por o terem como seu Fundador.

publicado por aosabordapena às 16:18

25
Fev 00

 

                                                         
   Frederico Ozanam foi enviado para Paris, por seu pai, para estudar Direito e assim poder exercer advocacia.
   Porém o seu coração e gostos traíam-no frequentemente e as Letras perseguiam-no.
   Obediente, contudo, a seu pai, licencia-se, em fins de 1834 em Direito, e no ano seguinte, consegue a licenciatura em Letras.
   Terminado o doutoramento em Direito, em 1836, regressa a Lyon, grande cidade industrial, onde “em nenhuma outra parte, o homem precisa mais de Deus”. Terra de denso nevoeiro e de contradições, cidade dada ao misticismo que não esquecia os quarenta santos de Lyon e Viena, mas onde o egoísmo da burguesia rica e a miséria dos inúmeros pobres caminhavam, lado a lado, indiferentes.
   É nesta paisagem de contrastes violentos que evolui a vida de Ozanam.
   Tendo prestado juramento como “advogado do tribunal real de Lyon” sente-se feliz por ter, como bom filho, cumprido a vontade do pai.
   Contudo a sua alma recta e pura não podia satisfazer-se com o ambiente “irrespirável do tribunal”.
   Céptico em relação aos advogados e ao seu sentido de justiça, foi, certo dia, censurado pelo ministério público, em tom de mofa, pela ingenuidade em defender, com ardor, a causa dum indigente.
   Ozanam, indignado, não se conteve, e perguntou ao magistrado se para ele, o exercício da justiça e a defesa do pobre, não passavam duma comédia.
   Desconhece-se a resposta ou se chegou a ser dada.
   Decididamente, a barra dos tribunais não fora feita para ele. Não encontrava nela a paz de espírito nem de coração.
   E o seu desgosto era evidente, como escrevia a um amigo: “A justiça é o último asilo moral, o último santuário da presente sociedade. Vê-la rodeada de imundície é para mim motivo de indignação renovada, a cada instante …Este género de vida irrita-me; quase todos os dias regresso magoado do tribunal”.
 

 

publicado por aosabordapena às 15:50

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