Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

17
Jan 10

 

O primeiro é perceber que Deus está presente em todas as coisas da vida e, por isso, deves amá-Lo e agradecer-Lhe tudo o que tens e tudo o que te acontece.
 
O segundo é que deves amar-te a ti mesmo e, todos os dias, ao levantar-te e ao deitar-te deves afirmar com convicção: Eu sou importante, tenho valor, sou capaz, sou inteligente, sou carinhoso, vou esperar muito de mim, pois não há obstáculo que não possa vencer. Este passo significa: ter a auto-estima elevada.
 
O terceiro passo é o mais importante. Terás que pôr em prática aquilo que afirmas, ou seja: Se dizes que és inteligente, actua inteligentemente; se dizes que és capaz, faz o que te propões; dizendo que és carinhoso, expressa o teu amor; se dizes que não há obstáculos para ti, então propõe-te metas na vida e luta por elas até as conseguir.
 
Este é o quarto passo: nunca tenhas inveja de ninguém por aquilo que tem ou pelo que é. Eles conseguiram as suas metas. Trabalha pelas tuas.
 
Quinto passo: Não podes guardar rancor a ninguém no teu coração. Tal sentimento nunca te deixaria ser feliz. Deixa que as leis de Deus façam justiça; e tu perdoa simplesmente.
 
Sexto passo: Nunca podes tomar para ti o que não te pertence. Lembra-te que, segundo as leis da natureza, amanhã te tirarão algo de muito mais valor.
 
O sétimo passo: Não deves maltratar ninguém, pois todas as pessoas têm direito a ser respeitadas e amadas.
 
E, finalmente: Levanta-te sempre com um sorriso nos lábios, olha ao teu redor e descobre, em todas as pessoas e coisas, o seu lado bom e positivo. Pensa como és feliz tendo tudo o que tens. Ajuda os outros sem pensar que irás receber algo em troca. Olha para as pessoas, descobrindo nelas as suas qualidades.
 
(Samuel Arango)

publicado por aosabordapena às 14:11

19
Dez 09

 

 
O meu amor é o meu peso. Para qualquer parte que vá, é ele quem me leva. O Vosso Dom, Senhor, inflama-nos e arrebata-nos para o alto. Ardemos e partimos. Fazemos ascensões no coração e cantamos o «cântico dos degraus».
É o Vosso fogo, o Vosso fogo benfazejo que nos consome enquanto vamos e subimos para a paz da Jerusalém celeste. «Regozijei-me com aquilo que me disseram: «Iremos para a casa do Senhor». Lá nos colocará a «boa vontade» para que nada mais desejemos senão permanecer ali eternamente.
publicado por aosabordapena às 16:19

 Foto da Net

 
O Mestre foi assaltado na sua cela, mas o ladrão não achou nada para roubar. Depois que ele saiu, o Mestre sentou-se à porta de casa, contemplou por instantes o luar e disse: “Coitado! Se eu lhe pudesse dar pelo menos a fascinação da lua!...”
(Autor desconhecido)
 
publicado por aosabordapena às 15:44

16
Dez 09

 

 
Dizer SIM a Deus, aceitando a Sua vontade e as Suas permissões, em qualquer circunstância, deve ser a atitude de todo o cristão, pois Deus não seria Deus se, um dia, permitisse alguma coisa na nossa vida sem ter como objectivo atingir um bem maior para nós. 

(Autor desconhecido)

publicado por aosabordapena às 15:29

14
Out 07

 

 

Uns vivem a correr atrás do tempo, mas só o alcançam quando morrem, seja de enfarte ou dum acidente na estrada, por correrem para chegar a tempo. Outros, tão ansiosos por viver o futuro, esquecem-se de viver o presente, que é o único tempo que realmente existe.

O tempo é o mesmo para todos; ninguém tem mais nem menos de 24 horas por dia. A diferença está no que cada um faz do seu tempo.

 Há pois que saber aproveitar cada momento, porque, como alguém disse: «a vida é aquilo que acontece enquanto planeamos o futuro».

A consciência de que a vida é passageira e que a fé leva a não dar largas ao desespero, estão bem expressos nos seguintes versículos (6 a 9), do Salmo 39:

 «Senhor …de poucos palmos fizeste os meus dias;

Diante de ti a minha existência é como nada;

O homem não é mais do que um sopro!

Ele passa como simples sombra!

É em vão que se agita:

amontoa riquezas e não sabe para quem ficam.

Agora, Senhor, que posso eu esperar?

A minha esperança está em ti».

 

publicado por aosabordapena às 18:13

06
Ago 07

 

Um contributo pessoal de reflexão com vista à preparação do próximo Sínodo dos Bispos a ter lugar em Roma, de 5 a 26 de Outubro de 2008.

Resposta a algumas das

perguntas do questionário anexo ao Documento tornado público.

INTRODUÇÃO

Pergunta nº. 1 – Que “sinais dos tempos” mostram, no seu país, a urgência deste Sínodo sobre a Palavra de Deus? Que se espera dele?

Deste Sínodo subordinado ao tema “A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja”, espera-se sobretudo uma análise cuidada e ousada acerca dos factores que influenciam o afastamento, cada vez maior, por grande parte da população, da religião, que proporcione o encontrar de novos caminhos, de novos métodos não só para suster tal sangria, mas também para provocar a renovação e actualização necessárias visando a revitalização da Igreja e, por osmose, a provocação duma adesão interessada e procurada por todos os cristãos e não cristãos, à Boa Nova de Jesus Ressuscitado e sobretudo daqueles que, tendo recebido o Baptismo e feito a Primeira Comunhão, dela se foram afastando progressivamente, até ao ponto de se afirmarem como “católicos não praticantes”.

De facto, entre muitos “sinais”, mostram a urgência deste Sínodo:

- Uma sociedade em que há  uma  crescente exigência  e competição feroz, sem valores, visando o sucesso a qualquer preço, pois a vida está difícil em termos de sobrevivência, de empregabilidade; sociedade em que as novas tecnologias são criadoras duma imensa franja de “novos analfabetos” e excluídos a juntar aos desempregados e àqueles que nunca chegarão a ter um emprego estável; sociedade esbanjadora que destrói “excedentes” que dariam para alimentar milhões de bocas com fome.

Como é que a Igreja tem sido a “voz” daqueles que não têm voz, dos humildes, dos pobres?

Muita desta gente sente-se revoltada, humilhada na sua dignidade. O seu afastamento da Palavra de Deus, da Igreja que a deve proclamar, só será estancado se vir na Igreja e nos seus servidores, defensores das suas causas. Como fazer chegar àqueles que mais precisam, a Palavra de Deus, se aquilo porque mais se empenham é o pão para cada dia?

Para conquistar o coração do homem para Deus, é preciso cativá-lo mediante um Pastoral mergulhada na vida do dia a dia. O cristão é um homem com dificuldades. Se a sua Igreja o não consola, não o alenta, não lhe faz propostas de Boa Nova com vista ao retomar da esperança, é muito difícil conseguir o seu regresso.

- O aumento de divórcios e a diminuição da natalidade motivados por causas económicas, egoísmo e ausência de uma base sólida de formação moral cristã.

- O consumismo, o excesso de bens materiais, e a opulência que levam a esquecer e a prescindir de Deus.

- A guerra, o terrorismo e os fundamentalismos, são sinais de que Deus e a Sua Palavra estão ausentes das relações entre os povos.

- A supremacia da televisão e a sua programação criadora de “falsos paraísos”, em contraponto à mensagem de felicidade preconizada nas Bem – Aventuranças.

- Apesar dos avanços técnicos, tecnológicos e científicos e do aumento da esperança de vida, o homem continua infeliz. Ainda não encontrou a verdadeira felicidade.

- A ignorância e a ausência de cultura religiosa dos nossos tempos são gritantes e evidentes.

PERGUNTA nº. 2 – Que relação se pode ver entre o Sínodo anterior sobre a Eucaristia e o actual sobre a Palavra de Deus?

Sem a realização do Sínodo anunciado, haveria um desequilíbrio, pois não é possível dissociar a Mesa Eucarística da Mesa da Palavra, uma vez que o Senhor Jesus está presente em ambas, de igual forma; ambas são o alimento vivificador da Igreja. A Palavra de Deus e a Eucaristia, pela sua força e acção intrínsecas, são duas vertentes indissociáveis da mesma medida: a generosidade e o amor de Deus pelos Homens a quem se quer dar como alimento de vida eterna.

Pergunta nº. 3 – Existem tradições de experiência bíblica na sua Igreja particular? Quais? Existem nela grupos bíblicos? Qual a sua tipologia?

Que seja do meu conhecimento, não há grande experiência bíblica na nossa cidade. Um ou dois cursos bíblicos por ano têm sido as realizações efectuadas. A sua frequência deixa muito a desejar.

CAPÍTULO I – Revelação, Palavra de Deus, Igreja

1 –     Conhecimento da Palavra de Deus na história da salvação.

 

Parece-me haver uma valorização dos sacramentos e de outras práticas e celebrações religiosas, “em detrimento”, passe a expressão, da Palavra de Deus, porque mais tangíveis, mais rotineiras, mais fáceis “de digerir”, enquanto que a Palavra de Deus exige um esforço intelectual de compreensão e assimilação e não há o hábito de a rezar, meditando-a e interiorizando-a. Daí que os diversos níveis de significado da Palavra de Deus não podem ser captados porque, à partida, a definição das fontes causa muito embaraço por falta de cultura religiosa.

Não se pode afirmar que Jesus Cristo não seja visto como centro da Palavra de Deus. Toda a Bíblia é Palavra de Deus, contudo pode haver alguma conflituosidade se não for tida em conta o seu contexto literário e histórico, os seus destinatários e o seu objectivo. E esta destrinça não é fácil. Daí que a grande dificuldade seja a da interpretação e da aplicação da mensagem aos tempos de hoje.

2 –     Palavra de Deus e Igreja

 

A consciência de pertencer à Igreja forma-se ao longo da vida. Ainda existe a tradição dos nossos pais e avós e de parte da geração adulta dos dias de hoje, de baptizar as crianças de tenra idade. Contudo a situação está mudar, considerando que já se verificam situações de casais que não foram baptizados e que por isso também não levam os filhos ao baptismo, como era tradição. Acresce ainda o facto de as uniões de facto suplantarem os casamentos católicos o que leva a que os filhos também não sejam encaminhados desde logo para o Baptismo.

Na minha perspectiva, a abordagem da Palavra de Deus, apenas actualiza ensinamentos, reconduz ao bom caminho, à conversão, indica modos de viver e de agir, em que o medo do futuro, das doenças, da morte, provoca uma reacção religiosa por vezes doentia. Mas a consciência e alegria de se pertencer à Igreja não sobressai; há um certo imobilismo e apatia religiosos que não conduzem à acção, à missão, ao testemunho interveniente.

Será que a abordagem da Palavra de Deus deveria ser feita no sentido do realce do espírito de missão do cristão, no sentido apologético, da importância de ser cristão, em detrimento duma catequese virada para a conduta comportamental?

Ao nível da Catequese, há uma grande necessidade de formar e manter informados os poucos catequistas que ainda existem. A sua vontade e disponibilidade é muito importante e de valorizar.

Todavia há que repensar a prestação deste serviço à comunidade. A exposição da Palavra de Deus à luz da Sagrada Escritura requer conhecimentos, técnicas, formação.

Relativamente ao Magistério, a maioria dos cristãos não tem acesso aos documentos e por vezes nem deles tem conhecimento. O seu estudo, interpretação e citação são restritos. De referir que os grandes meios de comunicação, pouco realce lhes dão e quando o fazem é para fazer sobressair alguns aspectos, que tirados do seu contexto, são mais sensacionalistas.

Daí a grande importância da imprensa católica, das revistas informativas e doutrinais, que vão sobrevivendo à custa de muitos sacrifícios por “per si”, serem economicamente inviáveis.

Se existe uma genuína escuta de fé da Palavra de Deus? É difícil tomar posição, contudo a mensagem transmitida e a forma expositiva são factores decisivos e catalisadores no sentido da escuta ser mais ou menos atenta e eventualmente profícua. Os cristãos precisam duma mensagem baseada na Palavra de Deus que dê resposta aos problemas da vida actuais, ao sentido da vida, às questões éticas com que as sociedades se defrontam, às dúvidas, angústias e incertezas do mundo de hoje.

3 –     Indicações de fé da Igreja sobre a Palavra de Deus

 

Pelo seu formato e forma de apresentação (pergunta/resposta), penso que o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica teve um bom acolhimento.

Como pastor da sua Igreja, o Bispo deve transmitir-lhe, com calor e ardor, o alimento que a Palavra de Deus é, para que a comunidade eclesial não definhe, nem se sinta desamparada, e que veja no seu Bispo o labor incansável de evangelizar que os Apóstolos desenvolviam, vejam no seu Bispo uma voz firme, mas serena, voz intransigente na defesa dos valores morais e no denunciar das injustiças especialmente exercidas sobre os mais fracos e os mais desprotegidos.

O papel dos ministros ordenados na proclamação da Palavra, deve ser um papel de primordial importância porque mais próximos do povo de Deus, sujeitos diariamente à sua apreciação. É relevante que se preparem convenientemente para a proclamação da Palavra, de modo que não deixem dúvidas por esclarecer nem as criem, que sejam criativos e utilizem a melhor forma e linguagem para chegar ao coração dos fiéis, para os cativar e incentivar à prática da mensagem transmitida.

O povo de Deus tem necessidade de encontrar na Palavra de Deus resposta para os problemas actuais da sua vida, sejam eles quais forem, para os novos problemas e desafios que sociedade globalizada enfrenta, para dirimir os seus medos e angústias, para que a sua vida seja assente em directrizes comportamentais baseadas na Boa Nova de Jesus e não em derivações que a falta de esclarecimento pode provocar.

4 –     A Bíblia como Palavra de Deus

 

O homem deseja feliz. Para isso foi criado por Deus. Contudo se há infelicidade no mundo é porque o homem procura a felicidade em lugares impróprios. Não sendo a Bíblia um compêndio específico sobre a felicidade, há contudo nela, temas e textos que colocam condições para a felicidade: seguir os planos de Deus e viver segundo a Sua Palavra.

Os cristãos empenhados neste caminhar, procuram encontrar na Bíblia a resposta aos seus anseios de felicidade e simultaneamente procuram fortalecer a sua fé, modificar a sua vivência e alcançar a perfeição.

Não é fácil para o comum dos fiéis fazer uma abordagem correcta da Sagrada Escritura: dificuldades de contextualização, interpretações literais, sentido hermenêutico da mensagem e a sua transposição para os dias de hoje, são algumas das dificuldades que se sentem.

Para se compreender integralmente a bondade de Deus e verificar como Deus agiu em relação com o seu povo, como Deus o foi ensinando com paciência, permitindo ou proibindo consoante a época da sua história, é preciso reflectir tanto sobre o Antigo Testamento como sobre o Novo.

Num mundo agressivo como o de hoje, em que o ter é mais valorizado do que o ser, em que o que prevalece são as aparências, como “aceitar” como regra de oiro, – Amar os inimigos e entender as Bem-Aventuranças?

5 –     A fé na Palavra de Deus

 

Os crentes perante a Palavra de Deus procuram enriquecer-se interiormente, sendo, digamos assim, «uma ferramenta vital» que ajuda no caminho da perfeição e a ultrapassar situações difíceis da vida em que a luz deixou de brilhar ao fundo do túnel. A Palavra de Deus é um bálsamo e um lenitivo para a dor e um incentivo a não desistir.

6 –     Maria e a Palavra de Deus

 

Maria foi o discípulo perfeito da Palavra de Deus. Dócil na sua escuta, meditando nela no silêncio do seu ser, acolheu-a com intensidade e interiorizou-a no seu coração. Ela era o seu alimento nas lides domésticas; o seu refúgio nas noites de insónia e de expectativa, nas dores e no sofrimento; a sua força na angústia e na hora derradeira da morte de seu Amado Filho. Ela é o modelo do cristão que escuta, medita e vive a Palavra de Deus. Modelo de discrição, ela testemunha a Palavra de Deus, fazendo e dizendo aos outros para fazer a vontade de seu Filho e do Senhor que a escolheu entre outras mulheres para ser co-redentora da Humanidade. O seu silêncio activo, a sua presença, atenta às dificuldades dos outros, é o sinal visível do cumprimento da vontade de Deus e do seu empenhamento caritativo em prol dos outros. Ela é mestra por excelência: Mãe de Deus e a Mãe de todos nós, que nos recebeu de coração e braços abertos ao pé da Cruz, sofrendo conjuntamente com seu Filho a dor maior, com extrema resignação, paciência e obediência à vontade de Deus Pai.

CAPÍTULO II – A Palavra de Deus na vida da Igreja

1 –     A Palavra de Deus na vida da Igreja

 

A sua importância na vida dos fiéis e das comunidades deveria ser relevante. Contudo parece-me haver uma maior valorização sacramental “em detrimento” do alimento Palavra de Deus. Há que alterar mentalidades de modo a que os fiéis valorizem a mesa da Palavra através de uma contínua catequese, pois Cristo também está vivo e presente na Sua Palavra proclamada diariamente.

Não me parece haver o risco de reduzir o cristianismo a uma religião do livro dada a necessária valorização sacramental referida. Numa sábia valoração das duas componentes está a riqueza, o dinamismo e a perenidade da Igreja.

Os tempos fortes do ano litúrgico são mais propícios à escuta e veneração da Palavra de Deus, pois esta conduz especificamente ao culminar desta certa etapa, para a qual os crentes se vão preparando sem grande esforço, pois a Palavra proclamada a isso conduz; isto concretamente, em relação ao Natal do Senhor e à Páscoa da Ressurreição.

A intensidade litúrgica e profana destas celebrações torna os corações mais sensíveis e abertos à Palavra de Deus.

2 –     A Palavra de Deus na formação do povo de Deus

 

Há todo um trabalho a desenvolver no campo da formação. Formação organizada e ministrada por pessoas qualificadas a responsáveis de serviços nas comunidades, a leigos e a quem o desejar, é um dos grandes desafios da Igreja. Formação organizada permanente é um investimento que não deve ser descurado, custe o que custar, sob pena de cada vez ser maior a ignorância religiosa que a ninguém aproveita.

3 –     Palavra de Deus, liturgia e oração

 

A aproximação dos fiéis à Sagrada Escritura na oração litúrgica é feita com reverência e a sua escuta atenta. Dada a nossa fragilidade humana, nem sempre nos lembramos da Palavra de Deus e da Eucaristia no dia a dia, nas relações com os outros, nas grandes e pequenas decisões e formas de comportamento. A fogosidade, o não reflectir antes de agir, a imprudência, a leviandade, o não conseguir ver no outro, o rosto de Cristo, levam a cometer faltas, omissões e actos menos dignos dum cristão.

A homilia é o momento certo, para de forma sistemática e contínua, interpretar a Palavra de Deus, Sua mensagem e relação com os dias de hoje e entranhá-la na vivência quotidiana do cristão.

Quanto ao Sacramento da Reconciliação de forma individual parece ter caído um pouco em desuso. Falta de tempo e de padres para o atendimento? Horários incompatíveis? Branqueamento do conceito de pecado? Perda da noção de pecado? Celebrações penitenciais pelo Natal e Páscoa, o caminho mais fácil?

A Liturgia das Horas parece-me não ser uma celebração comunitária. O seu conteúdo, forma e sentido são, julgo, desconhecidos de grande parte dos cristãos.

Quanto às possibilidades de contacto com a Bíblia, fora os efectuados em contexto particular, elas são proporcionais à participação da Eucaristia, pelo que a medida da sua suficiência estará relacionada com a prática religiosa.

4 –     Palavra de Deus, evangelização e catequese

 

Não me parece que nas comunidades se dê a devida atenção e estudo à Palavra de Deus escrita. Comunidades envelhecidas estão mais abertas à audição e explicação oral da Bíblia. Quanto às crianças, a adolescentes e jovens, há um vasto campo de acção a desenvolver, a começar pela iniciação e aspectos a ela inerentes. Daí a necessidade de pequenos cursos de introdução à Sagrada Escritura durante o percurso catequético.

5 –     Palavra de Deus, exegese e teologia

 

A sábia conjugação da interpretação alegórica e existencialista da Palavra de Deus seria, talvez, a base duma boa elaboração teológica. Se na primeira se visa o sentido oculto que as palavras encerram, na segunda, partindo do texto, procura-se a resposta às exigências da vida que o leitor ao lê-lo, vai descortinando.

6 –     Palavra de Deus e vida do crente

 

A Sagrada Escritura deveria estar sempre presente na vida dos fiéis leigos, ser um ponto de referência, um farol que iluminasse os procedimentos e formas de estar do cristão no difícil dia a dia da vida. Contudo como é difícil para os fiéis, isto numa avaliação pessoal subjectiva, assumir a atitude bíblica de pobreza e de esvaziamento de si próprio e de confiança na providência divina como Maria a Mãe pobre e humilde mas rica de caridade e de compreensão em relação com as outras pessoas. A sociedade em que vivemos, de competição, consumista, de crise, em que há muitas famílias vivendo no limiar da pobreza e outras vivendo faustosamente ou acima das suas possibilidades, levam os fiéis a uma luta sem tréguas pela aquisição de bens materiais. Esta sociedade egoísta e de aparências esquece-se de Deus, prefere buscar a felicidade na posse de bens materiais.

Os temas do perdão, do amor aos inimigos, da pobreza e da riqueza, são temas difíceis para os fiéis. O motivo pelo qual há grande indiferença e frieza relativamente à Bíblia é porque, alguns dos fiéis, não são capazes de encontrar uma resposta para as angústias, incertezas e fracassos e outros, precisam de ser catequizados.

Quanto à Lectio Divina, penso haver um grande desconhecimento do que significa, da maneira e forma de a praticar. Seria importante insistir junto dos fiéis nesta forma de rezar a Palavra de Deus, de a saborear e de a transformar em alimento diário.

CAPÍTULO III – A Palavra de Deus na missão da Igreja

1 –     Anunciar hoje a Palavra de Deus

 

Em minha opinião o que impede a escuta da Palavra de Deus é a cada vez mais crescente descristianização das gerações actuais. Fenómenos como o aumento dos divórcios, das uniões de facto, do número crescente de filhos não baptizados, da desresponsabilização da escola e da família relativamente à educação moral e religiosa cristã das crianças, liberalização do aborto, tentativa de legitimação jurídica de novas formas de “família”, com a Internet e a televisão a apelarem a “falsos paraísos”, onde o sexo, a pornografia, o álcool, a violência, as drogas parecem estar legitimados, branqueando assim sub-repticiamente a noção de “pecado” e “comportamentos indevidos” dada a sua vulgarização, impedem de forma activa e galopante a escuta da palavra de Deus. São obstáculos sérios que se colocam à Igreja e à necessidade desta encontrar novas formas, novos métodos de anúncio, indo ao encontro das pessoas, não as votando ao ostracismo mas acolhendo-as, dando respostas para a sua inquietação. O estímulo de outros cristãos que vivem na vida a fé que professam, pela caridade, pela atenção aos outros, pela humildade, pelo acolhimento sem reservas, bem como sensações de vazio, de inutilidade, de inquietação provocada pela transitoriedade da vida, a morte, a doença e a adversidade, poderão favorecer a necessidade de renovar a fé, de “regressar” ao bom caminho, de deixar os anti – depressivos e, pela acção do Espírito Santo, sentir o desejo de saborear a vida em graça e a Palavra de Deus. Daí que esta deverá, por anúncio profético, ser causadora desse “click”, dessa ânsia do divino; deve ser Palavra de Deus proclamada aos homens de hoje, enraizada na vida quotidiana.

2 –     Largo acesso à Escritura

 

Não seria despiciendo a elaboração de um pequeno compêndio com perguntas e respostas a questões actuais vistas à luz da Bíblia, a distribuir gratuitamente ou a um preço simbólico, de forma generalizada.

3 –     A difusão da Palavra de Deus

 

Há todo um longo percurso a percorrer nesta questão da difusão. Ninguém pode amar o que desconhece. Daí a necessidade de sistematização e quase “profissionalização” da formação, do incremento de mais revistas e jornais que cativem especialmente os desinteressados a procurar a mensagem divina.

Existem professores de religião moral católica nas escolas para os jovens. Tem-se avaliado a sua acção? Há estatísticas do número de jovens envolvidos? Não será preciso um novo impulso e renovação? Não será de ir mais longe? E os adultos não precisam de formação?

4 –     A Palavra de Deus no diálogo ecuménico

 

É um grande problema, o da coerência de vida com a fé professada. Os cristãos de hoje quase ao sair da igreja se esquecem da fé professada, do alimento espiritual recebido o qual fortalece a vida da fé e conduz à prática da caridade, e ao amor e respeito pelos outros. Há cristãos que vão à missa mas não comungam, que vão à missa por ser hábito ou tradição. Vão aonde Deus se dá como alimento, mas entram, não se alimentam nem sentem necessidade de o fazer. Como compreender esta aparente contradição? É preciso valorizar a sua presença e aproveitar o ensejo para os cativar para o encontro com o Deus do perdão, da festa e da misericórdia.

5 –     A Palavra de Deus no diálogo com o povo judeu

 

A Bíblia devia ser o denominador comum que unisse os povos, promovesse o diálogo e restabelecesse a confiança e a paz onde o império da guerra assentou arraiais.

6 –     A Palavra de Deus no diálogo inter – religioso e inter – cultural

 

Mesmo para os que não acreditam, Deus Pai, na Sua infinita misericórdia, não deixa de ter uma Palavra, um terno e prolongado olhar, endereçado ao seu coração, uma vez que quer a salvação de todos os homens.

« Ângelus Silésius, poeta místico que viveu no séc. XVII, escreveu o seguinte:

“Nós temos dois olhos.

Com um nós vemos as coisas que se movem

No tempo que passa

E são logo esquecidas.

Com o outro, as coisas eternas e divinas,

Que permanecem pelo resto da vida.”

O primeiro olho fala a língua do tempo. Ele se abre para o mundo, deseja conhecê-lo e dominá-lo.

O mundo do segundo olho é o mundo da alma, e a alma só entende a linguagem do Amor».

(Ruben Alves, Introdução a Sozinhos na Escola)

O importante é que essa mensagem lhe seja proclamada e que o segundo olho de que fala o poeta se deixe fascinar pela beleza de Jesus transfigurado e ressuscitado e que o seu coração deixe entrar esse raio de luz proporcionador de bem estar, paz e felicidade eterna.

 

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 16:40

20
Jan 01

 

 

 

Comemorou-se no passado dia 10 de Dezembro, o 52.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Apesar do progresso da humanidade no campo científico e tecnológico, e dos constantes apelos à paz e a uma cultura onde impere a solidariedade e o respeito pela vida e bem-estar de todos os cidadãos, constata-se que grande número de países, faz, da Declaração Universal dos Direitos do Homem, letra morta.

Segundo a Amnistia Internacional, são as crianças as grandes vítimas da fúria humana em todo o mundo. Mais de cem milhões de crianças vivem nas ruas. Em numerosos países, a tortura de menores é uma prática comum por parte das forças policiais.

As crianças são vítimas indefesas de maus-tratos, pedofilia, violações, pobreza, mutilações, obrigadas a fazer a guerra e a matar, a trabalhar duramente, quando deveriam brincar e estudar. “Estes abusos continuam a ser a grande vergonha do mundo, uma realidade diária, “ignorada” pelos governos, um pouco por todo o lado. A maioria das crianças sofre, em silêncio; as suas histórias nunca são contadas, os seus algozes nunca são chamados a prestar contas”, denuncia aquela Organização.

E o que se passa no nosso país? Segundo a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, no ano 2000, foram apresentadas naquela associação 3358 queixas relativas a violência doméstica, referindo-se 2238 a maus-tratos por parte do cônjuge ou companheiro.

A Amnistia Internacional denunciou também maus-tratos aos presidiários, nas cadeias portuguesas.

Segundo a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, do Ministério do Trabalho e Solidariedade, mais de metade dos pareceres emitidos em 1999 (52%) incidiam sobre casos de mulheres despedidas de empresas, por estarem grávidas.

É deveras doloroso o desrespeito pelos direitos humanos que se verifica neste início de milénio.

Consciencializar e educar as pessoas sobre os direitos humanos, é tarefa urgente.

Combater e denunciar as situações de injustiça é obrigação de todos, em especial, dos cristãos.

Não o fazer é negar a Boa Nova de Jesus, especialmente direccionada para os pobres, os marginalizados e oprimidos, pelos quais tinha sempre uma predilecção especial.

 

 

publicado por aosabordapena às 15:35

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