Um singelo espaço de reflexão pessoal. Lugar de afectos, espiritualidade e outras coisas da vida.

16
Mai 08

 

 

Morava numa das ruas centrais da cidade. O seu palácio era majestoso, resguardado dos olhares curiosos por uma alta sebe coberta por odoríferas gipsofilas. As palmeiras elevavam-se altaneiras em direcção ao céu azul.

O portão principal resguardava o seu proprietário «homem rico que se vestia de púrpura e linho fino» (Lc 16, 19) de qualquer veleidade por parte de intrusos, de pobres, de escravos fugidos e de outros sem eira nem beira que enxameavam as ruas da cidade procurando algo para comer.

Paro e o meu olhar vislumbra «um pobre, chamado Lázaro, (que) jazia ao seu portão, coberto de chagas». (Lc 16, 20). Em vez de enfermeiros «eram os cães que vinham lamber-lhe as chagas». (Lc 16, 21)

E no meu silêncio, escuto a música inebriante e as vozes alegres e estridentes dos convivas que se refastelavam com as iguarias que o homem rico lhes proporcionava.

E pressinto a angústia do pobre Lázaro. O seu desejo de «saciar-se com o que caía da mesa do rico» (Lc 16, 21) era evidente. Porém, mesmo isso era-lhe negado, pois tal era um privilégio dos cães do rico.

E no meu silêncio, ouço a voz de 960 milhões de pobres Lázaros contemporâneos, que segundo o último relatório das Nações Unidas, vivem com menos de 1 euro por dia. Homens e mulheres que vivem em condições sociais desumanas, sem comida, sem abrigo, vivendo uma vida abaixo de cão de rico.

E escuto os seus gritos de dor, esperando ansiosos na margem do caminho das nossas sociedades perdulárias a ajuda que tarda ou que já chegará fora de tempo.

E no silêncio … eu sinto que esta parábola de Jesus é um desafio à nossa consciência adormecida; um soco no nosso estômago bem nutrido; o indicar dum caminho certo e recto em direcção a Deus, ou seja, o amor e a ajuda fraternos, em prol, especialmente, daqueles que mais precisam.

P.S. “ Se hoje ouvires a voz do Senhor” e sentires o Seu apelo no sentido da partilha de bens, podes fazê-lo de várias formas: escolher e contribuir para a organização humanitária em quem mais confies; contribuir para a Conferência Vicentina Masculina de S. João Baptista ou para a Conferência Vicentina Feminina de Nossa Senhora de Fátima, ambas da Paróquia da Sé.

A opção é tua. A recompensa é do Senhor.

 

publicado por aosabordapena às 16:26

02
Abr 08

 

Entre outros, é dever dos vicentinos, comparecer nas reuniões da sua Conferência, salvo por motivos de força maior, participando, de forma activa, na análise e procura de soluções relativamente a todos os assuntos que sejam objecto de apreciação, e empenhando-se pessoalmente na resolução dos problemas, disponibilizando tempo e saber e eventuais influências que possam, de alguma forma, contribuir para alcançar os objectivos definidos.

Além desta participação, é seu dever participar nas Assembleias e outras manifestações promovidas pela Sociedade de S. Vicente de Paulo, seja a nível regional ou nacional.

Esta participação é significativamente importante, não só pelo testemunho colectivo de espírito vicentino que proporciona, como também, pela oportunidade duma interacção entre os vicentinos, qualquer que seja a sua proveniência, que se traduz no reforço da vivência vicentina, pela alegria do encontro, pelo exemplo que motiva, pelo incitamento que desassossega o conformismo e a apatia, pela troca de saberes e experiências que enriquecem.

Por isso, a presença de todos é imprescindível.

 

publicado por aosabordapena às 21:12

08
Jul 05

 

           

 

Conforme plano de actividades do Conselho Central da Sociedade de S. Vicente de Paulo da nossa Diocese, realizou-se de 9 a 12 de Junho de 2005, uma peregrinação ao Santuário Mariano de Lourdes integrando, para além de vicentinos, elementos da Paróquia de S. Tiago e de outras comunidades, num total de 52 participantes, entre os quais o seu conselheiro espiritual, Sr. P. José Carlos.

Dia 9 – A partir das 4 horas e 30 minutos da manhã, começaram a chegar os participantes, bem dispostos, apesar do “toque de alvorada” ter acontecido mais cedo.

Estava uma óptima manhã, uma temperatura agradável, e às 5 horas rumámos em direcção a Saragoça, antiga capital do Reino de Aragão, situada nas margens do rio Ebro.

O sol depressa fez a sua aparição. Uma suave claridade e uma leve tonalidade avermelhada proporcionaram um belo espectáculo.

Entre o apreciar das várias paisagens e um retemperador e irresistível cochilo, lá fomos devorando quilómetros através da interminável Espanha, tão característica e diversificada.

Chegados a Saragoça, o estômago já começava a ressentir-se. Daí a sentarmo-nos à mesa, pouco demorou.

Após saborear o primeiro prato, houve alguma agitação, pois havíamos sido induzidos em erro, já que aquele não era o nosso restaurante e a ementa, quiçá, não fosse a mesma.

E agora? Após os momentos iniciais de embaraço e estupefacção e a esforçada e rápida intervenção do Domingos Poças, o incidente foi sanado e pudemos concluir em paz a refeição.

Cá fora o sol era então abrasador. O guia que nos devia orientar na cidade acabou por não aparecer. Apesar do desencontro, não desanimámos e fomos visitar a Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, do séc. XVII – XVIII, magnífica pela sua imponência, pela riqueza das suas decorações, pelos belos altares donde sobressaía o da Virgem, pela ambiência espiritual que se respirava.

Daí passámos à Catedral Metropolitana La Seo do Salvador, do séc. XII-XIV, reflexo da fé, da história e da arte de Aragão.

Magníficos, entre outros, são a fachada principal, o retábulo do Altar-Mor, o Cristo de La Seo e o Relicário de San Valero.

De novo tomámos o autocarro, pois esperava-nos uma nova e prolongada etapa.

Após alguns contratempos, (quem nunca se enganou?), cansados, chegámos, por volta da meia-noite ao Principado de Andorra, pequena região dos Pirinéus (465 Km2), colocada desde 1607 sob a soberania conjunta do Presidente da França e do Bispo de Urgel, na Espanha.

A manhã do dia 10 foi ocupada a fazer compras e a visitar alguns pontos de interesse turístico e religioso da capital, Andorra La Vella.

Após o almoço, fizemo-nos à estrada. Os Pirinéus provocaram a nossa admiração e encanto, com os seus picos alcantilados salpicados de neve, com cascatas reluzentes deslizando pelas suas faldas verdejantes onde o gado se banqueteava.

Chegados a Lourdes, sita nas margens do Pau, objectivo primeiro da nossa peregrinação e após o jantar no Hotel de Providence, (tão poupadinhos nos copos, toalhas e guardanapos! Nunca tal se tinha visto! A crise é grande mas nem tanto!), fomos visitar e venerar a Mãe na gruta de Massabielle, onde apareceu a Santa Bernadette de Soubirous, tendo, por feliz coincidência e especial privilégio, assistido à Santa Missa a que se seguiu a Exposição do Santíssimo Sacramento.

Dia 11, houve celebração da Eucaristia presidida pelo P. José Carlos, numa capela lateral do Santuário tendo colocado aos pés da Virgem as nossas intenções a que se seguiu a Via-Sacra e visita às duas basílicas.

Após o almoço e da compra de “souvenirs”, tomámos o rumo de Santilhana Del Mar, na Cantábria.

As extensas planuras verdejantes do sul de França desfilavam perante os nossos olhos.

Densos tufos de vegetação ornavam a paisagem e faziam-nos elevar o pensamento até Deus agradecendo-Lhe as maravilhas que criou e pôs à disposição do homem.

Antes de chegar ao nosso destino, a chuva fez a sua aparição, tendo sido assolados por grossas bátegas de água. A trovoada lá ao longe anunciava-se, com raios rasgando os céus. Porém, e ainda bem, depressa se esfumou.

Chegados a Santilhana Del Mar, fomos confrontados com um pequeno paraíso verdejante, calmo, de bela traça arquitectónica, com belíssimas casas senhoriais, devidamente aproveitadas, um misto de ambiente rural, citadino, respirando história e tradição.

Domingo, dia 12, pela manhã fomos visitar o Museu de Altamira, localidade pré-histórica, célebre pelas suas grutas com pinturas rupestres.

Foi um regresso ao passado, (entre 30.000 e 10.000 anos antes de Cristo).

Uma autêntica lição de história, com pinturas rupestres nas cavernas onde o

homem pré-histórico se viu obrigado a viver, representando figuras de animais, como mamutes, cavalos selvagens e cervos.

Tais obras são por certo, testemunhas de práticas de magia com que o homem acreditava adquirir o controle das forças misteriosas da natureza.

Ossadas, instrumentos utilitários, restos de comida, de cinzas, fizeram-nos pensar que esse homem pré-histórico, rude e selvagem, contribuiu com a sua destreza, habilidade e história para que a nossa, possa hoje existir com o nível de desenvolvimento de que todos nós usufruímos.

Após esta visita, assistimos na Colegiata, à Eucaristia do 11º. Domingo do Tempo Comum, concelebrada pelo nosso pároco e conselheiro espiritual, tendo o presidente da celebração referido, na homilia, o dever de agradecer a Deus por tudo o que Dele recebemos; que “nosso” só é aquilo que fazemos, pelo que devemos dar grátis aquilo que grátis recebemos de Deus.

Após o almoço, iniciou-se a viagem de regresso rumo a Oviedo.

À nossa esquerda, ficavam para trás os flancos escarpados dos Picos da Europa cobertos de densa neblina.

O “reino das Astúrias” aparecia com a sua beleza bucólica, os seus verdes, onde os animais se deliciavam, mesclados de habitações devidamente casadas com a natureza envolvente.

A cordilheira cantábrica, com as suas escarpas imponentes que esmagam o homem pela sua grandiosidade, era ultrapassada através de numerosos túneis rasgados pelo homem no seio da mãe natureza.

Extensos lagos de água amenizavam a paisagem agreste, deliciavam a nossa vista e desafiavam a nossa imaginação.

Entrados na região de Castela-Leão, caracterizada por grandes áreas planálticas, imensos matagais de giestas floridas embelezavam as suas encostas, dando lugar agora a uma paisagem mais sóbria e austera, onde pontificavam os pinheiros, os carvalhos e árvores rasteiras, a lonjura e planura dos campos lioneses e zamoranos devidamente aproveitados economicamente, que é um regalo observar.

Por fim, cansados mas satisfeitos, chegámos a Bragança cerca das 20 horas e 30 minutos onde nos esperavam os familiares, os amigos e o conforto da nossa casa.

“Caminhos” deseja agradecer ao Presidente do Conselho Central Sr. Domingos Poças a sua dedicação, empenho e espírito de sacrifício tidos não só na organização da viagem, com também para que, ao longo dela, tudo corresse bem. É pois merecedor do nosso reconhecimento, bem como a Ex.ª. Câmara Municipal de Bragança que muito generosamente disponibilizou o transporte e pessoal na pessoa dos condutores, Srs. César e Camilo.

Resta realçar o espírito de convívio, entreajuda e compreensão de todos os participantes.

Apesar de tudo, o saldo foi positivo. É uma experiência a repetir.

 

 


03
Abr 05

 

Como já vem habitual na quadra pascal, o Conselho Central Diocesano da Sociedade de S. Vicente de Paulo, procedeu à distribuição de cabazes contendo bens essenciais ao folar de 27 famílias carenciadas da nossa cidade.

Com este gesto, quiseram os vicentinos com o seu esforço e boa vontade, aliados à generosidade dos seus benfeitores, nestes incluindo, de modo muito especial, a comunidade da Paróquia de S. Tiago, que de forma exemplar correspondeu ao apelo que lhe foi lançado no período quaresmal, no sentido de uma vivência cristã materializada na prática activa da caridade, procurar minorar o sofrimento daqueles que mais precisam, dando-lhes alguns bens que possam contribuir para tornar a sua Páscoa mais feliz e consentânea com o verdadeiro espírito pascal.

Com efeito, os vicentinos como é próprio do seu carisma e à semelhança dos discípulos de Emaús, procuram reconhecer, aquando do contacto pessoal, Cristo Vivo e Ressuscitado nesses irmãos que balbuciam palavras de agradecimento e reprimem, por vezes, lágrimas que teimosamente tendem a aflorar.

Na alegria deste pouco dar e muito receber, está a recompensa do Senhor.

 

 

 

publicado por aosabordapena às 15:06

02
Jan 05

 

No seguimento do seu plano de actividades o Conselho Central da Sociedade de S. Vicente de Paulo da Diocese de Bragança-Miranda, através dos vicentinos e vicentinas das 3 conferências existentes na cidade, promoveu no dia 18/12/2004, uma campanha de recolha de géneros alimentares para a Ceia de Natal de 35 famílias carenciadas a qual teve lugar em dois hipermercados que, muito gentilmente, disponibilizaram os seus espaços para o efeito.

É com grande satisfação que podemos referir que, graças à generosidade da população de Bragança, sensível àqueles que sofrem e se encontram em situação de carência, foi atingido o objectivo pretendido, tendo sido recolhidos muitos bens alimentares com os quais foi possível compor os cabazes de Natal que na tarde do dia 21 foram levados à morada das famílias previamente referenciadas.

A tarde estava fria e a noite já se anunciava. A presença e a palavra amiga dos vicentinos foram para todos, motivo de alegria. A solidão foi por algum tempo derrotada.

“Olha bacalhau”, “Deus lembrou-se de mim que estou para aqui sozinho e abandonado”, ou simplesmente agradecendo com um brilho humedecido nos olhos, foram reacções que fazem pensar e que dão forças aos vicentinos para, na discrição e na humildade da sua acção, continuar a lutar contra todas as formas de pobreza, apesar de serem poucos e sem qualquer auxílio exterior aos seus próprios meios.

Neste mundo conturbado e em crise em que vivemos, tem, cada vez mais pleno cabimento a prática da caridade cristã «a maior de todas as virtudes» e «sem a qual, diz S. Paulo, eu nada sou (…) E tudo o que é privilégio, serviço, mesmo virtude …, «sem caridade, não serve para nada».

Para os benfeitores dos vicentinos e suas famílias e para os pobres por aqueles assistidos, votos de um feliz Ano de 2005.

 

 

publicado por aosabordapena às 21:23

(D. António M. Moreira)

 

Teve lugar no dia 11 de Dezembro de 2004 a Assembleia Regulamentar das Conferências Vicentinas à qual presidiu o Bispo da Diocese, D. António Montes Moreira.

Foi uma ocasião propícia à reflexão acerca da pobreza no mundo, na diocese, na cidade e na paróquia, realidade existente, bem próxima de nós cristãos que a não vemos ou não queremos ver.

Emocionamo-nos e por vezes deixamos cair uma lágrima, quando vemos relatadas na televisão, situações dramáticas de abandono, de miséria e de injustiça.

Infelizmente, e na maior parte das vezes, não passamos daí. Ficamos sensibilizados, com pena. Mas quando, no dia a dia, somos confrontados com a realidade próxima, com a possibilidade de podermos contribuir, quanto mais não seja com a nossa presença, de passar à acção, simplesmente nos demitimos da nossa obrigação de viver em comunidade.

Preferimos viver à margem de nós mesmos e dos outros, porque não vivemos em verdadeiro espírito comunitário. Como se a seara do Senhor não fosse a mesma.

Esta reflexão decorre, como foi reconhecido na assembleia vicentina, da necessidade de unir esforços, de multiplicar boas vontades, de fazer parcerias informais com outras entidades privadas ou públicas, movimentos de Igreja, etc., no sentido de despertar consciências e procurar todos os caminhos possíveis para que a fome e a miséria sejam derrotadas pois a “questão social” do tempo do Beato Frederico Ozanam continua em aberto.

Estas assembleias anuais servem, não só para o relato das actividades realizadas, como também para os vicentinos e vicentinas recuperarem forças, redobrarem esforços e se consciencializarem da importância da sua acção exercida no silêncio e na discrição do dia a dia. Acção que alicerçada na oração e na meditação da Palavra de Deus, é um meio de evangelização, de ser testemunha do amor do Cristo marginalizado pela sociedade do seu tempo, no contacto com os mais desfavorecidos.

Após a assembleia, teve lugar a celebração da Eucaristia, presidida pelo nosso Bispo e concelebrada pelo pároco P. José Carlos e pelo Sr. Cónego Nogueira Afonso, finalizando assim da melhor forma este dia de espiritualidade e reflexão vicentinas.

Seguiu-se o tradicional jantar de confraternização como expressão de amizade e do são convívio existente entre todos ao longo do ano.

A todos os que tiveram a caridade de nos ouvir, ao Sr. Dr. Pedro Guerra, ao vicentino Luís Roque, presidente do Conselho Central Masculino do Porto, a todos os vicentinos e vicentinas presentes o nosso muito obrigado pela a presença e colaboração, com votos de um Ano Novo pleno das maiores venturas pessoais e profissionais.

 

publicado por aosabordapena às 20:38

10
Out 04

 

 

 

 

Depois da elucidativa exposição da …., apraz-me trazer à vossa presença as seguintes considerações:

Se o Estado apoia todos os cidadãos com as mais variadas prestações, pese embora o seu baixo quantitativo, (recordo que a mais baixa pensão ou subsídio da segurança social se cifra em 154,88 euros- pensão social), 31.051$00 na moeda antiga,

Se há tantas instituições envolvidas na luta contra a pobreza e que proporcionam meios materiais e de acolhimento, qual o campo de acção onde os vicentinos devem exercer a sua acção?

Esta é uma questão crucial que importa reflectir e que coloca algumas inquietações aos vicentinos.

Recordemos os princípios fundamentais da Sociedade:

- Procurar aliviar aqueles que sofrem, em espírito de justiça e de caridade e por um compromisso pessoal.

- Na fidelidade aos seus fundadores, a Sociedade tem a preocupação constante de se renovar e de se adaptar às condições mutáveis do mundo.

- Nenhuma obra de caridade deve ser estranha à Sociedade.

- Procurar aliviar a miséria, descobrir e solucionar as suas causas.

Atentas estas premissas, qual será então o campo de acção que sobra para os vicentinos? Qual será o campo de acção que ninguém quer, que não tem qualquer cobertura ou que tem uma cobertura insuficiente?

Será legítimo que os vicentinos atendam pobres já subsidiados pelo Estado ou por outras instituições?

Por certo, cada um dos presentes terá a sua resposta a estas duas questões e qualquer que ela seja, talvez não seja pacífica ou consensual.

Segundo os últimos números divulgados pelo relatório Estado das Cidades da agência Habitat da ONU e que vieram a lume no passado mês de Setembro, 2 em cada 10 portugueses estão “em risco de pobreza” estimando-se em 2 milhões os portugueses que vivem no limiar da pobreza tendo um rendimento médio (sublinho rendimento médio, uma vez que as médias servem para amenizar as realidades existentes), de 280 euros/ 56 contos/mês, sendo Portugal o País da União Europeia onde há um maior nível de desigualdade social.

O perfil dos sem-abrigo mudou. Á figura tradicional do pedinte vagueando pelas ruas, do alcoólico atirado para o banco do jardim, juntam-se agora jovens sobretudo homens, desempregados ou incapazes de acompanhar o ritmo social, com problemas de droga ou com sida e mulheres e crianças vítimas de violência social.

Este facto sugere o falhanço dos sistemas tradicionais de apoio social.

Tal leva à violência e à criminalidade sendo cada vez maior o número de crimes cometidos por jovens.

Escrevem os autores do citado relatório “ que os filhos da pobreza estão a tornar-se criminosos em idades muito precoces”.

Então qual será o papel dos vicentinos nos dias de hoje que são os nossos?

O Estado e as instituições podem e devem contribuir para minorar as carências materiais dos cidadãos. O vicentino deve continuar a ajudar, materialmente, aqueles que recebem as prestações mínimas; em situações de solidão e de sofrimento deve, pela manifestação de afecto, de respeito pela dignidade individual, oferecer amor, compreensão, saber ouvir, aconselhar com uma palavra amiga.

O vicentino deve procurar exercer a sua acção sobretudo junto dos mais idosos, porque mais frágeis e abandonados.

A acção dos vicentinos deve mobilizar e desassossegar as consciências, expor situações de carência e exercer pressão para a sua resolução atempada, lutar para que haja mais justiça social.

O Estado não conhece a pessoa que auxilia, mas sim o seu número de inscrição.

O vicentino deve ver na pessoa do pobre o Cristo marginalizado pela sociedade do seu tempo.

O Estado é lento e burocrático. O vicentino deve estar sempre disponível e não esperar pelo dia seguinte para ajudar quem precisa.

Se nenhuma obra de caridade deve ser estranha à SSVP;

Se a SSVP deve ter a preocupação de se adaptar às condições mutáveis do mundo;

Se as nossas estruturas são frágeis ou inexistentes porque não, para além da nossa acção específica como vicentinos exercida no silêncio e na discrição do dia a dia, a constituição de parcerias com outras entidades ou com o próprio Estado onde tal seja possível e adequado? Porque não reivindicar para a SSVP dada a sua abrangência mundial e nacional um estatuto, digamos assim de uma espécie de parceiro social que pudesse propor ou influenciar políticas sociais?

Há em Portugal segundo os últimos números publicados cerca de um milhão de analfabetos e outros tantos ou mais que sabendo ler e escrever, não percebem o que lêem, não sabem preencher um documento oficial.

O vicentino deve também trilhar o caminho no combate à falta de instrução.

Porque não um serviço de consultadoria a nível local e a nível nacional? Uma espécie de Loja da Caridade em contraponto à Loja do Cidadão?

Poderão as afirmações e sugestões apresentadas ser utópicas ou desprovidas de sentido. Elas têm como único intuito provocar a reflexão no sentido de despertar consciências e procurar todos os caminhos possíveis para que a fome e a miséria sejam derrotadas pois “a questão social” do tempo de Ozanam continua em aberto.

Vou terminar, recordando as suas palavras: “a questão que divide os homens dos nossos dias já não é uma questão política mas uma questão social. Há muitos homens que têm demais e querem sempre mais: e há muitos mais que não têm o suficiente, que nada têm e que querem agarrar, se não lhes derem. Entre estas duas classes de homens prepara-se uma luta terrível: dum lado o poder do ouro, do outro o poder do desespero”.

Como têm actualidade estas palavras proferidas por Ozanam em Novembro de 1836.

 

 

 

publicado por aosabordapena às 15:35

08
Mai 04

 

 

 

Realizou-se nos dias 17 e 18 de Abril de 2004, a peregrinação nacional da Sociedade de S. Vicente de Paulo a Fátima, subordinada ao tema “Honra teu Pai e tua Mãe”, a qual foi presidida por Sua Excelência Reverendíssima o Senhor D. Manuel Martins, Bispo Emérito de Setúbal.

Do Conselho Central da Diocese, estiveram presentes 33 elementos entre vicentinos e acompanhantes.

Do programa, apraz salientar a realização da Assembleia Vicentina, no Centro Apostólico Paulo VI, o qual se encontrava repleto, a Saudação a Nossa Senhora na Capelinha das Aparições, a renovação do Compromisso Vicentino e consagração à Virgem e a adoração do Santíssimo Sacramento na Basílica.

Fátima … é sempre Fátima. Ponto de encontro de raças, povos e línguas, a Cova da Iria, esteja sol, frio ou chuva, continua a exercer o seu fascínio e a tocar os sentimentos mais profundos de todos aqueles que rumam ao Altar do Mundo para procurar a paz e o perdão, redobrar as forças, agradecer as graças obtidas ou colocar nas mãos da Mãe os problemas, angústias e aflições.

Assim aconteceu mais uma vez também com os vicentinos que anualmente vêm junto da sua protectora para a saudar e pedir ajuda e estímulo para continuar a luta contra as desigualdades e mergulhar na aventura da partilha e da descoberta do “Servo Sofredor” na pessoa do pobre, do marginalizado, nesta sociedade de egoísmos, «da imagem, da ostentação e do economicismo» e cuja maioria anónima e silenciosa sofre de solidão, de privações de vária ordem e da indiferença daqueles que foram bafejados pela sorte.

Fazendo minhas, as palavras de D. Manuel Martins «o que aconteceu em Fátima, não foi mais uma peregrinação ou mais uma assembleia. Foi sobretudo uma experiência pascal de Cristo Vivo, de Cristo Ressuscitado».

 

 

 

publicado por aosabordapena às 19:36

03
Jan 03

 

Amanheceu cinzento e chuvoso, o dia 21 de Dezembro de 2002. Uma diáfana neblina conferia ao ambiente o tom característico dum dia de Inverno transmontano.

Na sequência da campanha de recolha de géneros levada a cabo nos dias 7, 8, 14 e 15 de Dezembro nos Hipermercados da cidade e na Igreja de S. Tiago, as Conferências Vicentinas de S. João Baptista e de Nossa Senhora de Fátima, ambas da Sé, e a Conferência de S. Tiago, tinham às 14 horas tudo em ordem para poder distribuir às famílias mais carenciadas, os Cabazes de Natal.

Isolados ou em grupo, foram chegando. Ao todo, novena e quatro famílias de nacionais, bielorussos, russos, ucranianos e comunidade cigana.

No olhar, um misto de tristeza e de expectativa.

Paciente e ordeiramente, aguardaram sentados a sua vez, enquanto uma suave música de Natal amenizava o ambiente.

Nomes e línguas estranhas para os nossos ouvidos, matizadas por algumas palavras em português, ditas com esforço, não foram impedimento para que a comunicação acontecesse e a afectividade aflorasse. Às 17 horas, todos tinham sido atendidos.

Aconteceu Natal. Dar e receber. Um sorriso, um aperto de mão, um brilho no olhar, uma lágrima furtiva ao canto do olho.

Que belas prendas de Natal para os vicentinos de Bragança.

A noite caía. No coração, a alegria de servir e a certeza de que o Natal, para cerca de 200 pessoas, seria um pouco melhor.

 

 

publicado por aosabordapena às 15:11

02
Nov 02

 

Amanheceu ameno o dia 6 de Outubro de 2002 e um sol radioso, conferiu à cidade de Bragança, uma ambiência em que a melancolia outonal, deu lugar a um esplendoroso dia de Verão.

Conforme havia sido programado, realizou-se na Paróquia de S. Tiago, a Assembleia Regulamentar das Conferências Vicentinas da Diocese e uma Eucaristia de acção de graças, pela agregação da Conferência Vicentina de S. Tiago à Sociedade de S. Vicente de Paulo.

Estes dois actos foram presididos por Sua Ex.ª Reverendíssima D. António Montes Moreira, Bispo da Diocese de Bragança – Miranda, coadjuvado pelo Pároco de S. Tiago, P. José Carlos, estando presentes o Presidente e Vice-Presidente do Conselho Nacional, o Presidente do Conselho Central Masculino do Porto e, por representação, a Presidente do Conselho Central Feminino do Porto, as Conferências Vicentinas de S. Tiago, de Santa Maria e de S. João Baptista e de Nossa Senhora de Fátima, ambas da Paróquia da Sé.

Como convidados, e num espírito de comunhão eclesial e amizade fraterna que une a grande família espiritual constituída por todos os vicentinos, onde quer que se encontrem, estiveram presentes elementos das Conferências de Espinho, de Santa Rita e de S. Martinho, da Paróquia de Aldoar – Porto.

A Eucaristia, transmitida pela rádio RBA de Bragança, foi muito participada e um momento de grande elevação espiritual, pela singeleza, pelo brilhantismo que o coro da Paróquia lhe soube imprimir, e sobretudo, pela riqueza da palavra que Sua Ex.ª dirigiu a toda a comunidade e, em especial, aos vicentinos.

Momento alto da celebração foi o compromisso assumido por nove novos vicentinos da Paróquia de S. Tiago e um da Paróquia da Sé, selado pelo beijo trocado com o Presidente do Conselho Nacional da Sociedade.

Após a Eucaristia, teve lugar a Assembleia Regulamentar, durante a qual, os presidentes das conferências presentes e restantes elementos tiveram oportunidade de testemunhar e de referir a actividade das suas conferências, seus anseios, êxitos e fracassos.

Foi um momento de reflexão e de trazer à colação os novos desafios que se colocam a todos os vicentinos, neste mundo em que vivemos e no qual, impera a falta de cultura religiosa e não só, bem como a solidão, numa acepção ampla, na qual se incluem, não só as pessoas que vivem sós, segregadas pela sociedade, mas também, a solidão daqueles que coabitam no mesmo espaço familiar, laboral ou de proximidade.

D. António Montes, encerrou a Assembleia Regulamentar, lembrando aos vicentinos que “não são assistentes sociais, mas Apóstolos de Cristo”, junto, sobretudo, dos que mais precisam.

Terminou este dia vicentino em Bragança com um almoço, o qual serviu para estreitar entre todos, laços de amizade e reforçar a vontade dum cada vez maior empenhamento, na divulgação e cumprimento dos ideais vicentinos.

 

 

 

 

 

publicado por aosabordapena às 21:17

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